Na distância de um abraço

Conta o dito que há males que vem para o bem, não sabemos. Há o que se ache certo demais e se prova errado. E há o contrário. O que o pensamento metrifica, o sentir cala. Abre um mutismo pálido pela invasão do ácido na beleza subvertida. Explicações, poderiam tantas, e tamanhas, pela garganta que arranha no indigesto dos dissabores. Reza alguém em uma noite estranha uma luz que um dia virá, enquanto um yogue em algum quarto solitário ensaia uma posição que a escuridão afaste. Uma menina pequenina de olhos redondos e assustados guarda em si do mundo toda a fragilidade. Silenciosa entre os cabelos bagunçados, esconde a pergunta:

– Cadê você?

Pergunta de mim, de você ou dela? Não sabemos. A fragilidade é uma. Busca a mim, a você, ou a ela? Saberíamos, se… Se não fossemos cobertos de se’s que usamos para encobrir o mesmo não saber, que é nosso. O alguém encerra sua reza, o yogue também, vamos todos dormir com os sonhos de ponta-cabeça, sonhar abismos, estradas, densidades, como aspirantes, buscadores, da força que temos, mas não cremos. Porque essa, a tal, a força que não se atamanha, não nega o quanto somos frágeis, e só se revela quando nos encontramos.

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