Do verbo Desabrochar

A flor que desabrocha segue a rota assimétrica de seu próprio tempo. Fora de catálogo, não cabe aos dedos que a forçam, não agrada muitas vezes aos olhos, parece estranha aos quereres. A flor que desabrocha é generosa em sua própria trajetória, oferta como pode, vence a aspereza da noite sem nada buscar em troca. É só, e una em si mesma. Não espera jardineiro, mas se abre na deselegância da doçura frente a gentileza. Sábia a mão que a toca como é, acaricia sua diferença, respeita seu desenrolar desuniforme. Se é o tempo da ternura que falta, a rega não poderia ser por outra água que não a brandura.

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