NUDES DESPOP

Na face retorcida da esfinge que me habita uma princesa de sujas botas comemora todas as saídas de partida. Os cachos descabelados no espelho vermelho do lago da vida brinda a mulher de laço sem fita. Mundo, mundo, quem estará ao passo? E a quem na curva da estrada desponte: ⁃ Alto lá, venha apenas... Continuar Lendo →

Passa-Ninho

Liberdade é casaonde o cantovoa alto no carinho.Ninho é onde o coraçãocasa com o assobio da vida.Lá no alto da florestaou no meio da cidadepassarinho é quem se constróicom sinceridade.

Pequenas epifanias em acordes 2

Derrama nota a nota no paralelo das cordas os acordes que acordam o arco entre o sentido e o toque a transpor a uma vibração maior o que harmoniza e retonaliza a vida. Viver é uma canção.

Leito de entrega

O que enche se esvazia, o que se esvazia se recria. Nenhum calço de paralelepípedo toca a magia de viver como um rio. Nenhum molde de domínio cerca ou seca a força do canto em realinho. Aos desvios, a entrega a dança com o universo. À mutação um brinde de estrelas entre os pés e... Continuar Lendo →

Inteirezas

O nu de si é mar. Ondulação de sal e tempo guiada pelos braços do sentimento. Sol que aquece o horizonte não mareia, abraça o abraço da existência. Em ritmo, tudo que aprofunda desmargeia, o ego fica em vestes na areia enquanto o ser renasce sem fronteiras.

Peneira

Vazio seco, vazio aguado, vazio doce, vazio árido: as pontes de passagem do ser e do nada. Onde tudo é e deixa de estar: são vazios, vazios sãos. A essencialidade do vazio pela vida germinada: a sombra e a luz não duram mais que um passo e o vazio torna a preencher.

Do verbo Desabrochar

A flor que desabrocha segue a rota assimétrica de seu próprio tempo. Fora de catálogo, não cabe aos dedos que a forçam, não agrada muitas vezes aos olhos, parece estranha aos quereres. A flor que desabrocha é generosa em sua própria trajetória, oferta como pode, vence a aspereza da noite sem nada buscar em troca.... Continuar Lendo →

A Métrica

Com o passo de quem não passa e prefere dedilhados sãos na cadência que segue e assume a própria afinação se abre pétala a pétala o tom. Toca pelo o que não pausa e não fere e encontra na alma o que transpõe amplidão.

Na pauta da vida

Disciplina é rítmo. Respeito, ao andamento. Tensões pedem o retorno à base. Transpor é adaptabilidade. Simples, e nada simples, a música da vida: inesgotáveis matemáticas.

Nós que aqui ficamos, por nós nos transformamos.

A vida é um cadência de saltos, sobressaltos, reposicionamentos. Respiro longo e breve, suspiro profundo do agora. Uma sucessão finita de portas e janelas, que escolhemos quais abrir, quais que se fecham, por quais entramos. Logo ali, por garantia única de quem vive, o silêncio cardíaco que nos encerra e leva à balança, o que... Continuar Lendo →

Quinto Compasso

Natural quetendo devolvido a bossa, a vida devolvesse o mar, tendo reintegre as notas, reintegrasse sol e modular no cais do compasso náutico onde o horizonte transpõe acordes do acordar.

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