Depois do que éramos, o que somos

Eu era uma criança rueira, puxava papo pela rua, vivia pendurada na janela do quarto da avó que dava para o pátio da escola, querendo estar 24 horas brincando por ali. Eu era uma criança musical, cantarolante, que achava ser possível curar a tristeza do outro fazendo carinho enquanto cantava. Virei uma adolescente rueira, que se enfiava em mil tribos diferentes e onde quer que tivesse uma rodinha de violão. Mas era um duelo desgastante com meus adultos nada rueiros, nada musicais, que estranhavam a criança diferente, nada imagem e semelhança deles. Ouvi um monte de besteira por conta da diferença, resisti bravamente, e paguei meus preços.

Todos nós fomos algo na infância de alguma forma não percebido, não compreendido ou não aceito, faz parte. Resgatar a criança não é ser criança, é se permitir ser quem você sempre teve por fluência ser. Temos tantos sonhos adormecidos, e bandeiras a levantar pelo próprio sentir, que não acordar é sentenciar-se a uma prisão entorpecida.

Acorde, levante, desenquadre quem você acha que deveria ser por ser o que disseram um dia sobre você. Frustre, desagrade, ache seu jeito leve de dizer seus nãos aos formatos para dizer seus sins a você. Rasgue o personagem. Quando a gente desengessa a gente descobre uma correnteza que encaixa todos os nossos aspectos e faz cada passo fazer sentido, e nesse fluxo a gente encontra as melhores afinidades.

Eu era uma criança alegre, cuidadora e curiosa com as janelas. Como era você quando se sentia livre para ser? Dispa o que o mundo conceituou para você, e descubra que equílibrio é dentro da sua liberdade de integrar todas as suas qualidades no fluxo do viver e conviver.

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