L A V A N D Á R I O

Um dia um grande professor de terras longínquas te envia uma pintura: uma imagem sua, você, você mesmo, com pés de lavanda crescendo no lugar dos cabelos. Você ri um bocado. Em uma fração de segundos toda leveza e graça que te faltavam naquele momento te chegam de presente. E também chora um bocado. De redenção. De sentidos tilintando os neurônios em sinapses. É que o professor, por demais sábio, tem aulas-carta-na-manga de alquimia das emoções, e tem seu hábito brincalhão de te auscutar o coração a qualquer distância.

– Acredite.

Em outro dia, te chega por correspondência um filme. Nele várias histórias de você mesmo, em diferentes tempos e espaços. Mas em todas elas os mesmos closes de beleza, diferentes enquadres de mesmas feridas, e pés em par caminhando lado a lado. Como se tudo validasse a frase: “a alma sabe”.

– Até a mais funda dor é curável.

Tudo isso te lembra um sonho, um mesmo sonho que te fez passar noites seguintes acordado: você bem diante de vasto campo-horizonte de cultivo, jorrando sementes do coração, com as mãos procurando um início.

– Amor é árvore sem medidas.

Você olha tuda a volta, e fecha os olhos para poder olhar com os sentidos. E lembra de um projeto de elevador desenvolvido por cientistas avançadinhos em que se subia ou descia pelos andares de acordo com o seu campo vibracional, trocando em miúdos: subia ou descia segundo seu sentimento. Imediatamente  te vem à cabeça a imagem da estrela mais bonita que você já viu no firmamento, ela te abre um sorriso. Seu coração infla quentinho feito um balãozinho, seu pensamento voa alto como quem solta a linha da pipa, e seus pés pousam neles mesmos, em você mesmo. O corpo todo se encaixa, parece acolhido dentro de um abraço.

– Toda transitoriedade serve de prova ao que é inquebrantável.

Ainda de olhos fechados, com os neurônios oceanando como um círculo-ciclo, você se olha em um espelho d´água no alto de uma montanha. E vê a própria vida como um campo de cultivo. E identifica tudo que não cabe no seu abraço. E sabe, com a alma, aonde tudo encaixa e os encontros que deixam teu coração quentinho. 

– Realize.

 

* meu eterno Sansy-Moyô aos meus Mestres Ráshuah…

Uma resposta para “L A V A N D Á R I O

  1. e essa cris que some nessas horas (quando leio) verifico, tranquila: nada mudou.
    aquela lindona de sempre.
    saudade, flor.
    quero te ver no teu dia, vamos?

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