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Ao passo do que preciso for desmanchar, desconstruir os rumores da memória, náufragos perdidos, laços dissolvidos desmuralhar os sentidos, reatar consigo. Ao passo do que a vida propor tornar a grão de areia, reconstruir.

Carinho

Rola na mansidão do tempo em onda de brisa que não se pontua a delicadeza da ternura.

Dicionário da Mutualidade

AFETO: no acolher, ser afetado e afetar no contato. CUMPLICIDADE: ser uníssono na vivência, na troca, laço. AMIZADE: ser banda no sol ou na tempestade. PAR: a arte de somar, sem borrar, afeto, cumplicidade, amizade. GRAÇA: uma sopa das quatro palavras.

A água mais quente

Era uma roda de amar muito maior que a beira, uma ciranda de dois em pouso de doce cheio. Era uma renda bordada entre nós de um rio em leito inteiro. Era uma flor trançada entre dedos, um mar de corpo e sossego, uma graça de alegria cúmplice embolada entre os cabelos. Um deságue exagerado... Continuar Lendo →

Sem parar

Para derramar: não adoecer de fluxos ao meio. Para ensolarar: viver o que inunda inteiro. Para ser: despir do peito areia. Para amar: o mergulho ao que leva ao verdadeiro.

Latitude

Eram dois passos de distância entre a verdade e a incoerência. Um ponto ao centro em mapa escorregadio guiava o movimento de olhos fechados. Era o tato, um feeling sutil, uma brisa de sentimento bussolando o movimento. Ao final, tinha tudo e não tinha nada. Nem marca de quimera, nem toque de angelical asa. Havia... Continuar Lendo →

Longitude

Afasta-te pé ante pé dos desvarios das margens, por onde escorrem as falas displicentes dos sentidos e infiltram limos de indiferenças. Escorra pelo profundo dos sentidos o mergulho despido em entrega e verdade. Liberdade. Ser a pele do contato dissolvida em água.

De metáfora e melodia 05

A gente é como um instrumento. Desafina, afina, ganha uns arranhados, tem o poder de um som cheio, desafia quem manuseia, precisa de cuidado... A gente é só instrumento, e somos apenas som em possibilidade. A gente muda, e muito, na variação rítmica do tempo da vida. O repertório muda. As durações mudam. Os exercícios... Continuar Lendo →

Do instante feminino

Tinha um pulso de tormenta dobrada no trilho do tempo andado. Uma força tremenda, em renda vazava os quereres de um peito que não se rende, deságua e segue pelos passos dados entre o medo e a coragem. Eram os olhos de colheita arredondados, contendo todos os elementos em um universo. Era um só feminino,... Continuar Lendo →

A liberdade do pulso

Eram três tempos o necessário. Se abrir. Sentir. Renascer. Eram três passos de contato. Semear. Cultivar. Colher. Era uma só vida no pulso. Ser. Para tudo que limita: lavar, desfazer.

A sororidade não passageira

Tinha os olhos inundados de uma vontade, as mãos em gesto de tentá-la, alguns calos no peito, alguns nós na garganta, um furacão de sonhos em novelo buscando um tecido como colchão. Se virava ao avesso, ousava piruetas, tecia a beleza de ser onda cheia apesar de toda sua inexatidão. Me pôs parada, quebrada, a... Continuar Lendo →

A gota

Havia um peso nos olhos difícil de escapar. E o olhar distante, perdido, perseguia sem ver o que lhe custava a leveza. Naquela manhã, frente ao espelho, escova, gilete, sabonete, deixados de escanteio, ficou ele por minutos encarando a si mesmo. - Eu errei com você. E o peso das escolhas passadas, displicentes aos traços... Continuar Lendo →

Desdobra

- Vê, meu filho, como esse mar transborda. O menino pequeno, com os olhos atentos, roçando o pé na areia, com algum estranhamento: - Tem borda? - Só olha. - Ó a gaivota! Ela entre a brisa e o peito doendo: - Você vai crescer e ter que ensinar um dia seu filho a ver.... Continuar Lendo →

Decifra-te

- Leve suas sementes por toda a travessia. No percurso aprenda sobre o processo delas. Atravesse o vale dos medos errantes. Seja tolerante as suas quedas. Prossiga. Ao norte de teu sentido, encontrará solo fértil. Então plante. - disse-lhe a esfinge ao invés de "decifra-me". Ela ouviu sentindo o calo das dúvidas apertarem a garganta.... Continuar Lendo →

Da grande miudeza

Das pequenas coisas com a singeleza do inquebrável: o ser por inteiro. Quando tudo a volta é mar de onda em quebra, a beleza está em chegar íntegro na areia.

Na pauta da vida

Disciplina é rítmo. Respeito, ao andamento. Tensões pedem o retorno à base. Transpor é adaptabilidade. Simples, e nada simples, a música da vida: inesgotáveis matemáticas.

(Des) Proporções

Era pequena demais, miúda. No turbilhão das coisas fermentadas, a moça. Pequena dobra de gentileza da pétala pendida ao tempo, única. Era doce demais aos bárbaros, grossa demais as brisas, era qualquer coisa na desmedida, entre o não ser escorregadio quase invisível. E era forte demais que simples, graúda. Apesar do tudo isso.

Cala por calo

A tal dessa verdade ( o tao dessa liberdade) vem a galope, faz seu rasante. Pobre desses inexatos roncantes desses personagens em suas não integridades desconcertantes, feito crianças ásperas de poucas nuances, não sabem o quanto a verdade se faz gritante. Cala-te quando não sabe que a fala te é errante que torna-te pequeno frente... Continuar Lendo →

Quem sabe…

Quem sabe na próxima borda a busca se desdobre da trança das faltas. Quem sabe logo ali no adiante o peito se recorde do que soma para fora da curva da sombra que não doma. Quem sabe um renascer recorde. Quem sabe um laço encontre. Quem sabe o cheio se comporte. Quem sabe os sonhos... Continuar Lendo →

Dis-sonhos-sãos

A gente sonha um tanto de coisas no peito que deita fora a curva da noite e destece o que não somos. A gente gesta os sonhos que deitam a curva do dia de ser quem somos.

Do outro

Ele não sabe o que fala. Ele não sabe o que cala. Ele sabe e não arde enquanto arde e não sabe o que não sou que não cabe o que sou que não me sabe, enquanto eu quanto a ele sei nada, não me cabe, não me falo e não me calo na densidade... Continuar Lendo →

A dança

No centro da paz dança o movimento. Todo o caos a volta se rende ao centro, a liberdade do ondular em fragmentos o que se desconstrói e se reconstrói dentro.

Sabotagem PARAPARAPÁ

Por vezes as relações com as quais mais nos importamos, ou as realizações que mais buscamos, são exatamente as que mais sabotamos. Mas por que sabotamos? Não acordamos naquele dia decididos ao dar uma boa espreguiçada, dizendo "bom dia, dia incrível para eu me sabotar"! Mas verdade seja dita, todo dia é mesmo um dia... Continuar Lendo →

A roda do mar sem beira

Quando aceitamos quem não veio e aceitamos quem se foi, aceitamos o passo da dança e seus novos começos. Quando aceitamos o que se fez e aceitamos o que se deixou deixamos de lado a dança para ser fora da dor. Quando aceitamos o não dito e aceitamos o que se vivenciou, saltamos para fora... Continuar Lendo →

Eu, você e nossas sombras

A gente foi ensinado a não ver nossas sombras. Não. Nós não fomos ensinados a observar nossas sombras reconhecendo nosso poder de escolha quanto a elas. Na maior parte das vezes, tivemos aprendizados distorcidos, sem nenhuma aceitação dos dois lados. E ficamos cheios de expectativas sobre as não-sombras que gostaríamos de caminhar ao lado. Por... Continuar Lendo →

É só um prato de afeto

Em um dia corrido de atendimentos, saio rápido na rua. Sou abordada por dois meninos vendendo bala, digo: não, obrigada. Um passo a frente, me ressoa pelas costas um grito: - É só um prato de comida! Foi um dia incrível de pessoas de diversas idades trazendo aprendizados sobre suas dores emocionais, sobre suas carências,... Continuar Lendo →

O mundo não para e nós não vamos descer

- Que semana louca a que eu tive, todo mundo parecia estar me atropelando. A queixa é rotineira em pessoas e histórias diferentes. Por vezes nos sentimos verdadeiras formigas no planeta dos dragões. Sentimos tudo de mais pesado: medo, dúvida, culpa... E desatentos, não percebemos o enorme poder que estamos dando aos outros e as... Continuar Lendo →

Para quebrar padrões culturais afetivos

- Cris, pra que eu vou ficar com o foco em alguém que está com o foco em outra pessoa? Abriu a pergunta ela, enquanto ainda nem terminava de se sentar no futon para a psicoterapia. Seguiu falando de suas conclusões e escolhas usando como referência a palavra reciprocidade, e estava, pela primeira vez, conseguindo... Continuar Lendo →

O mundo é fantástico, Alice

Alice, senta aqui, bem embaixo dessa árvore, vou te contar uma história. Mas fique atenta, Alice, mantenha bem aberto os olhos. Sem rota de fuga, sem que o veja como um labirinto sem fundo, o mundo é sua escola, Alice. Não precisa ser gigante quando se sente pequena, não precisa se apequenar quando se sente... Continuar Lendo →

Do dito popular – coisas da velha

A velha avó gostava muito de provérbios. Vez por outra desenferrujava um da manga para algum ensinamento. Lembro do olhar de lado, por entre as lentes de um óculos que encobriam uma cegueira de alguém que resiste vendo. - Antes um pássaro na mão do que dois voando. Lembro de me deixar perder pela imagem... Continuar Lendo →

Doze casas na terra

Agora dia 06 de abril viram meus ponteiros etários, e como algo clássico, desde 06 de março a bagunça começou. Como alguém que passou por formação em astrologia, não posso propagar o mito do inferno astral como algo que nos faz vitimados. Fato é, em astrologuês, quando nascemos, uma fotografia é tirada do céu e... Continuar Lendo →

Nós que aqui ficamos, por nós nos transformamos.

A vida é um cadência de saltos, sobressaltos, reposicionamentos. Respiro longo e breve, suspiro profundo do agora. Uma sucessão finita de portas e janelas, que escolhemos quais abrir, quais que se fecham, por quais entramos. Logo ali, por garantia única de quem vive, o silêncio cardíaco que nos encerra e leva à balança, o que... Continuar Lendo →

No amor não se perde

Da época que trabalhei em CTI, entre os casos que mais me marcaram foi o de uma paciente, que vou aqui renomear com o apelido de Jasmim, e de seu marido, também aqui com nome fictício, Lírio. Conheci Jasmim em uma internação dolorosa, tinha um tumor em região inoperável da cabeça, que havia sido diagnosticado... Continuar Lendo →

No Coração do Bloco

Tem gente que diz: nossa, que legal, você toca em bloco! Tem gente que diz: caramba, como você consegue tocar em bloco? Tem gente que diz com os olhos, gostaria também. Tem gente que faz cara de paisagem, mas com o olhar declara suas críticas célebres. E tem gente que se despudora mesmo e fala... Continuar Lendo →

Minha jangada vai sair

Todo ano sai uma jangada ao mar. Doze meses de percurso saindo de quem se está, sem se saber a quem se chegará. O que se tem como guia, cabe a cada um sua escolha. Pode tudo... só não se pode ir vestido de desesperança. E quem souber se escutar, terá céu e mar. Todo... Continuar Lendo →

Esse fio amarelo-rosa

Um dia é um amigo que te espera no sinal. Outro dia é você quem espera um amigo na praça. Um dia é um amigo que te acorda de um passo desalinhado. Outro dia é você quem guarda com os olhos um amigo em seus passos. E é tanta gente que passa, tanta gente à... Continuar Lendo →

Por velhas e novas prosas, chama, amigo

Amigos são partes incalculáveis, que chegam de onde menos se espera, espelham, ensinam, questionam e movimentam a gente a rever e se reaver... de quem somos, como somos. Dizem por aí que amigos são a família que escolhemos ter. Sim, a gente escolhe, temos lá nosso poder da peneira. Mas para mim, amigos acontecem. Não... Continuar Lendo →

Por ser leal à lealdade, o universo interno

Sofro, na brincadeira do verbo, de uma lealdade incurável e irrefreável. E por ela, e dentro dela me reconheço e me reintegro, muito embora, por ela, e dentro dela, já tenha por ímpeto entrado em longas batalhas. Certa vez, há anos atrás, me disse o mestre: - Sua lealdade jamais te trairá. Sei, ressoa meio... Continuar Lendo →

“Life is like a box of chocolates”

A gente se surpreende. Temos a cabeça cheia de referências, filtros, belezas e impurezas. Mas não sabemos nada, nada absolutamente do que vai dentro de cada pessoa com quem lidamos. Achamos, achamos muito, feito criança pulante no banco de trás, com a pergunta: está chegando? Junto a um monte de querências. Assim erramos. Nossa, como... Continuar Lendo →

Para não se arrepender (depois)

Havia uma mosca pousada sobre a borda da testa dele. Tirava do sossego os pensamentos que circulavam entre as vitórias e as derrotas que poderiam ser dele, enquanto suava sob as sombrancelhas, na opressão dos olhos do medo de quem não sabia se pôr por inteiro a tentar. Havia uma mosca rastreando as insônias dele,... Continuar Lendo →

O resgate da fé feminista

Eu sou feminista, nasci feminista. Não tive uma formação de base feminista, muito pelo contrário. E talvez essa contramão de base, tenha sido o melhor exercício para que esse meu feminismo de alma se revelasse. Paguei, e pago, os preços caros, de ser mulher em uma cultura ainda bastante machista, e de ter essa tendência... Continuar Lendo →

Por uma ética emocional nas relações

Existem muitos textos atuais, questionadores e incríveis, falando de superficialidade nas relações nos tempos atuais. Não vou chover no molhado, mas vou propor uma entrelinha com outra linha de costura. A palavra ética é sempre tentadora, escorregadia, circular. Da época  em que trabalhava em saúde, por mais árduo que fosse o debate, menos incerto do... Continuar Lendo →

De metáfora e melodia 4

Tudo passa:a embarcação que chega, a embarcação que vai, o passo do passo a passo, a dança da ondulação no tempo exato e refaz a graça do compasso.

Depois do que éramos, o que somos

Eu era uma criança rueira, puxava papo pela rua, vivia pendurada na janela do quarto da avó que dava para o pátio da escola, querendo estar 24 horas brincando por ali. Eu era uma criança musical, cantarolante, que achava ser possível curar a tristeza do outro fazendo carinho enquanto cantava. Virei uma adolescente rueira, que... Continuar Lendo →

Dos erros aos reacertos 

Existem erros que a gente comete, que ao serem percebidos por nós mesmos, nos custam um peso de caminhar sem saber como se perdoar. A vida é feita de erros e tropeços, e tudo isso faz parte, mas todo mundo tem lá aquele seu pacotinho de erros difíceis de conseguir se perdoar. Se dá algumas... Continuar Lendo →

À Vida

Ser humano adora meios. Não ter medo dos fins tampouco dos inícios é que faz a gente ser por inteiro.

Quinto Compasso

Natural quetendo devolvido a bossa, a vida devolvesse o mar, tendo reintegre as notas, reintegrasse sol e modular no cais do compasso náutico onde o horizonte transpõe acordes do acordar.

Sem pauta de acaso

- Sorte a minha, azar o teu - pensava ela. Redigiu: azar meu, sorte a sua eu mudar a órbita da linha, da rara costura, da plácida verdade que derramava. - Não, sem lágrima derramada - murmurou entre o lápis e a borracha rasgando o papel. Respirou fundo, fechou o caderno empurrando de lado. O... Continuar Lendo →

Quens em Quando

Quem enquadra não escuta. Quem muito acha, entende pouco. Quens em quando alguém julga por ótica quadrada o que a lente enxuga. Quem supõe não toca e quem não toca não sente. Quens em quando alguém se amarra à borda e a mágica do aprendiz não enche o copo. Quem muito esvazia, tole. Quem só... Continuar Lendo →

No sopro do carinho

A força é da singeleza do cuidar,  brutalmente delicada, se estende quem é, rega o outro como está. A força, tamanha, nada frágil de ressoar no gesto uma mesma verdade: amar é flor de variadas pétalas que por onde sua textura tange uma orquestra inteira se curva a tocar.

Sou Legal – Não Estou Te Dando Mole

A frase é incrível, tem um milhão de versões, escolhi essa imagem, para falar do que é chato, que todo mundo passa, que ao mesmo tempo que faz parte, não, não faz parte. Quem paquera sabe quando é paquerado. Sabe a diferença da energia, do olhar, do gesto, de alguma pista quando há reciprocidade. A... Continuar Lendo →

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