Para o tropeço da distância

Tem dias que gerenciar uma saudade é do departamento das coisas inadministráveis. Dizem que ao que não há remédio... ah, deixe me cá com minha saudade, que remédio o que para o que me é sagrado! Fico eu com minha saudade enquanto a presença me vier ventada que a alegria é sem borda onde até... Continuar Lendo →

Para desconceituar o desamor

Amor não se dá nem pega embora árvore, plantação, jardim. Amor não se prova, certifica, autentifica embora senhor da troca, embora solo e múltiplo fértil. Amor não fica, é. Amor não depende, unifica. Amor não mede, expande. Amor não fere, cura. Amor é essência outra, para além dessa que tipificaram de amor.

Simples

Pouco, tão pouco, e raro, caro ao que se precisa: silêncio, vitamina da calmaria, carinho, tecido dentro dos possíveis, entendimento, no diverso e no que aproxima, entrega, ao que é e ao tempo escrito. Pouco, tão simples, valioso, o sorrir e o olhar que harmoniza. * imagem: Cris Ebecken

Para encontrar

Achar morada requer o caminho do templo de dentro. A lente que reconhece o sagrado é a do sentimento. Incansável em si, na troca, no derramamento, com seus contornos de simplicidade, com as relíquias livres ao vento. Cultivar morada requer o passo atento e coragem na lança do pertencimento. O toque que reconhece seu templo... Continuar Lendo →

Fora da margem

Do outro lado da margem da esperança canta uma brisa que trança a lógica incomum dos sentidos. Ela tinge os espelhos com as palavras que comungam nos silêncios. Ela cala os cinzas das pausas lembrando o que permanece em movimento. O reverso das distâncias, a métrica ilógica da confiança, o contato, com tato, ela dança.... Continuar Lendo →

Júpiter

Não me fale a língua dos impossíveis, tão menos do que calam os sentidos. Me fale, apenas, no tom da esperança onde toda a verdade é audível.

Para atravessar

Há um caminho pedregulhoso que leva a tudo o que verdadeiramente importa. Por vezes não se sabe se cabe ao passo, se as pernas chegam, se os braços alcançam. Por vezes o tropeço, o medo, o erro, o sol a pino convocam as perguntas: eu posso? eu consigo? Estamos sós nesses momentos, porque somos sós,... Continuar Lendo →

Corriqueiras Alegorices 6

Enquanto houver muralha como necessidade nas fronteiras haverão castelos templos do medo. Enquanto houver lança chamas como necessidade dos castelos eles serão meramente pedra e areia. A vida é a arte do jardinar. Somos colcha de retalho onde a costura e o gesto é amar.

Fina Flor

A volta tudo é suficiente e próspero. São os olhos viciados em faltas e as mãos fechadas dos quereres que ilham dos continentes do ser. Vale mais lançar- se despido aos braços que reter-se no deserto das máscaras.

Renascimentos Sãos

Do renascer, deixar por terra os ossos que não sustentam mais. Despreender-se das marcas na pele ao invés de cultuá-las, liberar os tecidos. Amar cada molécula despida, pela graça e pela promessa de como reagregarão. Salgar os olhos, amaciar os dedos. Enterrar as solas sem velório: posso despojar-me, obrigada pela caminhada, por ora sigo em... Continuar Lendo →

Insights Itinerantes 15

No simples, está tudo sendo dito: sinais, metáforas, silenciosas epifanias. Viver foge a métrica. Nada se sabe o que virá, do percalço, do calçado, do passo dado. Se o universo conspira, há de se saber ler na entrelinha, desenquadrar a mágica inspirar os sentidos. Na brisa, chega o suspiro, doce, intensamente doce, com seu dito:... Continuar Lendo →

Dissoluções Possíveis

Dissoluções são para os fortes, aos entregues à coragem mesmo quando o vento rodopia os pensamentos e bambeia os passos. Há no ato que entorna os gestos o desalinhavar das fronteiras. Há nos gestos que lançam o ato o mergulhar através de si mesmo. Dissoluções são danças sincopadas e silêncios de verdade. Redenções.

De costura, ou, para não faltar pano

O tempo perdido corrigindo ao outro, poderia gastar  amando. Poupe. Poupe o puir do tecido, deixe as linhas em trança. Tecido ruído, fim de ciclo: agulhas cansam. Desbotadas cores, seguem as linhas soltas. Costura boa, tem açúcar na trama, convoca bordado, convida elástico: é bem cuidada. Dá ali espaço para ser solta e bem marcada.... Continuar Lendo →

Por ser parte a prece

Que a verdade prevaleça e os olhos se guiem pelo coração. Para todo insucesso, erros e tropeços, novas escolhas sejam feitas: recomeços. Liberdade é não precisar que te libertem, decidir por si seu sim e seu não. O amor está onde há rega e a terra envolve, acolhe, aceita. Amor é de amor colheita. Todo... Continuar Lendo →

Dos nãos aos sins

Não se alongar nas relações que não colorem, Não se reter ao que desbota, Dissolver arreios, âncoras, gastas botas. Ousar o solo. Ser entrega ao que recolore. Tingir a dança, a trança, a valsa e todas as notas. *imagem pinterest

Corriqueiras Alegorices 5

Ser como o pássaro é ser como o peixe. Ser como o peixe é ser como o pássaro. Na medida que se permite fluir  se libertam as asas. Na medida que se permite voar se integra em sua correnteza. *imagem pinterest

Insights Itinerantes 14

O invejoso, o ávaro, o de si seco, está sempre tão enrolado em seus papelões, gestos e palavras de farpas, que por que com seus papéis desastrosos se importar?

Habitat dos hábitos

A palavra ergue paredes: ou afasta ou aproxima. Os gestos, senhores das moradas: ou enlaçam ou desalinham. Escolhas, como janelas: encerram ou iniciam. Vidros, telhas, azulejos: ou polidos ou rachados. Há de se saber mais dos terrenos para os passos: ou férteis ou áridos.

Aceita-ação

Aceitar a escolha de quem te destrata, Aceitar a escolha de quem não te escolhe, Aceitar a escolha de quem se afasta, Aceitar a escolha de quem não abre, Aceitar a escolha de quem lhe enquadra, Aceitar a escolha de quem lhe critica, Aceitar que as escolhas são pessoais do escolhedor com o próprio escolhedor.... Continuar Lendo →

Por ser mulher

A força  que não bruta mas labuta sobre as veias de um fazer em curso que não cala e não seca e não se esvai ao ralo mesmo quando a resistência é desértica. A doçura que abastece em rega desde as pequenas coisas às maiores escolhas e não se destece um viver que é de... Continuar Lendo →

Com os olhos de mar

Vê - disse o moço do sol - que não há nada do que se esperar: não há onda em ida ou volta há a onda onde ela está, não há afeto pequenino ou a engrandecer há apenas o tempo do afeto que há, não há maquinista ou passageiro em destino alto lá há apenas... Continuar Lendo →

Desterro Próspero

Existem os que agregam e os que se desagregam, os que se reconhecem e os que não enxergam. Existem os que são em troca e os que segregam, os que se encontram  e os que se exaltam. Existe o rico e o pobre  em uma moeda inversa onde próspero é quem não tem a ilha... Continuar Lendo →

De acordar

Sob a noite escura das nossas próprias cegueiras enquanto o peito turva por falar alto o medo render-se é desfazer-se de si mesmo. Simplemente seja. Feito a água ou a lua em espelho. Feito a árvore a desfolhar e refazer-se. Salte. Desnude. Solte. Salgue-se. Queime-se para fora da quimera. Amar a si é sem eira... Continuar Lendo →

De beber e entornar

Deserto não há, o deserto em si é do medo a miragem, onde barcos tendem a naufragar. Maria era curandeira, e escondia as mãos feito crime. Sarah era educadora, e se prendia as mesas administrativas. José queria o amor, mas contornava seu ímpeto de tocar a campainha. Rômulo sonhava novas engrenagens, mas se mantinha a... Continuar Lendo →

Om Namah

Se calar as formas brutas, a imposição da força, a falta de amor que nos separa, a voracidade, as dúvidas, as fronteiras dos personagens, as entraves, a mendicância de si, a sede por se por ilhado, essa guerra que em tudo reflete a própria sombra. Se abrir ao derramar da vida, a amabilidade das oportunidades,... Continuar Lendo →

Do ato de celebrar…

Um ou dois passos não contam o caminho. Partidas e chegadas, menos ainda. Não há resultado que traduza a caminhada, pequenos demais, olhá-los é ser despropositado. O real propósito só pode estar na caminhada, menos no passo, nas botas ou calçados, mais no que o chão se revela em espelho na caminhada. Somos o caminho,... Continuar Lendo →

Sem janela, ou, a senha dela.

Ela tinha por hábito sentar-se a janela. Nas mãos, tintas de ouro retingindo a passagem do outro. Seu lugar não era lá. De tanta espera, teceu cortinas, ergueu grades, até que o sol em seus fios dourados não pudesse mais entrar. Ela não era mais ela, e sequer sabia o que mirar. O vão torna... Continuar Lendo →

Insights Itinerantes 7 – Com a alma posta à prova

Render-se: entregar-se: à observação de si, aos entendimentos de tudo que chega no agora: encontrar-se no presente dos aprendizados de tudo que há em si e espelha-se a volta: se permitir ouvir suas próprias respostas. Gratidão, bela, inusitada e movimentada vida! ❤️   

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