Das urgências de um TRIIIM

Alô. Amiga? Por deuses, ai, você atendeu! Não, não, tá tudo bem. Quero dizer, melhor! Ai, chego a estar tonta. Precisava te contar… péra, quieta, deixa eu falar, caramba! Bem que vocês andaram me falando… eu sei, cada uma com um jeitinho… eu sei, eita, já disse, não levei nada a mal… eu quero agradecer, mas pra agradecer eu tenho que contar! Ouve, cacete. Eu-en-ten-di-tu-dooo! Ouviu? Ouviu bem? Não tá entendendo? Como assim? Pára. Ó, aguenta, não sei não ser prolixa, agora então, muita coisa, ouve, ouve, ouve! Não andaram me falando que eu tava muito dura? Que eu tava dura de um jeito que nem parecia eu? E que essa dureza já não tava nem me protegendo e só me fazendo mal? Então. Escutei. Avaliei, avaliei, avaliei… e pensei, você me conhece. E resolvi enfrentar tudo. Um exercício, aff, lou-co de desendurecer, de garimpar os valores das coisas, de não deixar poeirinha grudada no coração. Quase me matei de tanto esbofetiar essas esquisitices. Vixe, tive que desenterrar umas coragens! Tá, tá… eu sei que você já tá a par de umas notícias, mas prestenção, olha só isso. Não é que voltei a perceber a poesia das nuances? E fui amolecendo? E nada mais me paraliza? Verdade! Euzinha, a desmedida, aqui! Ai… eu não lembrava como é bom, putz! Mas calma, tem mais. A melhor parte. Acabei de descobrir. Poxa… hoje voltei pra casa do trabalho com, hummm, uma vontade de cafofo, sabe? É, de ficar aconchegadinha em silêncio. Não, não, não era uma vontade de caverna. Foi uma paz doce, não sei explicar direito, é sentindo. Então, tomei um banho, deixei um café fazendo… caramba, deixa eu contar tim tim por tim tim pra você sentir… Então, não tava assim pra gasto de neurônio, mas, poxa, precisava fazer umas coisas no computador, e lembrei de uma foto. É, uma foto. Não, de ninguém. Bom, de flor essa tal foto, tudo bem, que fica guardada com uma penca de outras numas pastas… é, nas que eu não abria, aquelas mesmas. Pois é, até respirei fundo, um certo medo de desandar toda essa trabalheira de desendurecer. E sabe o que aconteceu? Beleza! Não! Não, porra, que nada! Beleza assim, beleza beleza mesmo. Bateu um entender tudo, juro! Paz, uma paz que meu deus do céu! Paz de ver aquela beleza. E paz de reconhecer uma dor estampada ali que não tem mais aqui, acredita?! A beleza tava em todas as partes de beleza, linda ao absurdo. E a dor tava ali marcando as fases de dor, clarinha. E não era só minha, eu fui capaz de ver! Tem umas até que as duas estão juntas, a beleza e a dor. Ai meu santo, o que cada um inventa de se perder numas escolhas… E as metamorfoses? Fiquei per-ple-xa! Eita… fiquei ali com os olhos grudados, os dedos indo de data em data, uma coisa me tomando. Já disse pra você, nada, nadica de vontade de viagem no tempo, tá doida? Foi assim uma coisa, sei lá, uma liberação, que aconteceu acontecendo. Quando me toquei já tava falando pra tela: como não vi isso, eu fiz o meu melhor, o que podia, o que tinha, e não fui só eu! Claro, cada um com seu cada um… mas, entende, uma leveza bizarra. Bi-za-rro! E de repente um desejar bem. E de repente um me identificar com o que tinha de bonito em mim. É, em mim, isso, eu acessei! Eu consegui! É, sem peso, sério, sem peso algum, até eu procurei o peso em mim e fiquei besta não achando. Não, não tem nada doendo, tô chorando de alegria mesmo, uma alegria imensa! Poxa erramos tanto por aí… tem erro que não tem jeito, divide águas, verdade… mas poxa, não é pedra, dor é dor, mas não apaga beleza, e eu quero mais é ter o sossego de não ser pedra também na história de ninguém. Poxa, eu entendi, não tem nada de apocalíptico, nem estratosférico, nem de burrice por ingenuidade, tá, cármico eu continuo achando, mas bonito. Sabe por quê? Eu entendi… eu sou sentimento, tá ouvindo? Sentimento! Sentimento sentimento sentimento, puro! O sentimento é o que me leva, que me move, que me dá sentido. É, isso que eu tava deixando duro! Ai, não inventa de chorar junto agora comigo que aí eu não vou conseguir terminar de falar e vou querer sair dando abraço e a gente tá no telefone. Eu precisava compartilhar, e agradecer, puta que pariu, mil vezes, porque se não fosse o carinho de vocês… puta que pariu… eu vou saber ser feliz nos caminhos que escolher, agora eu realmente acredito…

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