Do dito popular – coisas da velha

A velha avó gostava muito de provérbios. Vez por outra desenferrujava um da manga para algum ensinamento. Lembro do olhar de lado, por entre as lentes de um óculos que encobriam uma cegueira de alguém que resiste vendo. - Antes um pássaro na mão do que dois voando. Lembro de me deixar perder pela imagem... Continuar Lendo →

No amor não se perde

Da época que trabalhei em CTI, entre os casos que mais me marcaram foi o de uma paciente, que vou aqui renomear com o apelido de Jasmim, e de seu marido, também aqui com nome fictício, Lírio. Conheci Jasmim em uma internação dolorosa, tinha um tumor em região inoperável da cabeça, que havia sido diagnosticado... Continuar Lendo →

No Coração do Bloco

Tem gente que diz: nossa, que legal, você toca em bloco! Tem gente que diz: caramba, como você consegue tocar em bloco? Tem gente que diz com os olhos, gostaria também. Tem gente que faz cara de paisagem, mas com o olhar declara suas críticas célebres. E tem gente que se despudora mesmo e fala... Continuar Lendo →

Por velhas e novas prosas, chama, amigo

Amigos são partes incalculáveis, que chegam de onde menos se espera, espelham, ensinam, questionam e movimentam a gente a rever e se reaver... de quem somos, como somos. Dizem por aí que amigos são a família que escolhemos ter. Sim, a gente escolhe, temos lá nosso poder da peneira. Mas para mim, amigos acontecem. Não... Continuar Lendo →

Rítmo

No rastro da água na borda do tempo desfazem amarras se ruma em unguento. Nas dobras da noite nos levantes do dia revezam as toadas se lançam os pássaros urge o firmamento. 

Na sala do sentir

Quando era criança e passava por um momento emocionalmente complicado, o colégio era uma espécie de libertação. Naquele ano, lembro bem do nome dela, a tia Mônica, ousou uma manobra arriscada. Me tirou de onde sentava e me colocou, definitivamente sentada ao lado de um menino. As mesas eram duplas, e ele era alguém nada... Continuar Lendo →

De ser em popa

Liberdade não é linha de chegada, é presente que se dá. Mas no mundo ninguém o alforriará, é tu, ao seu próprio modo e gesto que escolhe se presenciar.

Para seguir em paz 

Das duas margens onde o centro é encontro do passo em rega das mãos ao laço, o caminho: o gesto do mútuo cultivo: amar é sair da margem.

Para o tropeço da distância

Tem dias que gerenciar uma saudade é do departamento das coisas inadministráveis. Dizem que ao que não há remédio... ah, deixe me cá com minha saudade, que remédio o que para o que me é sagrado! Fico eu com minha saudade enquanto a presença me vier ventada que a alegria é sem borda onde até... Continuar Lendo →

Para encontrar

Achar morada requer o caminho do templo de dentro. A lente que reconhece o sagrado é a do sentimento. Incansável em si, na troca, no derramamento, com seus contornos de simplicidade, com as relíquias livres ao vento. Cultivar morada requer o passo atento e coragem na lança do pertencimento. O toque que reconhece seu templo... Continuar Lendo →

Júpiter

Não me fale a língua dos impossíveis, tão menos do que calam os sentidos. Me fale, apenas, no tom da esperança onde toda a verdade é audível.

Por ser parte a prece

Que a verdade prevaleça e os olhos se guiem pelo coração. Para todo insucesso, erros e tropeços, novas escolhas sejam feitas: recomeços. Liberdade é não precisar que te libertem, decidir por si seu sim e seu não. O amor está onde há rega e a terra envolve, acolhe, aceita. Amor é de amor colheita. Todo... Continuar Lendo →

Corriqueiras Alegorices 5

Ser como o pássaro é ser como o peixe. Ser como o peixe é ser como o pássaro. Na medida que se permite fluir  se libertam as asas. Na medida que se permite voar se integra em sua correnteza. *imagem pinterest

Do ato de celebrar…

Um ou dois passos não contam o caminho. Partidas e chegadas, menos ainda. Não há resultado que traduza a caminhada, pequenos demais, olhá-los é ser despropositado. O real propósito só pode estar na caminhada, menos no passo, nas botas ou calçados, mais no que o chão se revela em espelho na caminhada. Somos o caminho,... Continuar Lendo →

Insights Itinerantes 7 – Com a alma posta à prova

Render-se: entregar-se: à observação de si, aos entendimentos de tudo que chega no agora: encontrar-se no presente dos aprendizados de tudo que há em si e espelha-se a volta: se permitir ouvir suas próprias respostas. Gratidão, bela, inusitada e movimentada vida! ❤️   

Epifanias bem-vindas

Existe um ponto do caminho em que não há no que se fiar: nada para trás lhe diz de si, e nada a frente há no que se mirar. Neste ponto é como olhar a vida do alto da colina, linda e bem-vinda, com seu raio de percursos, todos eles desaguando no mar. -Ê, pai,... Continuar Lendo →

São as pequenas pedras

Pequenas gratuidades, pequenas farpas, campo de oferta árido onde a secura de um desperta a parte espinhosa do depois. Pequenas pedras, afiam lanças e acendem chamas, o amor escorre  por passagens secretas deixando apenas a palavra Acabou.

De um em par

Viver é um exercício de amizade, consigo e com os pares.  Par pareado lar pareia, De par por par a gente se calça e ergue as botas  que ao mundo alça o vôo único ao um de volta. Viver é um calçado de amizade que consigo não há borda nem falta.

…pela estrada

Foi o tempo de canelas versos estradas em que me ocupava a dizer, como quem quer, mas não ousa pertencimento: o amor está em toda parte. Hoje, eu tola, ou olhando a tola de outro tempo, me pego boba: Está? Dissolveram-se as reticências, libertos foram os calçados de fora da verdade estar. O amor é... Continuar Lendo →

A gente apanha tanto tanto e tanto que vira inteiro orelha de tatame.

O fracasso é uma mazela temporária do ego cego e frágil. A pegada na areia faz parte até que no mar se reconheça em verdade.

Nunca, ou sempre, passos

Nunca se sabe quantos passos se dará para frente e quantos por temer se dará para traz, se enrolará em voltas à esquerda se distanciará por cegueiras à direita. Nunca se sabe quantos passos se tem a dar... quantas pontes: quando se é passagem, quando se é passageiro. Nunca se sabe... mas passos são como... Continuar Lendo →

Das prosas do eu

Quando era criança nada mais me atraía no universo que histórias de cometas, para mim eu era um cometa, e sendo cometa me via possível em acesso as estrelas. O que não via, muito provável por ser criança, que essa era minha maneira de não me sentir sozinha. O que não queria mesmo era viver... Continuar Lendo →

Reveillon… E agora? Agora!

Reveillon tem esse aspecto interessante, somos condicionados a olhar para trás, e olhando para trás a ponderar, avaliar, separar joio do trigo, pesar, dosar, redefinir, e invariavelmente projetar nossas querências para frente. Honestamente, acho muito pouco, nos damos a chance de ousar apenas uma vez por ano, nos vemos oficialmente como seres capazes de sonhar... Continuar Lendo →

Entre Passos

Tantas vezes no caminho, tudo que se tem a dar no passo é a coragem, e coragem não significa ausência de medo, simplesmente passo, passo dado, entrega ao próprio caminho, passo após passo porque passo a passo é ir de encontro à verdade.

Em Lis, Sem Pector

Por anos a fio, Clarice!, carreguei aquele seu texto debaixo do braço, e achava, ah, por que achava?, que aquela sua solidão desde o berço, aquele querer pertencer sem conseguir ser, me unia na falta, me amparava, como sua solidão amparava você. Quantas mentiras a gente inventa, Clarice!, para justificar se obscurecer. Quanto castelo de... Continuar Lendo →

por novos e melhores ciclos

- Papai du céu, - Que foi, minha filha - imagina - Eu pometu num mi iscondê dibaixu da cama Chora um pouquinho, de levinho, respira fundo, enche o peito, segura os dedinhos, continua: - Mesmo si o medo di tomá bonca fô gandi. Mesmo si achá qui num intendo. Mesmo si o monstu fô... Continuar Lendo →

para não falar de faltas

Tenho uma casa que precisei domar para me dizer minha, com paredes que com os próprios calos emassei, desenhei, pintei. Uma miniatura de herbarium ao pé da janela da sala (isso diz muito de mim), uma rede azul ao pé da janela do quarto (coisa de natureza que aprendeu a se dar abraço), mais todo... Continuar Lendo →

L A V A N D Á R I O

Um dia um grande professor de terras longínquas te envia uma pintura: uma imagem sua, você, você mesmo, com pés de lavanda crescendo no lugar dos cabelos. Você ri um bocado. Em uma fração de segundos toda leveza e graça que te faltavam naquele momento te chegam de presente. E também chora um bocado. De... Continuar Lendo →

dedoliscadezas

Nem um dedo de peso enraizando ao chão nenhum senão nenhum medo fechando os dedos da mão... pois tempo não tem cabelo e idéias não ampuletam os dias e não há forma de vaso robusto-fino que retenha o amor: onda gosta de beijar a beira, correr todo o oceano tocar o horizonte sem guardar memória e... Continuar Lendo →

insights brancos – 1

E então entendi... um coração curador vai sempre tender a atrair corações feridos enquanto não encontrar sua forma mais pura de amor... porque a ferida do outro ensina a buscar curativos... mas enquanto o coração curador não souber fluir limpo em sua essência, confundirá intensidade com vida, e toda intensidade é uma forma de fome... Continuar Lendo →

c r e s c e r é i n f i n i t o

- um instantinho... Soltos os fios de beiras, esquecidas as bóias de braço na borda: um salto vital, mergulho ao mar do ar p r ó p r i o. Desci tobogan da ponta esquerda do sorriso à ponta direita de mim e um sol brotado na barriga rechaçou os pés de triciclo, alada a... Continuar Lendo →

confidência de romanceiro

Morangos vermelhos pra língua na saliva dos sabores escolhidos entre dez dedos de toques macios. O  inverno dos quereres bem-vindos: sem vento de desafino a brisa é colcha de pele dos amores.   Assim... ninguém precisa de chocolate - escolha é a arte da colheita.

pluxo

Quando o rio pressente a proximidade do mar, inteiro se estremece em toda gotícula d´água e se debruça à entrega além do medo da quebra nas pedras, porque o mar é a certeza do encontro do todo fluxo. Lá quando eu começava a virar moça, tinha de costume dizer a um amigo  que cada gente... Continuar Lendo →

Confessionário Simbólico no.2

"um pedaço de qualquer lugar" "se branco ele for" Passos soltos caminhados. O parque era apenas o parque, vastidão de verde, água fluindo, todo tipo de passarinho e caminho de terra para os pés. Meu velho conhecido, refúgio e canto (há aqui que se entender como convir). Mas se escolhi naquele exato dia estar ali, era... Continuar Lendo →

Todo 6 de agosto…

Incontáveis cachos de doçura levavam comprimentos em voltas a debruçar pelos ombros de menina entre os olhos redondos de lua, uma princesa em uma terra distante. Se eu pudesse, abraçava com toda a gigantesa do céu com as estrelas. - era esse nosso código, nossa brincadeira de fadas. Mais um aninho, e a princesa fica... Continuar Lendo →

Confessionário Simbólico no.1

Tenho para mim que determinadas faxinas que se faz na casa levantam certas poeiras de tristeza. Poeirinhas, nada grave. Uma frustração chicletada na porta dos fundos, uma perda quebrada no canto do armário, uma decepção escondida debaixo do tapete. Como todas pertencem a um tempo passado, não rondam entrem as paredes feito fantasmas... logo, uma dorzinha que haja ao... Continuar Lendo →

A tal 1a. pessoa

Foi sutil assim mesmo. E de tanto jamais me suporia à beira dos tragos do tempo. A caixa, abandonada anos na casa dos pais, pela irmã devolvida à mãos da dona, residia intocável há semanas logo aqui ao lado do pé.  Não a digo minha, muito embora seja. Tampa azul, duas chavezinhas penduradas, acrílico fechado, e dentro: pencas... Continuar Lendo →

“veja você onde é que o barco foi desaguar”

FEMINININHA Vê, não me chamo Maria. Nem Amélia, nem Lira, nem gata no cio. Sou coisa simples, mulher em seu pluri-oficício. Não, não vou ficar velha. A cada dia mais poesia.   O SARCASMO DA LÍNGUA Quanto vale, seu moço, um punhado dessa especiaria? Advérbios? Quantos pra que te leve os adjetivos? Ah, fechado, vocábulos... Continuar Lendo →

Desconstruções da Esfinge

  Decifra-me ou... calma, não devoro. Não sem saber dos seus temperos, só guardo à lingua o que me valhe o gosto. Sei da fama, trituro aos dentes e cuspo em fogo - apenas os que não me alcançam ou verdades escondem. Mas decifra-me, há caminhos secretos que renovam forças e a fé que ilumino... Continuar Lendo →

Comum…

Será que ele liga? Eu sei, sei, o mundo anda complicado. Não, eu não quero prever nada. Mas deixa eu ser euzinha um bocadinho... queria que ele ligasse, e daí? Estranho... bom, coisas do mundo... Estranho mesmo vai ser o dia em que pedra restar sobre pedra... milagre assim não acontece em nenhum dia da vida.... Continuar Lendo →

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