Renascimentos e Escolhas


O amor não desconecta do amor. Então amor ao outro é extensão do amor próprio. E amor próprio requer lealdade a sua verdade pessoal. Mas temos por hábito cultural seguirmos na direção oposta, não somos preparados, de fato, a ter o amor como filtro e norte, somos profundamente enraizados na culpa e no medo, e os confundimos com o amor.

Em tempos de Páscoa, ao invés de termos Jesus como exemplo de sofrimento, poderíamos tê-lo como manifestação do amor, e lembrarmos que em toda sua caminhada, não era hábito desse mestre o julgamento. Jesus brilhou em sua máxima verdade, foi leal a si em cada passo, não cedeu ao medo nem a padrões culturais. Como o interpretaram, cabe as possibilidades de cada consciência, e não me vem ao caso.

Vivemos tempos de depressão e ansiedade, seguimos aprisionados em nossos temores, querendo sermos aceitos e encaixados em fórmulas, bem sucedidos no que nunca nos sacia, e isso talvez seja reflexo de nossa imensa desconexão. Desconexões de nós mesmos, nessa enraizada falta de amor próprio, e assim não saímos do ciclo de mera semente de lótus.

Para a semente vencer a lama e ser a beleza em que desabrocha, ela precisa se diferenciar. Na prática, isso talvez nos ensine alegoricamente a não deixarmos nos reter pelos dramas, pelas agarras dos medos, dúvidas e culpabilizações. Como psicoterapeuta, pela benção de poder acompanhar diversas pessoas, suas mentes e trajetórias, se tornou mais claro e simples de ver: inúmeras pessoas não se libertam por medo de não serem aceitas, outras inúmeras não o fazem por se sentirem culpadas pelo universo emocional de suas relações, e mais outras inúmeras não ousam por não se sentirem dignas ou merecedoras.

Assim, seguimos na escuridão de nós próprios, não reconhecendo nossos ciclos, intolerantes as nossas próprias diferenças, criando ilhas de julgos, invejas, posses, competições, alheios ao fato de que nosso grão de mostarda começa na relação com nós mesmos. Ninguém precisa te aceitar, se aceite. Como cada um escolhe lidar com suas emoções e dificuldades, é responsabilidade única e intrasferível desta mesma pessoa. Toda semente é digna de germinar e de ser em si suas melhores possibilidades. Não somos reféns uns dos outros.

Enquanto a semente de lótus não se diferenciar e ousar por si ser sua verdade pessoal, ela não pode ser a melhora que tem em si a ser no mundo. Como diria Gandhi em sua conhecida frase: seja a mudança que deseja ver no mundo. Como foi Buda exemplo de realização prática, vença as ilusões da mente. Como realizaram 11 dos 12 discípulos de Jesus, manifeste seu grão de mostarda, vá até o final de sua lenda pessoal. Não tem outra pessoa capaz de fazer sua semente se revelar flor de lótus que não você mesmo.

“Ame ao próximo como a ti mesmo”. Comece pelo amor próprio e ele se concretizará a volta, seja o amor em si mesmo e ele te guiará nas relações prósperas, respeite seus inícios, meios e fins sem se deixar sair do movimento que é lei básica da vida, tenha humildade para reconhecer que fazer a mudança no mundo é ser em si e não julgando e determinando como o outro deveria ser. Brilhe, brilhe incansavelmente de dentro para fora, se permita quantas vezes forem precisas escolher renascer.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: