Matriz

Mãe maior que a raiz não há;nela os segredos, o broto,as folhas, o fruto, a curapelas curvas entremeadas do tempoo negro útero que tamboreiae ilumina os sentidos do mundona renda sagrada da existência. Raiz das raízes, terra na terra,aldeia: berço. Pobre quem não te enxerga, pequeno;rico quem te reconhece e no pertencimentoagradecendo te leva. Girem... Continuar Lendo →

Poweremos

O mundo quando mostra finos denteshumanamente predadormasculinamente doentebafejando corpos e poderesdesbota despotadamente.Mas a vida, muito maior que tronos e pênisbem mais fecunda que os abusos à mesaventa uma força para lutachove gentilmente caminhos outros.

Água de deitar

Corpo em corpoé barcoimergindo, emergindo,silhuetas, síncopes,termal, molhado,no poente transladoda embarcação deitada. Mas… Onde deságuacom afeto em brasatorna todo em todo:dissolutos corpos.Imersões, emersões,deleite alagado sem bordas. Do corpo à alma.

Sem Água

Mil bolhas de pensarlavadas por 10 mil de sabãosendo estouradas na conta carado preço dos pensadosgastos na contramãodo viver não creditadoda necessidade do coração.A rima pobre, ordinária,fica de bengalacustosado senão dos nãos.

Em Pedramento

Para o que não há poesia, já colocaria muito bem Adélia, a pedra. A pedra vista na descortina áspera da miséria que cresce nas ruas. A pedra ainda atirada, infelizmente, pelos que romantizam trabalho, romantizam merecimento, romantizam privilégios (e armas). A pedrada: a fome andando voraz pelas ruas. Pedro, saindo da terapia, que ainda paga,... Continuar Lendo →

Fac-Fractais

Da beleza: das quebras a liberdade, da liberdade o movimento, do movimento o encontro, do encontro os encaixes, dos encaixes as bipartições. Fractais dinâmicos da existência, mosaicos afixos onde a liga é o sentido. Onde quer que se vá deve-se ir com o coração atento, não em vigília, um olho bem aberto, receptivo. Deixar que... Continuar Lendo →

Bufo

Escangalhado espalhafatoso umbigode voltas grandiosas de voragensem coroado egoísmo por ourives de si mesmo,como é de tão branco, pobre,de tão raso, tóxico,se instituindo reinado alheio a trocanas gozadas vãs da própria imagem.Imprópria criança aprisionada em adulto dormenteenquanto tu não te acordascansa tudo que teu rastro tocae se desbota.

DES-A-PEQUENA

Malabares do caosa vida cheiade amorcaminha derramando sementescomo cigana jardineira displicentepara fazerlibertar , descobrir, crescero que pode estruturarum chover de rirno redondo laçode esperançano reino maior de um abraço.

Contração

O dormente embrião de quem se foie não mais o é, inábil, desentendido,torto de pouco viver, pueril destemido errante,pesa quando se carrega, porque não se enterrapor se recusar a crescer. O estranho orgulho de quem o cultivaamarra um pé primitivo à tronco cortado,coloca em altar desejosas feridas:se atrofia. - Findar-se sem acontecer? Para nascer, é... Continuar Lendo →

A fronteira

Puiu os calçados, abriu bolha,fez calo, alcalinizou o que a vida deu de não,gemeu, zangou, até chorou,chegou a parar na beira a abrir mão. O telefone sem fio da vidanão tem quem fale ao ouvido,é zumbido alto, ruído,vento sacudindo a conexão. Seguiu… Foi até a fronteira de si sem ver o mundo,encontrou fronteiras no mundo... Continuar Lendo →

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