Lucidez

A dança incerta entre o sentir e os pés na terra, quem ensina como é? Se diz, não acerta. Nem compasso, nem métrica, de pulso sincopado. Que a dança trama entre pernas o desejo e o manifestável conforme cada par de passos improvisa no tato o que consegue ousar. Nãos e sins explodem big bans,... Continuar Lendo →

Conselho dado

Repara, flor, demolições descontroem as fronteiras para lá onde o norte brota o sol do sentido. Ouça, flor, um pulso de força erguendo nutrido de bem-querer, unguento, intenso farol de liberdade. Seja, flor, a dança sincopada que trança sonhos e verdades em seu fértil tempo enraizado.

Eram minhas

Eram olhos de brilho intenso, degustação de traços, trejeitos, graças. Era olhar de apaixonada, derramando descoberta, contornando o outro com os sentidos. Ótica de maresia, inundando melodia com o coração de oceano. Suspiro. Como ventos sempre sopram, a névoa destece, a realidade se mostra com todas as ranhuras de pedra. E o outro ali, nu,... Continuar Lendo →

Das inteirezas

Do lado de fora, fôrmas, formas, rotas, concretos insólitos com pixações, etiquetas, jornais insatisfeitos. Ilusórios. Para o lado de fora, invisíveis eram. Para o lado de dentro, potável, doce, água de lagoa de afeto carambola, laço, ar liberto, oxigenado no tato do abraço, olhar de cafuné ao pé do ouvido. Para o lado de dentro:... Continuar Lendo →

Carinho

Rola na mansidão do tempo em onda de brisa que não se pontua a delicadeza da ternura.

A água mais quente

Era uma roda de amar muito maior que a beira, uma ciranda de dois em pouso de doce cheio. Era uma renda bordada entre nós de um rio em leito inteiro. Era uma flor trançada entre dedos, um mar de corpo e sossego, uma graça de alegria cúmplice embolada entre os cabelos. Um deságue exagerado... Continuar Lendo →

Sem parar

Para derramar: não adoecer de fluxos ao meio. Para ensolarar: viver o que inunda inteiro. Para ser: despir do peito areia. Para amar: o mergulho ao que leva ao verdadeiro.

Latitude

Eram dois passos de distância entre a verdade e a incoerência. Um ponto ao centro em mapa escorregadio guiava o movimento de olhos fechados. Era o tato, um feeling sutil, uma brisa de sentimento bussolando o movimento. Ao final, tinha tudo e não tinha nada. Nem marca de quimera, nem toque de angelical asa. Havia... Continuar Lendo →

A liberdade do pulso

Eram três tempos o necessário. Se abrir. Sentir. Renascer. Eram três passos de contato. Semear. Cultivar. Colher. Era uma só vida no pulso. Ser. Para tudo que limita: lavar, desfazer.

A gota

Havia um peso nos olhos difícil de escapar. E o olhar distante, perdido, perseguia sem ver o que lhe custava a leveza. Naquela manhã, frente ao espelho, escova, gilete, sabonete, deixados de escanteio, ficou ele por minutos encarando a si mesmo. - Eu errei com você. E o peso das escolhas passadas, displicentes aos traços... Continuar Lendo →

Decifra-te

- Leve suas sementes por toda a travessia. No percurso aprenda sobre o processo delas. Atravesse o vale dos medos errantes. Seja tolerante as suas quedas. Prossiga. Ao norte de teu sentido, encontrará solo fértil. Então plante. - disse-lhe a esfinge ao invés de "decifra-me". Ela ouviu sentindo o calo das dúvidas apertarem a garganta.... Continuar Lendo →

(Des) Proporções

Era pequena demais, miúda. No turbilhão das coisas fermentadas, a moça. Pequena dobra de gentileza da pétala pendida ao tempo, única. Era doce demais aos bárbaros, grossa demais as brisas, era qualquer coisa na desmedida, entre o não ser escorregadio quase invisível. E era forte demais que simples, graúda. Apesar do tudo isso.

Quem sabe…

Quem sabe na próxima borda a busca se desdobre da trança das faltas. Quem sabe logo ali no adiante o peito se recorde do que soma para fora da curva da sombra que não doma. Quem sabe um renascer recorde. Quem sabe um laço encontre. Quem sabe o cheio se comporte. Quem sabe os sonhos... Continuar Lendo →

Dis-sonhos-sãos

A gente sonha um tanto de coisas no peito que deita fora a curva da noite e destece o que não somos. A gente gesta os sonhos que deitam a curva do dia de ser quem somos.

A dança

No centro da paz dança o movimento. Todo o caos a volta se rende ao centro, a liberdade do ondular em fragmentos o que se desconstrói e se reconstrói dentro.

No amor não se perde

Da época que trabalhei em CTI, entre os casos que mais me marcaram foi o de uma paciente, que vou aqui renomear com o apelido de Jasmim, e de seu marido, também aqui com nome fictício, Lírio. Conheci Jasmim em uma internação dolorosa, tinha um tumor em região inoperável da cabeça, que havia sido diagnosticado... Continuar Lendo →

Minha jangada vai sair

Todo ano sai uma jangada ao mar. Doze meses de percurso saindo de quem se está, sem se saber a quem se chegará. O que se tem como guia, cabe a cada um sua escolha. Pode tudo... só não se pode ir vestido de desesperança. E quem souber se escutar, terá céu e mar. Todo... Continuar Lendo →

Esse fio amarelo-rosa

Um dia é um amigo que te espera no sinal. Outro dia é você quem espera um amigo na praça. Um dia é um amigo que te acorda de um passo desalinhado. Outro dia é você quem guarda com os olhos um amigo em seus passos. E é tanta gente que passa, tanta gente à... Continuar Lendo →

De metáfora e melodia 4

Tudo passa:a embarcação que chega, a embarcação que vai, o passo do passo a passo, a dança da ondulação no tempo exato e refaz a graça do compasso.

Para desconceituar o desamor

Amor não se dá nem pega embora árvore, plantação, jardim. Amor não se prova, certifica, autentifica embora senhor da troca, embora solo e múltiplo fértil. Amor não fica, é. Amor não depende, unifica. Amor não mede, expande. Amor não fere, cura. Amor é essência outra, para além dessa que tipificaram de amor.

Simples

Pouco, tão pouco, e raro, caro ao que se precisa: silêncio, vitamina da calmaria, carinho, tecido dentro dos possíveis, entendimento, no diverso e no que aproxima, entrega, ao que é e ao tempo escrito. Pouco, tão simples, valioso, o sorrir e o olhar que harmoniza. * imagem: Cris Ebecken

Para atravessar

Há um caminho pedregulhoso que leva a tudo o que verdadeiramente importa. Por vezes não se sabe se cabe ao passo, se as pernas chegam, se os braços alcançam. Por vezes o tropeço, o medo, o erro, o sol a pino convocam as perguntas: eu posso? eu consigo? Estamos sós nesses momentos, porque somos sós,... Continuar Lendo →

Renascimentos Sãos

Do renascer, deixar por terra os ossos que não sustentam mais. Despreender-se das marcas na pele ao invés de cultuá-las, liberar os tecidos. Amar cada molécula despida, pela graça e pela promessa de como reagregarão. Salgar os olhos, amaciar os dedos. Enterrar as solas sem velório: posso despojar-me, obrigada pela caminhada, por ora sigo em... Continuar Lendo →

De costura, ou, para não faltar pano

O tempo perdido corrigindo ao outro, poderia gastar  amando. Poupe. Poupe o puir do tecido, deixe as linhas em trança. Tecido ruído, fim de ciclo: agulhas cansam. Desbotadas cores, seguem as linhas soltas. Costura boa, tem açúcar na trama, convoca bordado, convida elástico: é bem cuidada. Dá ali espaço para ser solta e bem marcada.... Continuar Lendo →

Insights Itinerantes 14

O invejoso, o ávaro, o de si seco, está sempre tão enrolado em seus papelões, gestos e palavras de farpas, que por que com seus papéis desastrosos se importar?

Por ser mulher

A força  que não bruta mas labuta sobre as veias de um fazer em curso que não cala e não seca e não se esvai ao ralo mesmo quando a resistência é desértica. A doçura que abastece em rega desde as pequenas coisas às maiores escolhas e não se destece um viver que é de... Continuar Lendo →

De beber e entornar

Deserto não há, o deserto em si é do medo a miragem, onde barcos tendem a naufragar. Maria era curandeira, e escondia as mãos feito crime. Sarah era educadora, e se prendia as mesas administrativas. José queria o amor, mas contornava seu ímpeto de tocar a campainha. Rômulo sonhava novas engrenagens, mas se mantinha a... Continuar Lendo →

Enarmonias

Ele em pé, no centro do vagão, ressoa em suas notas graves: - Ô moça! A música é algo mágico, não é mesmo? E eu em meu sorriso tímido, agarrada ao instrumento no banco do vagão, vibro minhas cordas silenciosas: Os encontros são a mágica que nos devolvem por diferentes notas à música do amor.

insights itinerantes 02

Do verbo compartilhar: com partilha, limites e espaços são bem-vindos. E para quem não sabe compartilhar? Sem partilha, umbigos sozinhos. Para quem escolhe amar: compartilhe.

Talvez o verdadeiro otimismo seja simplesmente aprender a olhar a tudo pelo ganho do aprendizado... E talvez esse otimismo seja o exercício da liberdade.

Mareios

Ana já estava ali há mais de uma hora. Sentada no alto da pedra, camuflada com o canto da praia. Seus olhos haviam pairado e absorvido tudo que se extendia ao alcance. O cansaço nos olhos mesclado com o relaxamento do sol na água. Era como se todos os sons a ocupassem e diluissem ao... Continuar Lendo →

infanto-alforrias

Pedro cresceu ouvindo: ah, mas ele gosta tanto de você, não faça assim com ele. Maria, toda vez que chiava, ouvia: você tem que ser boazinha, ele tem problemas. João, toda vez que chorava, mandavam ele tomar vergonha na cara. Sandra, um dia tentou pegar uma borboleta, e sem querer lhe arrancou a asa. Vitor,... Continuar Lendo →

o sentido

O sentido é assim: não conceitual. Você pode passar uma vida inteira o procurando. Pode brincar de pescaria com ele. Pode inventá-lo e pixá-lo nas paredes para garantir que o tenha encontrado. Pode, inclusive, fantasiar-se dele. Ou quem sabe, mesmo, sustentá-lo, como bandeira, pátria, grito, estilo, título, currículo, filho, papagaio. E se for por aí...... Continuar Lendo →

um só eu e tantas elas

Clara admirava os raios, mas fechava os olhos para as trovoadas. Ana via o mundo como uma dança, mas não sabia como festejá-lo. Para Joana, amor era comer em lascas. Toda noite Clarice espremia o passado no espelho. Marta sonhava o sapo que não teria. Maria queria mesmo fugir numa espaçonave. Para Cecília, par era... Continuar Lendo →

pequenos milagres

I Para cada dor há um desenlace. II Todo personagem pode um dia cansar-se do palco. II O invisível pode ser possível aos olhos. O indivisível é o amor com que se olha. III Quando se esvazia, transborda. IV Para toda valsa há dois pares de sapato, calçando que se valsa. V Êxtase... êxtase é algo... Continuar Lendo →

por novos e melhores ciclos

- Papai du céu, - Que foi, minha filha - imagina - Eu pometu num mi iscondê dibaixu da cama Chora um pouquinho, de levinho, respira fundo, enche o peito, segura os dedinhos, continua: - Mesmo si o medo di tomá bonca fô gandi. Mesmo si achá qui num intendo. Mesmo si o monstu fô... Continuar Lendo →

aguaria

Existem dias de dissolução: silenciar o caos, desatar despropósitos, abrandar os atos, discernir rios como quem separa joio do trigo: sentar à margem, lavar o coração; roseiras tem espinhos: curar as mãos. Observar o tempo do cultivo, desanuviar os quereres: atuar sobre as próprias escolhas das vontades, bussular direção. Consentir e não consentir. Jamais esperar,... Continuar Lendo →

classificado emocional

PRECISA-SE de olhos limpos para aguar sem turvar / para conquistar sem anoitecer / para amar sem ciscos. PROCURA-SE poesia de lagoinha que amansa tanto expande / que se declare no que derrame / que se aprofunde no que irriga o mundo. ENCONTRA-SE sutil gesto tão doce quanto próximo / tão leve quanto íntimo / tão... Continuar Lendo →

sobre verdade – 1

A verdade quando vem não deixa um fingimento em pé... verdade gosta de gente nua, encara certeira não dá brecha de desvio de olhos, ela é - e na frente dela você é, é o que é sem lingerie ou esmalte nos dedos   bem verdade,  a verdade prefere unhas curtas, diz que é afinada,... Continuar Lendo →

Dos tremores

Sem abalos sísmicos, faz favor. Era tudo o que o filete de doçura bruta tinha a revindicar como trato. Coisa tão fina quanto o vôo de um passarinho, certeira busca sutil sem mapa - boas doses de prolixia servem na medida do necessário para desnortear o raciocínio e subjulgar tudo aos sentidos. Embora quanto labirinto não se invente... Continuar Lendo →

Na sala do então

- é que eu só sei viver de combustão... - então de metamorfose em metamorfose há a combustão? - é essa coisa de mansidão quente. - então é um invernar por primavera? - talvez cansaço de pescador de outono... - então que querer é esse?! - uma verdade corajosa que acolha?...

Meninice Grande

"que o esplendor da manhã não se abre com faca" (Manoel de Barros) Escondido no lugar dos lugares do comum, tentando burlar o labirinto, o menino treina com seus sonhos. Nove, onze, treze anos... que importa? É um menino que pensando em um dia ser alguma coisa de gente grande, procura aonde pode ser grande... Continuar Lendo →

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