Sem janela, ou, a senha dela.

Ela tinha por hábito sentar-se a janela. Nas mãos, tintas de ouro retingindo a passagem do outro. Seu lugar não era lá. De tanta espera, teceu cortinas, ergueu grades, até que o sol em seus fios dourados não pudesse mais entrar. Ela não era mais ela, e sequer sabia o que mirar. O vão torna a ilusão bela formada no espelho da retina, e a distancia entorna água não deixando a verdade tocar.

Fechada a janela, entre as paredes não poderia mais ela ficar. Desfez o alinho dos cabelos, escorreu o medo pelas escadas, desceu ao chão onde era seu lugar. Aberta a porta, lançada a alma. Se pôs descalça caminhar.

Dissolve-se. Dissolve o que não era e o que era espera, dissolve beira, parapeito, tijolo a suor e mazela. Dissolve tempo, paisagem, passeata, cordão de bloco, serenata. E enfim dissolve telha. Enfim ela e o espelho do luar.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s