Para não se arrepender (depois)

Havia uma mosca pousada sobre a borda da testa dele. Tirava do sossego os pensamentos que circulavam entre as vitórias e as derrotas que poderiam ser dele, enquanto suava sob as sombrancelhas, na opressão dos olhos do medo de quem não sabia se pôr por inteiro a tentar.

Havia uma mosca rastreando as insônias dele, pedindo sorrateira que bebesse mais uma cerveja pela falta de paz do homem que não sabia ser ou não capaz de apresentar. Tirava os ponteiros da madrugada nas tensões do queixo que travavam as palavras que não sabia colocar.

Havia uma mosca dentro do peito dele, derramando o vazio do não feito, rasgando o sonho de colheita do que não soube semear. Deitava uma sombra a volta dele, a intoxicar a pele por inteira de quem não se permitiu encontrar.

A mosca não era ele, faltava apenas ele voar para fora do personagem que criou a si mesmo, e sem aprovação se entregar. Faltava, apenas, ele ser ele mesmo.

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