De vento e pipa

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João aprendera a soltar pipa.
Lá debaixo admirado com tão alto ela ia
sentia a textura da linha.
A linha, tão fina, quase invisível,
requeria uma sabedoria: a dos ventos.

João absorto pelo céu e seus malabarismos de linha
se sentia a pipa,
tanto mais solta subia, maior sua alegria.
Foi uma ventania, um rodopio,
a mão espantada, o coração em desalinho,
lá foi a rabiola dando sinais de perdida.

João e as mãos trêmulas
os olhos nocauteados
o corpo preso ao chão vencido
– João não era a pipa.

Mas João sabia como construí-las.
Silenciosamente debruçou-se sobre papéis ainda mais coloridos.
Ao colocar seus pés a fora admirou os ventos,
Com o coração solto, absorto por não ser a pipa
mas ser a mão que malabariza a linha.

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