“veja você onde é que o barco foi desaguar”

FEMINININHA

Vê, não me chamo Maria.

Nem Amélia, nem Lira,

nem gata no cio.

Sou coisa simples,

mulher em seu pluri-oficício.

Não, não vou ficar velha.

A cada dia mais poesia.

 

O SARCASMO DA LÍNGUA

Quanto vale, seu moço, um punhado dessa especiaria?

Advérbios? Quantos pra que te leve os adjetivos?

Ah, fechado, vocábulos graves, de semânticas agudíssimas!

Vai bem seu tempero no meu substantivo…

 

O PLURAL DA LÍNGUA

Valho a pena do que escrevo. Mas não me sentencie,

não há sentença que não me livre de seguir vento na pena.

 

BOM PECADINHO

Não tem como caber, homem,

ocê no quadradrinho fotográfico

do pisca-pisca contemporâneo do msn!

A cores na minha frente,

seu verbo mescla melhor na minha saliva.

 

PISTA DE MANUSEIO – sems para com

O espaço reservado, a qualidade dos produtos,

sem alarmes e sem botão de auto-sabotagem.

Se cuidar deixando livre o sentir aquecido,

o click tem garantia. Sem custos, sem ficar desatualizado.

 

DA BIZARRICE COTIDIANA

Tem gente que pensa que gente

é bicho de pelúcia, boneca de pano sem cabeça,

e brinca de suspense-terror previsível.

Tem gente que não quer ter ao lado gente,

alguém, faz favor, tira-lhe os fantoches dos dedos?

Gente que escolhe gente de verdade é que tem autenticidade.

Como pode não-gente ter virado isso?!

 

* desatino habitual em dias estupidamente humanos…

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