para não falar de faltas

Tenho uma casa que precisei domar para me dizer minha,

com paredes que com os próprios calos emassei, desenhei, pintei.

Uma miniatura de herbarium ao pé da janela da sala

(isso diz muito de mim),

uma rede azul ao pé da janela do quarto

(coisa de natureza que aprendeu a se dar abraço),

mais todo tipo de material de arte espalhado

(alegria pueril das realizações da alminha),

e luzes natalinas mantidas nas janelas

(profundo encanto por brilhinho).

Meus fragmentos velhos cuidei de jogá-los fora,

expulsei fotografias, mágoas, dores, todas fora: aboli a entidade passado

(desisti de perseguir meus erros, e sentar neles confortável, optei por renascer).

Encontrei um lugar onde pessoas tem amor para ajudar a melhorar,

e isso é raro…

fácil amar alguém em seus bonitinhos,

raro permanecer amando em suas feiurinhas:

prova de que o amor vence… e realmente, não se tem que provar nada para ninguém,

assim como não se controla, ou prevê ninguém, assim como não há o que temer,

assim como o sentido tange o inesperado, e é como é, simplesmente.

Encontrei a linha do bordado do meu caminho

e nela o profundo amor por crianças, ou melhor,

a arte de se plantar sementinhas de alegria em crianças

(amo gargalhadas de improviso, e seus dedos desenhadinhos, e seus olhinhos…).

Desde então entendo os dias como entrega ao movimento

e integração. E se desfez a necessidade do despertador.

Namoro o céu da noite como berço da essência

e amanheço golfinho no azul clarinho (há quem entenda).

Dei a sorte de ter amigos que me entendem e me respeitam,

isso me nutre na fé no incondicional.

Dei também a sorte de ter os que não entendem,

isso me exercita no meu incondicional.

Tenho um par de agasalhos de lã ao pé da cama, um azul, outro vinho,

acredito no par, aprendi que assim como os sentimentos e as palavras

o corpo é sagrado e templo das realizações. O espaço do mútuo

é o espaço do profundamente manifesto. Embora nada espere, tão somente acredite:

minha alma tem companhia, parzinho, nada metade de laranja, mas pé de cerejeira inteirinho.

O afinador de violão no colchão é vestígio de que um dia aprendo

o sutil das afinações

e alcanço…

igualzinho quando de universo tomo banho, e amor grande, limpo, encontro.

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