La Vangoghcela Pandêmica

A crônica falta de poética espicha a mente que não pisca. Ser humano redescobriu o inseguro. Nada serve de prédio, carro, geladeira, rococó, praia, avião, saideira. Rápido retoma ao pó, a vida seca e lhe escapa. Ou por onde cisma, deixa marca. Mas ser humano enche as fantasias de desumanidade, bate pé mimado, veste sunga, pinta o bico, resiste infantil metido a besta. O que assombra ser humano é ele mesmo, sua identidade heróica-frágil, sua soberba de não poder mudar, de ser a parte da natureza. Cresce para controlar, se apequena para ostentar um fake sobre sua fragilidade de ser, cria fantasia como quem se vicia em pornô gourmet, e aponta a frustração como o diabo.

Faz birra. Estufa idéias sem base. Diz que não é saudável viver fora do mood good vibes. Ah, faça-me um favor… saudações namastretas de realidade.

A pandemia vem ensinando como a pior parte da existência no planeta é anterior a concreta vulnerabilidade humana, é o próprio humano mesquinho, parasita, egoísta, que não empatiza, que não se gasta só gasta. Gasta a vida alheia, gasta a saúde alheia, gasta a ingenuidade alheia, gasta a boa fé alheia, gasta o cuidado alheio, só para não gastar das próprias carências e vontades. A pior assombração ainda é a romantização da infantilidade, os danos, os lutos, os sofrimentos são incalculáveis.

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