Curvas em si

  Muito além do que se vê, está guardado o que se pode achar. É essa cegueira de imagens, essa poeira espessa de quereres, e esse vento áspero de formatos que esconde o que se tem para ver. Esse vício de caminhos, essa fome de emoções e métricas, nossos paletós de enxigências e suas gravatas e saltos altos que achatam, deformam, junto a invalidez das bandeiras que se ergue para se dizer fazendo parte, e assim se aponta faca para não convergir nas diferenças. Os diários e seus incoerentes atos.

  Antônio naquele dia parou o carro. Deixou de lado a norma, sem calcular acostamento, sem ponderar nada. Afroxou a gola, descalçou os sapatos. Respirou. Ficou por instantes, sem nome, gênero, status, voando feito um pássaro, olhos desembaçados. E como um milagre, como deus de si mesmo movendo suas próprias montanhas, os sentidos foram desembotando. Ficou perplexo, extasiado, observando tudo que de si encontrava.

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