Entre o sofá e a poltrona 1

Chegou na hora marcada, pela porta aberta ao toque dirigiu os passos ao sofá. Mal sentou o outro na poltrona, sem tempo de perguntar-lhe como foi a semana, e a boca jorrou:

– Saquei! Saquei tudo! Bem que você me dizia para enfrentar minha insegurança! Agora há pouco, no caminho, vi dois velhinhos no metrô. Os dois nas cadeiras exclusivas. Ele passava os dedos no ombro dela. Ela falava sorrindo. Parei para escutar. Falavam de testamento, diziam uns nomes que achei ser dos filhos, não sei.

Frente aos olhos que mesclavam tristeza e euforia, do outro lado veio a pergunta:

– E o que você retirou disso?

– Limites a gente vai sentir a vida toda, né não? Eles ali pensavam na morte, tem coisa pior que isso? Mas estavam felizes, me pareceu que estavam orgulhosos falando do testamento. E eu senti carinho. Isso é coisa de quem soube encarar a vida, né?

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