Mareios

Ana já estava ali há mais de uma hora. Sentada no alto da pedra, camuflada com o canto da praia. Seus olhos haviam pairado e absorvido tudo que se extendia ao alcance. O cansaço nos olhos mesclado com o relaxamento do sol na água. Era como se todos os sons a ocupassem e diluissem ao vazio. Era como se Ana fosse tudo aquilo, e não fosse nada.

Mas o que Ana fora buscar ali? O cansaço. A alegria. E o completo não haver sentido entre uma coisa e outra. No fundo, Ana se sentia como a parte mais profunda do oceano, tão distante, tão sem vista.

Olhava toda a gente na areia, estendida, inquieta, com e sem significado. Não havia ali forma usada de vida que a preenchesse, e ao mesmo tempo se sentia tão a mesma quanto qualquer uma daquelas formas. Era como se Ana se desmanchasse para se reconhecer, para não precisar ser o que não é. Ana, no íntimo, queria apenas conversar, mas em sua não forma apenas encontrava ouvidos quieta na pedra bebendo com os sentidos o mar.

O mareio dos dias, todo domingo, Ana sentava ali assim, querendo curar.

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