Eram minhas

Eram olhos de brilho intenso, degustação de traços, trejeitos, graças. Era olhar de apaixonada, derramando descoberta, contornando o outro com os sentidos. Ótica de maresia, inundando melodia com o coração de oceano. Suspiro.

Como ventos sempre sopram, a névoa destece, a realidade se mostra com todas as ranhuras de pedra. E o outro ali, nu, despido de seus discursos, meio bonito, meio feio. E ela ali, com os olhos de vidro quebrado, estupefata:

⁃ Eram minhas as flores que via em você.

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