Cristal

Havia um prisma de cristal pendurado na janela que apenas era tocado pelos raios solares na primavera. Anunciava ele à Sofia, esparramando raios coloridos, sua estação favorita. Por anos e anos quando tudo se coloria, ela respirava como uma criança, alegre, encantada: “é primavera”.

Por uma mudança de janela, o prisma pendurado deixou de ser pela luz tocado, e uma umidade fria derramou nos olhos de Sofia. Exaustivo tempo se delineou como uma floresta solitária e inesperada, exigindo que ela despisse ingenuidades. Morria dentro dela uma menina, passo-a-passo, em pés descalços. Até o dia em que forte tempestade colocou tudo abaixo.

Sofia se viu nua no meio de uma cidade. Com a sombra da floresta destruída as costas, e na mão o prisma de cristal quebrado. Parou em uma praça com todos os ruídos e pulsos a volta, sentou na grama. E agora?

Raízes se desenvolviam do ventre de Sofia, e uma força irrefreável se erguia. Do peito, ao toque do sol, um arco-íris inundava. Uma mulher una em seu próprio solo fértil brotava dentro de Sofia.

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