Sabotagem PARAPARAPÁ

Por vezes as relações com as quais mais nos importamos, ou as realizações que mais buscamos, são exatamente as que mais sabotamos. Mas por que sabotamos? Não acordamos naquele dia decididos ao dar uma boa espreguiçada, dizendo "bom dia, dia incrível para eu me sabotar"! Mas verdade seja dita, todo dia é mesmo um dia... Continuar Lendo →

A roda do mar sem beira

Quando aceitamos quem não veio e aceitamos quem se foi, aceitamos o passo da dança e seus novos começos. Quando aceitamos o que se fez e aceitamos o que se deixou deixamos de lado a dança para ser fora da dor. Quando aceitamos o não dito e aceitamos o que se vivenciou, saltamos para fora... Continuar Lendo →

Eu, você e nossas sombras

A gente foi ensinado a não ver nossas sombras. Não. Nós não fomos ensinados a observar nossas sombras reconhecendo nosso poder de escolha quanto a elas. Na maior parte das vezes, tivemos aprendizados distorcidos, sem nenhuma aceitação dos dois lados. E ficamos cheios de expectativas sobre as não-sombras que gostaríamos de caminhar ao lado. Por... Continuar Lendo →

É só um prato de afeto

Em um dia corrido de atendimentos, saio rápido na rua. Sou abordada por dois meninos vendendo bala, digo: não, obrigada. Um passo a frente, me ressoa pelas costas um grito: - É só um prato de comida! Foi um dia incrível de pessoas de diversas idades trazendo aprendizados sobre suas dores emocionais, sobre suas carências,... Continuar Lendo →

O mundo não para e nós não vamos descer

- Que semana louca a que eu tive, todo mundo parecia estar me atropelando. A queixa é rotineira em pessoas e histórias diferentes. Por vezes nos sentimos verdadeiras formigas no planeta dos dragões. Sentimos tudo de mais pesado: medo, dúvida, culpa... E desatentos, não percebemos o enorme poder que estamos dando aos outros e as... Continuar Lendo →

Para quebrar padrões culturais afetivos

- Cris, pra que eu vou ficar com o foco em alguém que está com o foco em outra pessoa? Abriu a pergunta ela, enquanto ainda nem terminava de se sentar no futon para a psicoterapia. Seguiu falando de suas conclusões e escolhas usando como referência a palavra reciprocidade, e estava, pela primeira vez, conseguindo... Continuar Lendo →

O mundo é fantástico, Alice

Alice, senta aqui, bem embaixo dessa árvore, vou te contar uma história. Mas fique atenta, Alice, mantenha bem aberto os olhos. Sem rota de fuga, sem que o veja como um labirinto sem fundo, o mundo é sua escola, Alice. Não precisa ser gigante quando se sente pequena, não precisa se apequenar quando se sente... Continuar Lendo →

Do dito popular – coisas da velha

A velha avó gostava muito de provérbios. Vez por outra desenferrujava um da manga para algum ensinamento. Lembro do olhar de lado, por entre as lentes de um óculos que encobriam uma cegueira de alguém que resiste vendo. - Antes um pássaro na mão do que dois voando. Lembro de me deixar perder pela imagem... Continuar Lendo →

Doze casas na terra

Agora dia 06 de abril viram meus ponteiros etários, e como algo clássico, desde 06 de março a bagunça começou. Como alguém que passou por formação em astrologia, não posso propagar o mito do inferno astral como algo que nos faz vitimados. Fato é, em astrologuês, quando nascemos, uma fotografia é tirada do céu e... Continuar Lendo →

Nós que aqui ficamos, por nós nos transformamos.

A vida é um cadência de saltos, sobressaltos, reposicionamentos. Respiro longo e breve, suspiro profundo do agora. Uma sucessão finita de portas e janelas, que escolhemos quais abrir, quais que se fecham, por quais entramos. Logo ali, por garantia única de quem vive, o silêncio cardíaco que nos encerra e leva à balança, o que... Continuar Lendo →

No amor não se perde

Da época que trabalhei em CTI, entre os casos que mais me marcaram foi o de uma paciente, que vou aqui renomear com o apelido de Jasmim, e de seu marido, também aqui com nome fictício, Lírio. Conheci Jasmim em uma internação dolorosa, tinha um tumor em região inoperável da cabeça, que havia sido diagnosticado... Continuar Lendo →

No Coração do Bloco

Tem gente que diz: nossa, que legal, você toca em bloco! Tem gente que diz: caramba, como você consegue tocar em bloco? Tem gente que diz com os olhos, gostaria também. Tem gente que faz cara de paisagem, mas com o olhar declara suas críticas célebres. E tem gente que se despudora mesmo e fala... Continuar Lendo →

Minha jangada vai sair

Todo ano sai uma jangada ao mar. Doze meses de percurso saindo de quem se está, sem se saber a quem se chegará. O que se tem como guia, cabe a cada um sua escolha. Pode tudo... só não se pode ir vestido de desesperança. E quem souber se escutar, terá céu e mar. Todo... Continuar Lendo →

Esse fio amarelo-rosa

Um dia é um amigo que te espera no sinal. Outro dia é você quem espera um amigo na praça. Um dia é um amigo que te acorda de um passo desalinhado. Outro dia é você quem guarda com os olhos um amigo em seus passos. E é tanta gente que passa, tanta gente à... Continuar Lendo →

Por velhas e novas prosas, chama, amigo

Amigos são partes incalculáveis, que chegam de onde menos se espera, espelham, ensinam, questionam e movimentam a gente a rever e se reaver... de quem somos, como somos. Dizem por aí que amigos são a família que escolhemos ter. Sim, a gente escolhe, temos lá nosso poder da peneira. Mas para mim, amigos acontecem. Não... Continuar Lendo →

Por ser leal à lealdade, o universo interno

Sofro, na brincadeira do verbo, de uma lealdade incurável e irrefreável. E por ela, e dentro dela me reconheço e me reintegro, muito embora, por ela, e dentro dela, já tenha por ímpeto entrado em longas batalhas. Certa vez, há anos atrás, me disse o mestre: - Sua lealdade jamais te trairá. Sei, ressoa meio... Continuar Lendo →

“Life is like a box of chocolates”

A gente se surpreende. Temos a cabeça cheia de referências, filtros, belezas e impurezas. Mas não sabemos nada, nada absolutamente do que vai dentro de cada pessoa com quem lidamos. Achamos, achamos muito, feito criança pulante no banco de trás, com a pergunta: está chegando? Junto a um monte de querências.  Assim erramos. Nossa, como... Continuar Lendo →

Para não se arrepender (depois)

Havia uma mosca pousada sobre a borda da testa dele. Tirava do sossego os pensamentos que circulavam entre as vitórias e as derrotas que poderiam ser dele, enquanto suava sob as sombrancelhas, na opressão dos olhos do medo de quem não sabia se pôr por inteiro a tentar. Havia uma mosca rastreando as insônias dele,... Continuar Lendo →

O resgate da fé feminista

Eu sou feminista, nasci feminista. Não tive uma formação de base feminista, muito pelo contrário. E talvez essa contramão de base, tenha sido o melhor exercício para que esse meu feminismo de alma se revelasse. Paguei, e pago, os preços caros, de ser mulher em uma cultura ainda bastante machista, e de ter essa tendência... Continuar Lendo →

Por uma ética emocional nas relações

Existem muitos textos atuais, questionadores e incríveis, falando de superficialidade nas relações nos tempos atuais. Não vou chover no molhado, mas vou propor uma entrelinha com outra linha de costura. A palavra ética é sempre tentadora, escorregadia, circular. Da época  em que trabalhava em saúde, por mais árduo que fosse o debate, menos incerto do... Continuar Lendo →

De metáfora e melodia 4

Tudo passa:a embarcação que chega, a embarcação que vai, o passo do passo a passo, a dança da ondulação no tempo exato e refaz a graça do compasso.

Depois do que éramos, o que somos

Eu era uma criança rueira, puxava papo pela rua, vivia pendurada na janela do quarto da avó que dava para o pátio da escola, querendo estar 24 horas brincando por ali. Eu era uma criança musical, cantarolante, que achava ser possível curar a tristeza do outro fazendo carinho enquanto cantava. Virei uma adolescente rueira, que... Continuar Lendo →

Dos erros aos reacertos 

Existem erros que a gente comete, que ao serem percebidos por nós mesmos, nos custam um peso de caminhar sem saber como se perdoar. A vida é feita de erros e tropeços, e tudo isso faz parte, mas todo mundo tem lá aquele seu pacotinho de erros difíceis de conseguir se perdoar. Se dá algumas... Continuar Lendo →

À Vida

Ser humano adora meios. Não ter medo dos fins tampouco dos inícios é que faz a gente ser por inteiro.

Quinto Compasso

Natural quetendo devolvido a bossa, a vida devolvesse o mar, tendo reintegre as notas, reintegrasse sol e modular no cais do compasso náutico onde o horizonte transpõe acordes do acordar.

Sem pauta de acaso

- Sorte a minha, azar o teu - pensava ela. Redigiu: azar meu, sorte a sua eu mudar a órbita da linha, da rara costura, da plácida verdade que derramava. - Não, sem lágrima derramada - murmurou entre o lápis e a borracha rasgando o papel. Respirou fundo, fechou o caderno empurrando de lado. O... Continuar Lendo →

Quens em Quando

Quem enquadra não escuta. Quem muito acha, entende pouco. Quens em quando alguém julga por ótica quadrada o que a lente enxuga. Quem supõe não toca e quem não toca não sente. Quens em quando alguém se amarra à borda e a mágica do aprendiz não enche o copo. Quem muito esvazia, tole. Quem só... Continuar Lendo →

No sopro do carinho

A força é da singeleza do cuidar,  brutalmente delicada, se estende quem é, rega o outro como está. A força, tamanha, nada frágil de ressoar no gesto uma mesma verdade: amar é flor de variadas pétalas que por onde sua textura tange uma orquestra inteira se curva a tocar.

Sou Legal – Não Estou Te Dando Mole

A frase é incrível, tem um milhão de versões, escolhi essa imagem, para falar do que é chato, que todo mundo passa, que ao mesmo tempo que faz parte, não, não faz parte. Quem paquera sabe quando é paquerado. Sabe a diferença da energia, do olhar, do gesto, de alguma pista quando há reciprocidade. A... Continuar Lendo →

Pelo verbo acordar

Acordar: desentorpecimento dos castelos de areia, das zonas de conforto, do hábito de negar a própria alegria e crescimento. Liberdade das adjetivações tolas, críticas, das culpabilizações descabidas, da falta de escolha de escolhas. Porto do cais do verbo aprender. Despir de camarim, demaquilante dos personagens e idéias pré-concebidas que por afeto se acha que se... Continuar Lendo →

Rítmo

No rastro da água na borda do tempo desfazem amarras se ruma em unguento. Nas dobras da noite nos levantes do dia revezam as toadas se lançam os pássaros urge o firmamento. 

Com os pés no chão – 02

Duas motivações completamente diversas nos fazem não desistir. Ou a teimosia. Ou a verdade pessoal. Pela teimosia, estamos agarrados ao hábito. Pela verdade pessoal estamos entregues na coragem.  Tenhamos a liberdade de irmos pela verdade e caminharmos com o céu nos pés.

Na sala do sentir

Quando era criança e passava por um momento emocionalmente complicado, o colégio era uma espécie de libertação. Naquele ano, lembro bem do nome dela, a tia Mônica, ousou uma manobra arriscada. Me tirou de onde sentava e me colocou, definitivamente sentada ao lado de um menino. As mesas eram duplas, e ele era alguém nada... Continuar Lendo →

Com os pés no chão 01

A gente não muda o outro. A gente muda a escolha de como lidar com o outro. A gente não diz como o outro deve caminhar. A gente escolhe com quem, como e até o onde caminhar.

De sobremesa e relação

Temos o péssimo hábito de esperarmos que nossas relações sejam um pavê de bombom. Queremos rápido descartarmos o ácido, o amargo, o cítrico... somos ávidos em desejarmos o outro ao nosso paladar, sem dificuldades. Mas fato é, o outro tem dificuldades, nós temos dificuldades, e tudo isso faz parte!  - Mas eu não gosto de... Continuar Lendo →

De esperança em terra

Dentro do amor,pra fora das bordas do ego, quando se é leal a si mesmo se é leal ao universo. Dentro do amor, quando se escolhe o sentido da verdade interna, se despoja os julgos e medos e se é livre à paz de estar honesto.

Derramamentos

Amor não é moeda de troca é verdade própria. Cresce onde não se espera,  derrama alheio a métrica. Amar acontece e ao universo devolve no que revela e transforma cheio em si mesmo,  sem doma ou beira: o amor é,  e amar já é bem completo.

Corriqueiras Alegorices 10

Alquimia é aceitar o vento que traz a pedra e não percebê-la como entrecorte da margem do rio. Sem pensar no que separa e no que não separa, a água se faz correr por si. Alquimia não é o polir da água sobre a pedra, é a água se manifestar independente da pedra, e cumprir... Continuar Lendo →

De ser em popa

Liberdade não é linha de chegada, é presente que se dá. Mas no mundo ninguém o alforriará, é tu, ao seu próprio modo e gesto que escolhe se presenciar.

Onde tudo é, nada falta

A primeira vez que vi o mar, não me apaixonei. Era muito pequena, e estava por demais incomodada com as sensações da areia. Foram precisas sucessivas vezes, até que da aspereza da areia me fosse possível reconhecer o mar. Ah, a grandiosidade do mar!  Quantas vezes, feito criança, fazemos isso? Damos mais importância as asperezas... Continuar Lendo →

Renascimentos e Escolhas

O amor não desconecta do amor. Então amor ao outro é extensão do amor próprio. E amor próprio requer lealdade a sua verdade pessoal. Mas temos por hábito cultural seguirmos na direção oposta, não somos preparados, de fato, a ter o amor como filtro e norte, somos profundamente enraizados na culpa e no medo, e... Continuar Lendo →

Simpleser

Sobre simplicidade:reconhecer o que é, aceitar as possibilidades escolher com sua verdade. Sem beira de espera ou entremeio, livre para ser. 🌸🦋 *imagem pinterest

Desabandone-se: desinforme

Custa caro o preço do medo de não ser aceito ou de ser abandonado. Se é escravo, cada um ao seu próprio tropeço, dessa ilusão corriqueira e nada passageira. A ponta da lança afiada é por nós mesmos apontada. Somos nós que nos abandonamos. Somos nós que não nos aceitamos em nosso tempo, verdade e... Continuar Lendo →

Entre a espada e a paz

Entre a espada e a paz, os passos do caminho. Da espada, a verdade. Da coragem, a paz. O guerreiro segue. Seguir o faz.  Entre a espada e a paz, o reflexo na lâmina do propósito que o leva e o faz. Tantas sejam as pedras, tantas sejam as perdas, tantas sejam as quebras, o... Continuar Lendo →

Para não faltar prosa nem poesia

- Bem-vindo, seu moço, pode entrar. - Não sei que ventos me trazem, mas sei dos ventavais deixados atrás. - Ih, se vê nos olhos que seguem turvos mareados de temporais em alto mar. - Vim só e marcado pelas desembarcações que tive que enfrentar. - Somos sós, seu moço, eu que vivo de colheita... Continuar Lendo →

Para seguir em paz 

Das duas margens onde o centro é encontro do passo em rega das mãos ao laço, o caminho: o gesto do mútuo cultivo: amar é sair da margem.

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