Por uma ética emocional nas relações

Existem muitos textos atuais, questionadores e incríveis, falando de superficialidade nas relações nos tempos atuais. Não vou chover no molhado, mas vou propor uma entrelinha com outra linha de costura. A palavra ética é sempre tentadora, escorregadia, circular. Da época  em que trabalhava em saúde, por mais árduo que fosse o debate, menos incerto do que costuro por aqui: um convite para fora da margem a se pensar no que seria uma ética emocional.

Estaríamos em tempos de uma profunda falta de ética emocional nas trocas? Talvez sim. Olhamos a volta e nos deparamos com relações cada vez mais defendidas, reativas, que não saem das bordas, ora por estereótipos, ora por completo descuido e falta de observação do outro. O bicho papão do medo da rejeição e não aceitação impera estrategicamente na dança da defesa do ego que não mede escolhas e efeitos na direção do outro.

Está certo, ninguém é tão frágil que não possa lidar com a falta de cuidado, ou ignorância, ou interpretações descabidas por parte do outro. E, sim, essa panela de feijoada onde todos estamos com nossas nuances e diferenças, é mola para nosso crescimento. Até aqui tudo bem. Mas falar de relações é falar do todo, assim como falar de ética acaba passando por um compromisso com a percepção de um todo. 

Mas propor a ótica do todo cai na relatividade do que cada um entende como todo, e aqui não há abridor de lata para a mente, vai conforme cada consciência. Então vamos pensar em diversas esferas de todo. Você é um todo, pare de se olhar como pedaços ou personagem. O outro é um todo, pare de o bipartir ou enquadrar com interpretações. Entre você e o outro, outro todo. Entre a relação de você e o outro com os outros a volta, outro todo. Entre esse todo e o universo, outro outro outro outro todo. Então vamos inverter essa ordem e começar de você com você como o que te conecta com você e o universo e é assim estendido, derramado, de você para o outro e os outros.

Quem é você? Qual o seu grau de comprometimento com você? Como se vê em troca? O que te separa do todo a ponto de não ver os efeitos das suas escolhas? Você tem a sua história, seus pontos fortes e seus machucados, e o outro também! Quais distorções sobre você mesmo você vem persistindo em se permitir vazar sobre o outro? De que te serve a ilusão de ser tão grande ou tão pequeno? O que te ameaça em perceber o outro, os outros e o universo como parte de você? E por que, por que não ter a coragem de ser mais aberto, simples, honesto e cuidadoso independente do que estendam a você?
* imagem pinterest

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s