Em trânsito

Às vezes se vai pegar um ar e volta com o peito quadrado. Outras vezes, do caos, brota uma brisa oxigenada. Termômetro, meteorologia, qualquer coisa que mensure o inesperado, não existe. João passava dia após dia levando a vida na calculadora. Rita, na régua. Pedro, na balança. Ana, a conta gotas. Uma matemática falida, exaustiva, para enganar que viver tem fluxo controlável.

Cedo, tarde, ou na hora exata, os quatro recorreram à terapia. João barganhava inações com seus medos. Rita, colecionava fichas de pessoas que jamais evoluíram da condição de qualquer pessoa. Pedro, não dava, a ninguém ou nada, credibilidade. Ana queria um amor que só lhe fosse bom, sem sinal de imperfeição. Quatro linhas diversas emboladas em um mesmo nó.

Nó bem amarrado, etiqueta pendurada: parado. João, Rita, Pedro, Ana, não corriam riscos, perseguiam seguranças que viver jamais lhes daria. Feito um pulmão sem ar, por receio das más surpresas mantinham as janelas do peito fechadas às boas surpresas.

João, Rita, Pedro, Ana. Eu, tu, ele, nós, vós, eles. Morremos um pouco quando travamos. Adoecemos quando feito falsos profetas matematizamos. Esse tumor se chama medo. E o remédio é com amor seguir levando aberto o peito independente do trânsito.

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