Doze casas na terra

Agora dia 06 de abril viram meus ponteiros etários, e como algo clássico, desde 06 de março a bagunça começou. Como alguém que passou por formação em astrologia, não posso propagar o mito do inferno astral como algo que nos faz vitimados. Fato é, em astrologuês, quando nascemos, uma fotografia é tirada do céu e ela reflete nossa personalidade e seus desafios nesta jornada na terra, nosso mapa natal, dividido em doze casas. Ainda em astrologuês, todo ano, quando fazemos aniversário, o sol completa uma volta de 360 graus, e ciclicamente, a cada ano, uma nova fotografia é tirada do céu, a revolução solar, que reflete as energias de aprendizado deste ano pessoal sobre aquele mapa natal. Então, por volta de um mês antes de nosso aniversário, o sol entra sobre nossa décima segunda casa, e a bagunça apelidada de inferno nada mais é do que o processo de soltar o ciclo anterior e reposicionar o novo.

Como meditante de uma proposta técnica (ráshuah) que simplifica a leitura do agora para a compreensão do poder pessoal: a cada ciclo, uma energia mestra de aprendizado se abre sobre nossas áreas e aspectos, e precisamos fechar os entendimentos do velho e estarmos cientes do propósito do atual. Então, voltando a minha esfera pessoal, me encontro neste tempo exato, como surfista, soltando uma onda para me reposicionar em uma nova. Junto, encerro um ciclo de sete anos como estudante residente de um ashram ocidental. Como o processo cumpriu a proposta de realmente me alinhar, minha mudança de casa caiu junto com a zona astral.

Do lado de fora do quarto, já encaixotado, 80% se encontra etiquetado com “cadernos”, “livros”, “pastas”. Estudiosa essa moça, hein? Solto uma boa gargalhada, e lembro de que quando entrei, de fato, achava que meu valor viria do quanto estudasse. Para lá de parcialmente errada, claro! Não se tem valor algum por ser alguém sabido ou estudioso, que bela porcaria essa a nossa humana de precisar de algum reconhecimento! Se sente o valor da alegria por ser firme e persistir se construindo dentro do que verdadeiramente acredita, só isso. Valor não é etiqueta que alguém possa pendurar no nosso pescoço. Veja só como eu era tola!

Mas olho tudo o que tive de me desapegar de conceitos e informações sobre mim mesma, e isso me dá uma paz inigualável. Em sete anos virei meu mapa astral do avesso, e entendi que não há nada nessa vida que encarcere nós mesmos do que nossas próprias escolhas frente a vida como ela se apresenta. Em algum ponto do caminho comecei a repetir a frase: nem o céu é o limite, e me propus a pegar a rédea por mim mesma. Meu mestre sempre me disse: a energia é implacável, a energia conta a verdade. E eu caí inúmeras vezes, diversas por teimosia, querendo controlar, cega às verdades. Até que entendi, a energia é mesmo implacável, campo de cultivo de nossas escolhas gerando aprendizados, causa e efeito, só isso, continua sendo nosso o poder, e está nas escolhas.

A partir de algum ponto daí, a vida se abriu com bordados e tonalidades outras. E meu foco foi se tornando cada vez mais desligado para o que não passa de maquiagens. Hoje olhando um quarto semi-desmontado, tendo ao lado apenas uma gata, não mais duas como quando entrei para habitá-lo, afundada em caixas e malas, reconheço que a bagagem mais valiosa, me vai na pele e não preciso etiquetá-las, mas posso compartilhar sabendo que ao final do próximo ciclo estarão novamente completamente transformadas e resignificadas.

Não espere de alguém algo diferente do que já tenha lhe mostrado do que possa dar. Não espere alguém, não espere um formato, não espere, absolutamente nada, nem de si mesmo, nada. Esperar nos tira do agora, e nos entorpece a leitura do que a vida já nos está de fato a dar, e o que a vida dá é só aprendizado. Olhe para cada uma de suas frustrações com o mundo ou com a pessoas, e saia desta postura infantil de querer de fora algo que você já tem dentro, sim, se você quer tanto, é você quem tem a ser, se reconheça. Ah, se reconheça, não seja um carente de reconhecimento, essa é uma das formas mais severas de você se mutilar. Entenda, que a base de tudo está no amor próprio. Entenda o amor como uma música única, amor não desliga de si mesmo, se souber ter amor e respeito consigo, saberá ter com outros, na mão contrária, é a ilusão que te desliga. Respeito, ó palavra, ensinaram tudo errado para a gente sobre respeito. Respeito é coisa que a gente se dá, e se dá para dormir em paz, não espere respeito, seja seu próprio gesto de respeito. E esteja onde o fluir da troca aconteça, não force barcos sobre areia, embarcações pertencem ao mar. Esteja com quem se dispõe a estar, esteja se dispondo a estar, diga todos sins para si que precisa dizer e aceite que inevitavelmente eles lhe trarão inúmeros nãos a colocar. Está tudo certo, o caos está sempre no tempo certo. Não passamos de aprendizes no remo, um dia a gente vira peixe, só não tem data desse dia chegar, e quando virar peixe, a gente segue para virar mar, e quando virar mar, segue pra virar horizonte, sendo horizonte segue pra virar céu… não vai terminar, vai sempre ser exercício em movimento, não precisa chegar em nenhum lugar. Seja, e agradeça tudo a volta sendo, e o exercício que lhe dá.

Enfim, daqui 12 casas, andarei para as 12 próximas, como você, como todo mundo a volta, caminhante, marinheiro, poeira de estrela, gota do mar. Seja o que for que sua personalidade lhe ponha à prova, entenda, é um problema só seu, mas ele tem inúmeros jeitos de se tentar equacionar.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: