Confessionário Simbólico no.2

“um pedaço de qualquer lugar”

“se branco ele for”

Passos soltos caminhados. O parque era apenas o parque, vastidão de verde, água fluindo, todo tipo de passarinho e caminho de terra para os pés. Meu velho conhecido, refúgio e canto (há aqui que se entender como convir). Mas se escolhi naquele exato dia estar ali, era ainda mais simples o motivo: fazer fotografias. Mas de quê valeria cada respiro sem essa exatidão misteriosa soprando feito folhagem ao ouvido?

Bem ali, no meio do caminho, tendo passado desapercebida as sinalizações em placas e reportagens, uma feira-exposição de orquídeas. Um corredor de tendas brancas povoado por autenticidade e cores, como filme romântico-surrealista que devora na maciez dos sentidos. E pessoas como formigas entorpecidas tragadas pela delicadeza.

Uma pequenina orquídea é capaz de conter em si o um e o todo. Elas são assim, feito micro galáxias interligadas em uma teia vasta de existência. Talvez a única verdade verdadeira seja simplesmente essa, a existência. Porque em cada uma habita uma grande e inteira verdade desde o princípio que antecede qualquer floração; e o fato de nacional, estrangeira ou híbrida não valida qualquer padrão de medida (da superfície à profundidade).

E se cada uma é assim como disse, como uma micro galáxia, pertencendo todas a uma macro galáxia, e por isso rendem em si o um e o todo desde qualquer princípio não definível… infinitas são as possibilidades de seguirem suas existências em múltiplos universos gerados pelos que as compraram. E havia ali todo tipo de gente, de curiosos à orquidófilos; outras micro galáxias, que guardam entre os dedos as possibilidades absolutamente indefiníveis…

O mais intrigante: elas simplesmente não existiram para quem não esteve ali; e para quem esteve, existiram à cada qual a uma maneira; e para quem lê agora, de outras múltiplas maneiras. Fato foi que retornei ao parque no dia seguinte, sob chuva e pés encharcados, por pura e simples necessidade de estar entre as orquídeas, e escolher uma ou outra para vir morar sob meus cuidados.

Hoje tenho orquídeas em casa e a primavera no umbigo. Amanhecemos todas na janela tomando banho de sol. Talvez em uma próxima vida eu venha borboleta. Nessa, sigo meramente como quem dá passos. Cultivum

fotos em: www.flickr.com/sophialirica

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