Mini Crônica do Real 1

Eram dois fortes competidores. Um se engrandecia de suas dores. Outro se engrandecia de sua falta de dores. Disputavam em linha tênue revezada. Um forte demais por fraco. Outro fraco demais por forte. Veio uma forte tempestade. Enquanto os dois desmanchavam-se em poças lado a lado, passou um terceiro levando a frente algo que não... Continuar Lendo →

De Água Doce

No largo lagodo fundo peitogotejauma esperançade mansa mansidão. Gaga pulsaçãoem eco nadapela longa águade fonte na comunhão. O que é doce não seca.O que é de água segue.

Centrípeta

A graça é o ponto de encontro onde velho e novo não desbotam. Uma linha que costura o sonho com o possível. Uma força que realinha o fazer sentido. Uma onda bem no meio do horizonte da vida.

Desvalores

De vidro, porcelana, plásticoo vazio frio do pratocom caldo ácido de palavraricocheteia na fomede cesta básica do respeito.Um feijão, dois feijões, três feijõesna pressão, no gatilho do garfo,multiplicados no ronco do estômago,subtraídos a conta-gotascomo caça níquel devorando a vida.

La Vangoghcela Pandêmica

A crônica falta de poética espicha a mente que não pisca. Ser humano redescobriu o inseguro. Nada serve de prédio, carro, geladeira, rococó, praia, avião, saideira. Rápido retoma ao pó, a vida seca e lhe escapa. Ou por onde cisma, deixa marca. Mas ser humano enche as fantasias de desumanidade, bate pé mimado, veste sunga,... Continuar Lendo →

Declaratório em Miudezas 3

A forma dentro da formaou fora, desentortao embotamento da tez,se liberta, se recria, se abre a nova,pinta o respiro, planta brisa, anunciaem reflexo do sol entre as sombracelhas:o possível melhor no por vir. Abrir os olhos, dar-se a chance,deitar horizonte ao sentir.

NUDES DESPOP

Na face retorcida da esfinge que me habita uma princesa de sujas botas comemora todas as saídas de partida. Os cachos descabelados no espelho vermelho do lago da vida brinda a mulher de laço sem fita. Mundo, mundo, quem estará ao passo? E a quem na curva da estrada desponte: ⁃ Alto lá, venha apenas... Continuar Lendo →

Colírio

Quem não pode ver o feioe romantiza onde não cabe o belo,na acidez que a vista não revelaem eco se faz cego ego ego. Quem não pode ver a pedratropeça, não pole o que a vida pede,se repete se repete se repete. Deixa morrer o que não te quer inteiro,olha a pedra, olha o feio,olha... Continuar Lendo →

A Roda da Água e do Fogo

Para quem muito ou pouco aposta,a boa aposta é onde nunca apostou.Para quem rema sem fio o horizontea ilha é ponte, respirador.Para quem calejou de dorde aposta no vaziode meta sem lançade sonho no nubladoo abraço é o lugar mais macio.

Declaratorio em Miudezas 2

DECLARATÓRIO EM MIUDEZAS 2(crisebecken.com) Do lado de dentroos tamanhos reagrupampelas proporções da cura:nem um litro de venenovence uma grama de sinceridade,nem todas as espadasliquidam a verdade;todas as vezes que feriramquem seguiu em si ganhou a luta,cego é o covarde quea própria sombra na luz oculta,em paz o coração é asapara quem trilha como formiga. O... Continuar Lendo →

Da Vincela

Ao natural, sinuosamenterepletas de desejos, texturas,sabores, pêlose costelas(jamais feita de uma delas),tão unicamenteespaço própriode escolhas, cultivos, germinânciasdos quereres expressos ou a manifesto,tão completas.

Declaratório em Miudezas 1

No bico do sabiá, vento alto cruza o mar,chega à asa do bem-te-vi, vira salto amador,escorre em chuva pelas folhaspenetra a noite na terra,rompe em germinação dos quereresse abre pétala a pétalano sonho do beija-flor.

Receitas SOS 1

Se por lonjura de tempoa palavra é silenciada,logo se torna surda a percepção.Se por distração da distânciaos olhos cansam de procurar a mensagem,logo o inverno cala as pontes do tato.Então pega cada sentimento entaladoe cuida para que não se tornem pedra,coloque no verão dos expressos;se preciso for: gargareje o coração com canela.

Linhas Semitons 2

Nem toda areia cega o que é real sem depender da assinatura dos olhos, nem todo olho areia o que água pela força de ser em si. A força está para o sentimento assim como a copa está para a raiz.

No Natural

Desmancha a franja do céu sobre a grama,a folha do outono no inverno,o pincel do tempo nos tecidos.A musculatura flácida na terraacha veia de água incansável,descongela o coração adormecido por primavera.Ao natural tudo é mais poeticável.

Vráaa

Um filete de rio ácido escorria adoecendo as margens do entre-tato do entre-ser da epiderme com o mundo. A pele feito pétala escaldada no deserto se esquecia do que era, desbotava como nuvem. Mas... Moinhos de palavras e atos infecundam quando lutam contra a graça e a coragem, e infortúnios não perduram onde o pólen... Continuar Lendo →

Fractal

Repara que no respiro entre a noite e o dia no fechar e abrir da piscadela um rastro de universo se revela uma vida se recria. Pequena gota de orvalho deslizando na tez da manhã com um propósito a escorrer na vazia pauta tecelã, sou eu, é você. Sábio é ver com o sentido o... Continuar Lendo →

Quem mata a mata, queimada

A mata que incendeia o descaso, o violar da cadeia, a fumaça, o pesaroso alastro de uma ganância parasitária do sorver sem corresponder a fertilidade da água do subtrair sem respeito a pluralidade da terra. A mata violada pela ganância a fumaça pesarosa da preponderância o alastro do sorver da terra por subtrair no descaso... Continuar Lendo →

Passa-Ninho

Liberdade é casaonde o cantovoa alto no carinho.Ninho é onde o coraçãocasa com o assobio da vida.Lá no alto da florestaou no meio da cidadepassarinho é quem se constróicom sinceridade.

Esperança

Com um olho aberto, outro fechado, meia a luz, meia a sombra, entre o seco e a umidade as raízes bem plantadas, sem sequer a noite esquecer seu nome: reina a jovem Esperança. Ao ressoar de trovões e tempestades e com envergadura ter de dançá-los, ou ao queimarem áridas as destemperanças que o vento carrega... Continuar Lendo →

Canalha bom é o assumido

CANALHA BOM É O ASSUMIDO( crônica da série: Entre Homens e Mulheres) Em 1920, canalhice, aquela malandragem, aquele sabor machista, era aspecto de perfil dissimulado, sorrateiro. Através dele, o narcisismo frágil, o petisco quase sociopático de gerar engano como forma de conquistar e se nutrir, para depois se vangloriar da soberania do uso e do... Continuar Lendo →

CONTOTERAPIA – Ana Anda

Ana por muito tempo foi uma pequenina planta andante. Com as formas incertas, um aspecto de coisa pelo caminho. Porque não se achava em si mesma, perambulava procurando seu canto. Muitos que lhe passaram tentaram dar-lhe nome, caracterizar, prever infortúnios ou floradas. Mas nada daquilo lhe resolvia, tampouco alegrava. Por vezes sentou-se em pedra em... Continuar Lendo →

CONTOTERAPIA – Zé

Zé tinha a força do sol correndo nas veias. Movia-se indiscriminadamente como os ventos, sem freio. Vivia sempre a beira do incêndio. Na cabeça o fazer. Fazer fazer fazer. No ritmo do atropelo, como um vôo cego sem pausas, atravessava noites e dias, semanas, meses, anos, sem pouso em si. Sem pouso em si mesmo,... Continuar Lendo →

Conexões Comunicantes

(crônica da semana com cartoon. crisebecken.com) Julieta partiu em navio, Romeu em foguete. Nessa versão contemporânea o veneno foi tomar distância. Mas a questão era que essa distância se quebrava em nada quando um do mar, outro do céu se lembravam mutuamente ao olhar uma estrela. No coração dela, a cara de Romeu. No coração... Continuar Lendo →

Mansamente

Mar de céu A angular terra Navega leve Sobre sonhos quentes Invertendo sombra em semente Devolve a graça Alegra Oceano de ser ao coração ... m a n s i d ã o . . .

Café ao Mar

Um par de botas cansadas que desgaste completamente o solado até os pés ganharem a textura da areia e despidos possam dançar na borda de espuma que mareia. Melhor que bem calçado é bem amado. Melhor que a resistência aos desertos, a graça pareada de seguir pelas águas. O só por mais que estruturado não... Continuar Lendo →

Hibisco em Aquarela

Azulava o dia como borda de pétala orvalhado de renascimento, tamanha chuva e tempestade trepidada sobre a textura do casulo da lagarta, como mantinha pendurada o sopro de nova realidade? A força brutalmente delicada enovelara na minúcia da paciência resistiu a cada tempo em sinuosidade Abrir mão de velhas estruturas do rastejo lento, tornar-se nua.... Continuar Lendo →

Imperfeição

Carambolas estreladas, sinos, perfeições, no para sempre garantido de era uma vez inventado algum perdura ao coração. Bom é o que toca em verdade, o equilibrismo das imperfeições, o contato, a coragem de dois que sustentam a dança por ser ali onde mora a vontade (e a verdade). O sol nasce na janela da aorta... Continuar Lendo →

Para Curar

Perdão é um pote de remédiopara uso prolongado,nada de gotas, colheradas.Digestivo. Alcalinizante.Laxativo. Calmante.Serve para tudo,sem efeito colateral.Camomila na ferida mais profunda.Arnica para o coração.Uma plantação de novas sementes na mente,a curar a leitura enviesada.Rico assim, é filho de duas rimas simples,mas nada pobres:aceitaçãogratidão.

TUI – ContoTerapia

TUI - ContoTerapia(crisebecken.com) Tui tinha um fio de alegria que sempre lhe escapava no bordado. Brigava com os dedos, se punha por vezes muito chateada quando o ponto enrolava, entortava, ficava com um jeito de desassossego. A moça queria tudo com excelente arremate, e por conta disso, o fio da alegria lhe escapava. Bateu um... Continuar Lendo →

Versos de Isolamento – 2

Areia e vento na aspereza da matéria,pulsando a aorta, roçando a pele.Feito semente nas transições da terra:do difícil a beleza brota,por caminhos invisíveis a água jorra.Entre o quente e o frioa existência nada morna.Feito cacto no deserto que ainda assim floresce,segue acesa a chama:a minha, a tua, a nossa.

TAI – contoterapia

Tai tinha os olhos tão redondos quanto o coração. Na nuca um apinhado de nós deixados por passagens alheias. Uma tia dizia: garota ingênua. Talvez Tai tivesse mesmo uma resistência a perder as ingenuidades, ou aquele fosse o jeito da moça de não se embaralhar com as sombras do mundo. Tai era como uma gota... Continuar Lendo →

Primeira Pessoa

Escrever em primeira pessoa, ou fixa nela, é algo que não faço há muito tempo. Não por seguir regra, não sou tão obediente quanto pareço. Aliás, a pessoa que melhor me definiu disse certa vez: sua desobediência sempre revelou sua lealdade ao sentido. Então, voltando, mesmo sendo pessoalmente circular e prolixa, resolvi hoje desobedecer o... Continuar Lendo →

Reflexões virais 1

Diz o dito que o pior cego é o que não quer enxergar. Pior é o que não quer escutar, porque fecha os olhos como quem encerra as pontes, e caminha com pés emborrachados displicente as alterações do solo. Alheio a realidade do tempo, o cego que porque não escuta não sente, seca ao ar... Continuar Lendo →

Pequenas epifanias em acordes 4

Pequenos solossolados descalçosfazem que o mundo se apequenee um turbilhão se calepara que um outro mundo se agiganteonde o sentir fale.Quem toca sabeo que tocaou desfoca pelos calos?E quem é tocado sabecomo dançar a pautaou se perde entre as notas caladas?Ruidezas diminutas não cabem,é a luz melodiosa que integratocador e tocado.

Essência

Pano algum cobreo que dá tatoao que significa a vida.Dor alguma encobreo amor impresso na pele.Quando o frio descostura laçosainda há memória e célula.Rico é ser sol nascentena morada do outroque enluarado bordao renascimento da matéria.

Na distância de um abraço

Conta o dito que há males que vem para o bem, não sabemos. Há o que se ache certo demais e se prova errado. E há o contrário. O que o pensamento metrifica, o sentir cala. Abre um mutismo pálido pela invasão do ácido na beleza subvertida. Explicações, poderiam tantas, e tamanhas, pela garganta que... Continuar Lendo →

Do que deserta

Lançou-se à água em tiro insensato de quem quer ir de uma borda à outra no mais rápido traço e desconsidera que no meio do trajeto quando não há garantias a mente libera tubarões e baleias contra si mesmo. Turvo de espuma e medo no redemoinho escuro do peito brigava com a água.   Ah,... Continuar Lendo →

Sem tato

Acontece da sombra de quem se amou acordar com os pés enroscados, sentar no sofá de manhã, tecer uma prosa silenciosa entre goles de café. Não era para acontecer, mas acontece. Entra por brechas, por rastros, por lacunas não preenchidas de alguma falta de verdade, alguma incoerência nada modesta, ou mesmo de uma mentira muito... Continuar Lendo →

Do essencial

Tecituras de areia são beiras de espuma: desmancham, se rearrumam. Onde começa e como findam, muito pouco interessa. De água é o que penetra e fecunda desmargeando na nudez da vida. Interessa então o que esparrama, que por engrandecer é livre, par de asas assincopado na escritura uníssona que costura o existir entre o céu... Continuar Lendo →

Pequenas epifanias em acordes 2

Derrama nota a nota no paralelo das cordas os acordes que acordam o arco entre o sentido e o toque a transpor a uma vibração maior o que harmoniza e retonaliza a vida. Viver é uma canção.

O canto do vale

Resguardado em um vale de acesso difícil, corria um rio conhecido nos povoados a volta, por revelar-se uma mulher d´água. Contavam as pessoas debruçadas das janelas, que sem calendário ou estação exatos, assim como de presente, de inesperado, acontecia da mulher se erguer modelada da água quando o rio cantava uma canção. Linda, doce, gentil,... Continuar Lendo →

Leito de entrega

O que enche se esvazia, o que se esvazia se recria. Nenhum calço de paralelepípedo toca a magia de viver como um rio. Nenhum molde de domínio cerca ou seca a força do canto em realinho. Aos desvios, a entrega a dança com o universo. À mutação um brinde de estrelas entre os pés e... Continuar Lendo →

Abundamentos

A simplicidade que margeia vem da rega inesgotável polindo pedra, adoçando o leito. A existência, como rio, é um canto de infinitas vozes. Entre ser peixe e ser passarinho, escolho ser árvore na floresta.

De mato verso e prosa

Entre cheiro de mato e gabriela, água doce e pés na terra, um céu estrelado transborda a renda das árvores feito bebida que o peito esquenta.

Um

Seja como for Entre a luz e a sombra Navegamos no Tempo do Integrar em Reencontro.

Inteirezas

O nu de si é mar. Ondulação de sal e tempo guiada pelos braços do sentimento. Sol que aquece o horizonte não mareia, abraça o abraço da existência. Em ritmo, tudo que aprofunda desmargeia, o ego fica em vestes na areia enquanto o ser renasce sem fronteiras.

A vida é um rabisco

Sem borracha nem régua, dura a largura e altura de uma página, onde cada um preenche ao seu próprio passo e compasso. A cada traço, uma porta nova se abre, quem sabe para uma curva, quem sabe para uma melhor definição do desenhado. Uma folha, não uma tela. Não irá para exposição, não participará de... Continuar Lendo →

A Força

Um pouco de toda coisa, uma parte em partes encaixada como todo e uma gota de sol a escorrer pelo corpo: uma irrealidade real demais afixa, mutável, em metamorfoses maleáveis, malabarismo de cor sem som, onda de som sem cor: constante em parto, parte, bifurca, aprofunda, reintegra e torna a nascer, e torna a morrer... Continuar Lendo →

Do yin, o pulso

Quem te ensinou que o afeto se expressa pelas formas brutas, te fez deserto. Não vá por aí semeando cacto, contando que flor se abra. Não cobre boas regas quando o que cultiva é força sobre o outro. Não fale de jardim se é abusivo com a terra. Ignora que a natureza se restaura em... Continuar Lendo →

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