Em Pedramento

Para o que não há poesia, já colocaria muito bem Adélia, a pedra. A pedra vista na descortina áspera da miséria que cresce nas ruas. A pedra ainda atirada, infelizmente, pelos que romantizam trabalho, romantizam merecimento, romantizam privilégios (e armas). A pedrada: a fome andando voraz pelas ruas.

Pedro, saindo da terapia, que ainda paga, apesar de ter enxugado gastos, porque a crise está braba, enquanto desenrola seus amadurecimentos sobre não mendigar afeto, amizade, presença, valorização, tropeça nos estômagos em mendicância pelo caminho. O mendigo subjetivo e o mendigo concreto postos frente a frente se chocam por um dispor e o outro não da posição de escolha. E Pedro pode, ainda assim empatizar ou não, mesmo sendo de pedra a dor da miséria no menino que pede que pague uma comida.

As crises que levam à terapia, ainda que dolorosas são digeríveis na condução técnica. Mas para a enorme crise que tritura a condição de sobrevivência de cada vez mais pessoas no país, e escancara um despertencimento e violência nacionais, outro tipo de técnico se precisaria.

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