“contratos feitos com o tempo”

Eu sei, você não se deslocou até aqui para sentar na minha frente e ouvir o velho blablablá de todo o sempre lançado por qualquer boca. Eu sei, eu sei, não precisa me olhar com esses olhos de mistério, nem estufar o peito como se tivesse prestes a receber uma notícia mortal, ah!, nem esse sorriso guardado como se não pudesse ser visto. Respira, faz favor. É longo. Editar?! Mas é coisa séria sobre tempo! Como eu vou picotar o próprio tempo? Tá, tá. Não é qualquer um que entende minha língua. Tá, não precisa ter introdução, escolhi mesmo. Hã? Sim, continuo com a velha armadilha de ocultar pronomes… tudo bem, você me conhece bem. Vai continuar no joga-joga de pegadinha, ou vou direto ao ponto? Então. Eita, teimosia. Ok. Esclarecendo antes de começar, não escolho feito pescaria, também não faço tabelinha pra escolha, sim, aprendi. Feliz? Posso? Então. Sei. Eu sei que eu já me enrolei um tanto. Sei. Sei que já fui totalmente não eu, e me perdi e me achei e me perdi e me achei. Eu sei. Se pegar uma linha cronológica dão bifurcações e bifurcações minhas pelo tempo, tá, e que não teria jamais como prever os caminhos. Então, é aí aonde tá! Calma, respira. Não, eu não descacetei. Esse meu sorriso? Caramba… é um imenso sorriso, livre assim de sorrir, que tem? Vê bem, não tô aqui pra complicar, esqueceu que mudei as direções? Meu pai do céu se me deixar falar e parar com esse interrogatório de muralhas vai ver que não tem ninguém viajando. É simpleeees! Não remo contra correnteza mais, nem jogo poeira pra debaixo do tapete, nem preciso de fantasia pra respirar, nem tenho muito saco pra quem faz isso. Mas poxa, se eu não tivesse aprendido isso seria uma anta, meio óbvio que aconteceria. Por quê? Como assim por quê? Olha minha história?! Então. O tempo não é sábio, ele faz a gente ficar assim. E quer saber? De que adianta tentar controlar os ponteiros? Aonde chega quem se debate formatando e se esfalfando pra manter tudo preso nos lugares se tem sempre o tal fator imprevisibilidade? Cruzes, já sofri muito assim. De onde vem essa bizarrice de imutabilidade? E é isso que é importante. Permissividade ao que ensina o tempo! É, abri, estamos de acordo, dei a mão ao tempo sim, e você sabe bem que arco com o que banco. Entendeu agora? O sorriso é de paz, e alegria mesmo, dei de gostar das surpresas da arquitetura dos minutos, meses e anos. Prever o quê e como? Pra quê? Só ele sabe de fato aonde me levar. Esqueceu da cláusula em negrito do contrato com o tempo? Tá aqui impressa na minha testa. Lê: massinha de modelar dos encontros pela vida.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s