O mundo é fantástico, Alice

Alice, senta aqui, bem embaixo dessa árvore, vou te contar uma história. Mas fique atenta, Alice, mantenha bem aberto os olhos. Sem rota de fuga, sem que o veja como um labirinto sem fundo, o mundo é sua escola, Alice. Não precisa ser gigante quando se sente pequena, não precisa se apequenar quando se sente... Continuar Lendo →

Para não faltar prosa nem poesia

- Bem-vindo, seu moço, pode entrar. - Não sei que ventos me trazem, mas sei dos ventavais deixados atrás. - Ih, se vê nos olhos que seguem turvos mareados de temporais em alto mar. - Vim só e marcado pelas desembarcações que tive que enfrentar. - Somos sós, seu moço, eu que vivo de colheita... Continuar Lendo →

Com os olhos de mar

Vê - disse o moço do sol - que não há nada do que se esperar: não há onda em ida ou volta há a onda onde ela está, não há afeto pequenino ou a engrandecer há apenas o tempo do afeto que há, não há maquinista ou passageiro em destino alto lá há apenas... Continuar Lendo →

Sem janela, ou, a senha dela.

Ela tinha por hábito sentar-se a janela. Nas mãos, tintas de ouro retingindo a passagem do outro. Seu lugar não era lá. De tanta espera, teceu cortinas, ergueu grades, até que o sol em seus fios dourados não pudesse mais entrar. Ela não era mais ela, e sequer sabia o que mirar. O vão torna... Continuar Lendo →

De vento e pipa

João aprendera a soltar pipa. Lá debaixo admirado com tão alto ela ia sentia a textura da linha. A linha, tão fina, quase invisível, requeria uma sabedoria: a dos ventos. João absorto pelo céu e seus malabarismos de linha se sentia a pipa, tanto mais solta subia, maior sua alegria. Foi uma ventania, um rodopio,... Continuar Lendo →

Escuta, Alguém!

Há mais de dez anos atrás li o Escute, Zé ninguém, do William Reich. Demorei mais de dez anos para poder falar do livro. Hoje, por algum motivo tolo ou não tolo me voltou a cabeça o lido. O que Reich parece ter por intento fazer é descascar o ego, a vaidade a autoimportância. E... Continuar Lendo →

Por não calar

Desesperou-se Madalena: Para quê tanta chuva e trovoada, meu Deus? E Deus quebrou seu silêncio: Porque as saúvas estão levando toda a horta, porque as pimenteiras cobriram com sua ardência tudo a volta, porque as lagartas querem impedir o amor entre as margaridas e o casamento entre os girassóis, porque grilos fizeram acordos com galfanhotos... Continuar Lendo →

De Propósitos e temporadas

João aprendeu no colégio fórmulas de movimento. Ana aprendeu na autoescola a dirigir seu carro. Renato projetava estradas, Roberto as asfaltava. Maria tomou muitos tombos até se equilibrar na bicicleta. Raquel é nadadora paraolímpica. José sonhou ser comissário. Pequenos propósitos. Grandes propósitos. Serafim ninguém escutava. Joana queria ser escutada. Artur viveu sozinho. Rosangela teve treze... Continuar Lendo →

Harry wars ring

Todo filme ou história que de fato se propõe a mostrar o confronto entre mal e bem tem um embate final. Harry Potter, Star Wars, Senhor dos Anéis se encontram hoje entre os mais conhecidos. É fácil sorrir em tempo de brisa e céu azulado, é fácil admirar a mágica da leveza colorida das borboletas,... Continuar Lendo →

O braço, abraço pela janela

Uma janela aberta e uma pessoa fechada, braços cruzados, a vida passa feito paisagem, feito brisa, como chuva a vida passa. Sem mãos dadas, o elo passa. Passa rente passa perto passa disperso passa frágil, passa de passagem. A janela é só promessa a janela é possibilidade, para tocar precisa dar o braço.

Entre Doroty e Alice, a libertação

Doroty procurava o caminho, e fazendo o caminho sem perceber que já era em si ele, encontrou companheiros, integração de caminhos. Alice percorreu uma ilusão, e ao caminhar em sua própria ilusão se descobriu melhor para confiar em si mesma, então sua ilusão lhe serviu de caminho para caminhar a partir de si mesma. Mas... Continuar Lendo →

Cristal D’água

O cristal d'água pendurado a janela, passa três estaçōes aguardando a primavera. Apenas uma época por ano o sol incide seus raios naquele ponto exato, e faz feixes de arco-íris que a brisa coloca a circularem. É mágico, mágico como tudo na vida, que sempre se encontra ao alcance apesar de não visível ou palpável,... Continuar Lendo →

Do ato de entrelinhar 4 – Drummondiamando

"Amor é privilégio de maduros Estendidos na mais estreita cama, Que se torna a mais larga e mais relvosa, Roçando, em cada poro, o céu do corpo."* Amor é privilégio dos que se desagarram dos textos, da matemática de encontrar em linhas retas, essas mesmas que nos separam de seus encontros. Porque amor vem da... Continuar Lendo →

Em Lis, Sem Pector

Por anos a fio, Clarice!, carreguei aquele seu texto debaixo do braço, e achava, ah, por que achava?, que aquela sua solidão desde o berço, aquele querer pertencer sem conseguir ser, me unia na falta, me amparava, como sua solidão amparava você. Quantas mentiras a gente inventa, Clarice!, para justificar se obscurecer. Quanto castelo de... Continuar Lendo →

por novos e melhores ciclos

- Papai du céu, - Que foi, minha filha - imagina - Eu pometu num mi iscondê dibaixu da cama Chora um pouquinho, de levinho, respira fundo, enche o peito, segura os dedinhos, continua: - Mesmo si o medo di tomá bonca fô gandi. Mesmo si achá qui num intendo. Mesmo si o monstu fô... Continuar Lendo →

changes and chances

  Parou bem à porta do portão. A garganta de tanto tempo apertada, por agora se soltava: - Ô de casa! Era seu passe livre. Deixava de lado as chaves da culpa e das dívidas, via tudo como um céu limpo, temporário e livre. Se desencaixotava. - Tô de saída, quer dizer, de chegada. Aquele... Continuar Lendo →

alfabetização: pé-de-perdão

Uma caixa de giz gigante no colo, presente colorido, novo, novinho. Passou o dedo nas cores, sentiu milimetricamente as sutilezas das possibilidades que guardavam. Um vento frio e sonoro de festa junina soprava do outro lado da janela, e mesmo ao estremecer o sentindo, era como se nada mais se infiltrasse, como se nada mais... Continuar Lendo →

Do Ato de Entrelinhar – 3

Tempo Tempos Temos - Cris Ebecken (*Oração ao Tempo - Caetano Veloso) E cheguei ali, ou aqui, não importa onde, sem maquiagem nos olhos ou qualquer coisa nas mãos. A intenção era olhar nos olhos, e sentir fechando os olhos. Dança silenciosa que só comporta nos que vão com alma... "Tambor de todos os rítmos"... Continuar Lendo →

uma quebra e o inquebrável

Baguncinhas de vestígios de par restavam como que penduradas no sem sentido. Nunca se sabe o quanto duram ou para onde rolam os novelos de lã desbotados, como se o coração fosse uma criança desajeitada aprendendo a enrolar e a cortar a linha. Mas naquela tarde um sabor escorria diferente em seus movimentos e pedaços, como... Continuar Lendo →

A Libélula e o Vagalume

(Uma história de ano velho e ano novo - para o adulto que se permitir) Era uma vez... sim, vou começar a te contar uma história com o ar da vez que era; pois se de um lado o lúdico salva, de outro uma fantasia só pode ser destecida dentro de seu próprio bordado. Então,... Continuar Lendo →

Uma legenda em um “aff”

"Pois certas sensações deliciosas há das quais o indefinido não exclui a intensidade; e ponta mais aguçada não há do que aquela do Infinito"* Margeando a orla, sentada na pedra, um pequeno caderno de bolso silenciado sobre a perna. Há apenas uma surtez humaníssima. Render-se a si. A força do mar na murada é da doçura permissiva... Continuar Lendo →

Do ato de entrelinhar 2

DO PÓLEM DAS MÃOS EM FLOR (PARA VIVER UM GRANDE AMOR) "Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso — para viver um grande amor."* Para viver um grande amor, preciso primeiro é fazer-se despido, levar nos olhos o sorriso de quem não flerta com a... Continuar Lendo →

Gastar o Velho, Nascer o Moço

"Deixo tudo assim não me importo em ver a idade em mim, ouço o que convém. Eu gosto é do gasto."* Receita médica no spa das fugas:  Acupuntura, agulhas milimetricamente posicionadas nos bloqueios das contas impagáveis. Litros de silicone para preencher o amor bebido. Botox para paralizar velhas expressões. Ansiolítico para o bruxismo das preocupações fantasmas. Drenagem... Continuar Lendo →

Retalhar o ler como convém 1

Os dedos trêmulos de noite. O inverno e sua seca na boca. Non atos. O mistério do não querer entender. O ver, inevitável, da falta de ausência clara. Um livro há de forçar a ler o que já está ali, suspenso, escrito em si sem dizer. Ninguém escapa, solidão é silêncio de sentido em qualquer... Continuar Lendo →

Do ato de entrelinhar 1

"Simplicidade é artifício recolhido, dobrado, alisado a ferro. Leveza aérea daquilo que foi corrigido e passado a limpo."* Schhh... ouve o silêncio rompido pelos dedos nas teclas, da ponta do lápis em deslize pelo papel, do desalinho das palavras na garganta; o incômodo insatisfeito de estar a todo tempo se reescrevendo, se reeditando, os ecos... Continuar Lendo →

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