uma quebra e o inquebrável

Baguncinhas de vestígios de par restavam como que penduradas no sem sentido. Nunca se sabe o quanto duram ou para onde rolam os novelos de lã desbotados, como se o coração fosse uma criança desajeitada aprendendo a enrolar e a cortar a linha. Mas naquela tarde um sabor escorria diferente em seus movimentos e pedaços, como quem não mais recolhe cacos e limpa, mas acha o inquebrável e seu espaço.

Mudando fotografias e guardados, cantarolando som sem dor, em um desajeito harmônico o pulso esbarrou na xícara de café. A tinta preta deitou mesa, rolou, e espalhando alcançou a última fotografia, a fotografia retirada das que não ficariam, o par dos inícios dos desamores. Dessabores apagados no café. Ficou parada assistindo a invasão e a dissolução. Sem vestígios de estremecimentos, olhava e entendia o bom de não mais poder guardar aquilo que há instantes atrás não sabia onde colocaria.

Entre a inteireza de suas paredes, pinçou com os dedos a imagem escurecida alagada e a soltou embora com delicadeza. Olhou o espaço que restara, e por uma fração de segundos teve a impressão de que se abria como janela. O aroma de café seguiu crescendo nos sentidos: amanhecia os novos sabores. Estava livre de si em sua casa raiada.

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