Reveillon… E agora? Agora!

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Reveillon tem esse aspecto interessante, somos condicionados a olhar para trás, e olhando para trás a ponderar, avaliar, separar joio do trigo, pesar, dosar, redefinir, e invariavelmente projetar nossas querências para frente. Honestamente, acho muito pouco, nos damos a chance de ousar apenas uma vez por ano, nos vemos oficialmente como seres capazes de sonhar uma uminha vez por ano. Admiramos os que ousam, sonham, realizam mais, mas nos contentamos com nossa imagem de formiguinha na beira da praia pedindo ao ano que traga.

Hoje me parece que acordei imbuída a discordar….

Porque o sonhar só pode ser acreditável no realizar, na tentativa, no lançamento, mesmo que tímido, mesmo que mal articulado em função de medos, sonhar não pode ser um verbo conjugado sozinho.

Mas eu fui na minha revisão, aceitei o condicionamento, olhei para o dia as 7h da manhã e disse: vamos lá!, vamos encerrar 2012. Não usei critério de satisfação, nem de imposto de renda, nem qualquer forma de categorização. Não precisei limpar armários, rasgar papéis, faxinar os cantos, porque essa já foi a pauta do ano… E é muito interessante observar um ano de fechamentos de ciclos, de zeração. É muito interessante e curioso o processo dos ciclos, e como que zerar é semelhante a ficar careca, caem um monte de fios de pensamentos, buscas, idas, vindas, nós, memórias, complicações. Mas hoje de manhã, ainda havia um fio, um fio grosso, danado de agarrado, que eu mesma havia escolhido deixar o deadline para esse 31. Doeu mais esperar do que arrancar.

E agora? Será que eu fiz a besteira de perguntar e agora? Esse é o benefício da zeração: acabam os e agora. A zeração traz um tsunami de certezas, não do por vir, não do que desejar, não de como caminhar, é um imenso certo agora, um branco para trás, um branco para frente, e uma vontade de criança de ir na descoberta de tudo que é diferente.

Se conselho fosse bom, a gente vendia! Mas aqui vai um dado, não se massacre na prorrogação do segundo tempo, ninguém nasceu para ser apenas mais um no meio da torcida de futebol, e esse vício de goleada só ilude a gente, essa ânsia de penalti só faz a gente gritar de euforia ou de raiva, deixa de ser passional com seus fios, corta, arranca, esperneia, vomita fora tudo que não serve mais, e ao invés de molhar os pés na areia, mergulha de peito aberto, e nada, nada 365 dias sem parar percebendo que é um golfinho.

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