Sou Legal – Não Estou Te Dando Mole

A frase é incrível, tem um milhão de versões, escolhi essa imagem, para falar do que é chato, que todo mundo passa, que ao mesmo tempo que faz parte, não, não faz parte. Quem paquera sabe quando é paquerado. Sabe a diferença da energia, do olhar, do gesto, de alguma pista quando há reciprocidade. A real, não a inventada ou desejada. E a frase, em outras palavras, é bem adequada: oi, sou legal, posso sorrir, conversar, sem estar paquerando. Ninguém precisa de autorização da egotrip do outro para ser si mesmo. Egotrip? Egotrip! Em vários casos com mulheres, a base é machismo mesmo. Em vários casos com homens ou mulheres, a base é falta de limite sim, excesso de umbigo. Quer fantasiar? Fantasia! Mas se dar a a permissão para forçar a barra, estufar o peito, se atirar de jaca e alma no quadrado alheio, pera: egotrip, pura. 

Então, convenhamos, estamos falando de se dar a permissão quando o outro não deu nenhuma. Isso é constranger. E infelizmente isso vem banhado de pré-conceitos, sim, pré mesmo, conceitos tolos que ficam como justificativa de se vazar o próprio excesso de ego na direção do outro.

Vamos a um exemplo. Certo dia antes da aula de música, comprando um café, um homem se deu a liberdade de colocar a mão na minha bolsa de instrumentos, mergulhar os olhos por ali, e declarar com todo ar de sabidão malandro se achando o máximo do paquerador de que eu estava preparada para o ataque. Vamos lá, mulher na percussão, no palco ou na música de rua, está na percussão porque gosta de percussão, não está procurando homem. Aí um coleguinha, porque você está solteira, acha, e acha mesmo, que pode se pendurar no seu ombro tentando transformar seus nãos em sins. Mulher solteira, homem solteiro, seja quem for solteiro, não precisa andar com uma placa de ‘não’ pendurada no pescoço, para ter certificado e anunciado que não está a procura de algo. Sejamos mais naturais e menos egocentrados. Mas vamos para outro exemplo, você tem por característica ser simpático, concorda em semear no mundo gentileza e… ache uma rota de fuga para não ter que passar por mais uma situação desagradável do outro te confundir, e vir mais do que o espaço dado, seja por egotrip, seja pelo machismo, ou ambos. 

Ela brinca carnaval de rua, então… então nada. Ela sorri, então… então nada. Ele é gentil e comunicativo, então… então nada. Ele tem namorada, mas não fica trancafiado em casa, então… então nada. Se a energia não abriu, é nada, é só a personalidade do outro. Mais observação a troca, menos ilusão. Que ninguém tem que andar com tromba por aí para garantir seu livre direito de ser.


* imagem: google

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