O resgate da fé feminista

Eu sou feminista, nasci feminista. Não tive uma formação de base feminista, muito pelo contrário. E talvez essa contramão de base, tenha sido o melhor exercício para que esse meu feminismo de alma se revelasse. Paguei, e pago, os preços caros, de ser mulher em uma cultura ainda bastante machista, e de ter essa tendência inquieta ao feminismo.

Mas foi lá atrás, antes de se falar tanto em feminismo, quando entrei na adolescência, que fui pega pelo impacto triste de ver tantas amigas patinando reféns de um machismo dissimulado. O machismo consegue ser tão corrosivo a ponto de se inserir feito polvo com seus tentáculos, não só na dinâmica entre homens e mulheres, mas principalmente na dinâmica entre mulheres. E aqui lê-se que pior do que complexo de cinderela, só mesmo complexo de irmã de cinderela.

O machismo é provedor da baixa autoestima feminina, e é também por ela alimentado. E passando os mares conturbados da adolescência e encarando os tsunamis do início da adulta jovem, me convenci que ia por bem solista em meu feminismo, bola para frente. Depois dos 30 a gente já não se importa tanto em ser tão inserível assim.

Passada essa jornada, assisti admirada o relevante da bandeira feminista. Ufa, mais do que necessária. Pensei, agora vai! E já com os pés quase nos quarenta tive que reconhecer, não, nem tanto, com a espantável constatação de que há ainda um número razoável de mulheres que se dizem feministas mas profundamente presas as agarras do machismo, e um número razoável de peter pans se nutrindo disso.

Me peguei comigo mesma, caramba, vai minha fé ser abalada novamente? Não, não vai. Fiquem as irmãs de cinderela em seu exercício de se reencontrarem e se irem gradualmente se libertando das feridas dessa baixa autoestima. Eu sigo no grupo que aposta inclusive no renascimento delas, e com alegria banca a própria alma feminista.

E o que houve desde então? Dei de atrair mulheres incríveis, decididas em quebrarem as correntes, que se espantam com o machismo mas se reposicionam não o alimentando, e se esforçam também em serem mulheres mais inteiras consigo e entre elas.

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