Por velhas e novas prosas, chama, amigo

Amigos são partes incalculáveis, que chegam de onde menos se espera, espelham, ensinam, questionam e movimentam a gente a rever e se reaver… de quem somos, como somos. Dizem por aí que amigos são a família que escolhemos ter. Sim, a gente escolhe, temos lá nosso poder da peneira. Mas para mim, amigos acontecem.

Não vou aqui filosofar sobre o magnetismo da amizade, prefiro o termômetro do sentir, aquele click inconceituável que diz: esse, meu irmão é.

Mas acontece que a vida é uma estrada sem borda, de muitas curvas entre fronteiras não demarcáveis. Amigo pluga, e estando perto ou longe de onde estamos em nossas voltas, plugados estamos, amigos somos, não se precisa explicar.

Acontece que às vezes a gente fica muito confiado nisso, e esquece, e como esquece, que amizade é terreno de exercício do cuidar, do cultivo. Acontece que às vezes a gente não conta bem o tempo, se perde com as passagens das estações. Ou também acontece das nossas dificuldades nos arrastar para fora do semeio. E fica lá no peito aquele território silencioso em que faltam os gestos. Saibamos nos perdoar.

Mesmos com todas as andanças, chuvas e ventos, a vida, ah… a vida… essa que Vinícius tinha por hábito anunciar como a arte do encontro, dá seu jeito de fazer o reencontro. Não, não são os desencontros que regem a vida, são os encontros. Desencontro é quando a gente não sabe, ou não pode, aproveitar.

Hoje estava lá eu, se contei certo, 10 anos depois, almoçando de frente para o amigo, como se 10 anos não tivessem se passado, justo ele que fez parte de uma família para mim. Ser que sempre me fora tão caro, que me ensinou a não me perder em Santa Tereza seguindo o trilho do bonde, que me apresentou Teresa Cristina, que me inspirou a fazer o inimigo oculto mais criativo da vida, cuja personalidade me movimentou a aprender sobre tantas óticas diferentes, e sim, ele que me ensinou sobre a graça elegante de ter um nariz de palhaço no carro. Ele que continua irremediável, único, e sem redes sociais onde eu pudesse o marcar e ser parte noticiária do gps da sua vida. Ele que continua amigo, como sempre foi, com energia e carinho de família, como sempre foi, mais uma vez derramou um sol de alegria e afeto no meu dia, me virou de ponta cabeça com o muito que tenho a aprender com a vida, e me deixou transbordando um misto de saudosismo e gratidão.

Que bom que a vida é assim, um bêbado samba, ou um samba de beber, onde amizade é mar que nos navega por força própria, em que a gente se dá a permissão de cantarolar junto “quem quiser gosta de mim”. Salve, amigo.

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