para não falar de faltas

Tenho uma casa que precisei domar para me dizer minha, com paredes que com os próprios calos emassei, desenhei, pintei. Uma miniatura de herbarium ao pé da janela da sala (isso diz muito de mim), uma rede azul ao pé da janela do quarto (coisa de natureza que aprendeu a se dar abraço), mais todo... Continuar Lendo →

L A V A N D Á R I O

Um dia um grande professor de terras longínquas te envia uma pintura: uma imagem sua, você, você mesmo, com pés de lavanda crescendo no lugar dos cabelos. Você ri um bocado. Em uma fração de segundos toda leveza e graça que te faltavam naquele momento te chegam de presente. E também chora um bocado. De... Continuar Lendo →

dedoliscadezas

Nem um dedo de peso enraizando ao chão nenhum senão nenhum medo fechando os dedos da mão... pois tempo não tem cabelo e idéias não ampuletam os dias e não há forma de vaso robusto-fino que retenha o amor: onda gosta de beijar a beira, correr todo o oceano tocar o horizonte sem guardar memória e... Continuar Lendo →

insights brancos – 1

E então entendi... um coração curador vai sempre tender a atrair corações feridos enquanto não encontrar sua forma mais pura de amor... porque a ferida do outro ensina a buscar curativos... mas enquanto o coração curador não souber fluir limpo em sua essência, confundirá intensidade com vida, e toda intensidade é uma forma de fome... Continuar Lendo →

c r e s c e r é i n f i n i t o

- um instantinho... Soltos os fios de beiras, esquecidas as bóias de braço na borda: um salto vital, mergulho ao mar do ar p r ó p r i o. Desci tobogan da ponta esquerda do sorriso à ponta direita de mim e um sol brotado na barriga rechaçou os pés de triciclo, alada a... Continuar Lendo →

confidência de romanceiro

Morangos vermelhos pra língua na saliva dos sabores escolhidos entre dez dedos de toques macios. O  inverno dos quereres bem-vindos: sem vento de desafino a brisa é colcha de pele dos amores.   Assim... ninguém precisa de chocolate - escolha é a arte da colheita.

pluxo

Quando o rio pressente a proximidade do mar, inteiro se estremece em toda gotícula d´água e se debruça à entrega além do medo da quebra nas pedras, porque o mar é a certeza do encontro do todo fluxo. Lá quando eu começava a virar moça, tinha de costume dizer a um amigo  que cada gente... Continuar Lendo →

Confessionário Simbólico no.2

"um pedaço de qualquer lugar" "se branco ele for" Passos soltos caminhados. O parque era apenas o parque, vastidão de verde, água fluindo, todo tipo de passarinho e caminho de terra para os pés. Meu velho conhecido, refúgio e canto (há aqui que se entender como convir). Mas se escolhi naquele exato dia estar ali, era... Continuar Lendo →

Todo 6 de agosto…

Incontáveis cachos de doçura levavam comprimentos em voltas a debruçar pelos ombros de menina entre os olhos redondos de lua, uma princesa em uma terra distante. Se eu pudesse, abraçava com toda a gigantesa do céu com as estrelas. - era esse nosso código, nossa brincadeira de fadas. Mais um aninho, e a princesa fica... Continuar Lendo →

Confessionário Simbólico no.1

Tenho para mim que determinadas faxinas que se faz na casa levantam certas poeiras de tristeza. Poeirinhas, nada grave. Uma frustração chicletada na porta dos fundos, uma perda quebrada no canto do armário, uma decepção escondida debaixo do tapete. Como todas pertencem a um tempo passado, não rondam entrem as paredes feito fantasmas... logo, uma dorzinha que haja ao... Continuar Lendo →

A tal 1a. pessoa

Foi sutil assim mesmo. E de tanto jamais me suporia à beira dos tragos do tempo. A caixa, abandonada anos na casa dos pais, pela irmã devolvida à mãos da dona, residia intocável há semanas logo aqui ao lado do pé.  Não a digo minha, muito embora seja. Tampa azul, duas chavezinhas penduradas, acrílico fechado, e dentro: pencas... Continuar Lendo →

“veja você onde é que o barco foi desaguar”

FEMINININHA Vê, não me chamo Maria. Nem Amélia, nem Lira, nem gata no cio. Sou coisa simples, mulher em seu pluri-oficício. Não, não vou ficar velha. A cada dia mais poesia.   O SARCASMO DA LÍNGUA Quanto vale, seu moço, um punhado dessa especiaria? Advérbios? Quantos pra que te leve os adjetivos? Ah, fechado, vocábulos... Continuar Lendo →

Desconstruções da Esfinge

  Decifra-me ou... calma, não devoro. Não sem saber dos seus temperos, só guardo à lingua o que me valhe o gosto. Sei da fama, trituro aos dentes e cuspo em fogo - apenas os que não me alcançam ou verdades escondem. Mas decifra-me, há caminhos secretos que renovam forças e a fé que ilumino... Continuar Lendo →

Comum…

Será que ele liga? Eu sei, sei, o mundo anda complicado. Não, eu não quero prever nada. Mas deixa eu ser euzinha um bocadinho... queria que ele ligasse, e daí? Estranho... bom, coisas do mundo... Estranho mesmo vai ser o dia em que pedra restar sobre pedra... milagre assim não acontece em nenhum dia da vida.... Continuar Lendo →

Das sacudidelas

Repara como a poeira tem gosto pelas entranhas das coisas. E como esconde o brilho da naturalidade do que encobre. Se uma camada deita sobre outra e sobre outra e outra, por fim, o que se sabe do que tem ali? Coisa nenhuma endurecida? Não conheço ninguém que queira ter no centro da mesa, esticado na... Continuar Lendo →

190

Eu pela calçada a sol a pino no miolo do Rio, um homem dobra a esquina, uma arma na mão. Ele correndo, eu abaixando a cabeça com o pedido infantil: fica invisível, fica invisível. Ele na minha direção, diminuindo a proximidade física. Eu com o coração aos pulos, gelada, cada passo mais gelada. Quando não... Continuar Lendo →

Unificações

Dá um trabalho pra lá de danado quando se inventa de fazer diferente, e o tal diferente envolve unificar. Uni ficar, ficar um, unir as partes fragmentadas. O novo às vezes chega pela sombra e pega de jeito, assalta a memória, propõe cumplicidade com suas idéias. A lagarta presa ao seu rastejo não imagina que... Continuar Lendo →

Blog no WordPress.com.

Acima ↑