Por ser leal à lealdade, o universo interno

Sofro, na brincadeira do verbo, de uma lealdade incurável e irrefreável. E por ela, e dentro dela me reconheço e me reintegro, muito embora, por ela, e dentro dela, já tenha por ímpeto entrado em longas batalhas. Certa vez, há anos atrás, me disse o mestre: - Sua lealdade jamais te trairá. Sei, ressoa meio... Continuar Lendo →

“Life is like a box of chocolates”

A gente se surpreende. Temos a cabeça cheia de referências, filtros, belezas e impurezas. Mas não sabemos nada, nada absolutamente do que vai dentro de cada pessoa com quem lidamos. Achamos, achamos muito, feito criança pulante no banco de trás, com a pergunta: está chegando? Junto a um monte de querências. Assim erramos. Nossa, como... Continuar Lendo →

Para não se arrepender (depois)

Havia uma mosca pousada sobre a borda da testa dele. Tirava do sossego os pensamentos que circulavam entre as vitórias e as derrotas que poderiam ser dele, enquanto suava sob as sombrancelhas, na opressão dos olhos do medo de quem não sabia se pôr por inteiro a tentar. Havia uma mosca rastreando as insônias dele,... Continuar Lendo →

O resgate da fé feminista

Eu sou feminista, nasci feminista. Não tive uma formação de base feminista, muito pelo contrário. E talvez essa contramão de base, tenha sido o melhor exercício para que esse meu feminismo de alma se revelasse. Paguei, e pago, os preços caros, de ser mulher em uma cultura ainda bastante machista, e de ter essa tendência... Continuar Lendo →

Por uma ética emocional nas relações

Existem muitos textos atuais, questionadores e incríveis, falando de superficialidade nas relações nos tempos atuais. Não vou chover no molhado, mas vou propor uma entrelinha com outra linha de costura. A palavra ética é sempre tentadora, escorregadia, circular. Da época  em que trabalhava em saúde, por mais árduo que fosse o debate, menos incerto do... Continuar Lendo →

De metáfora e melodia 4

Tudo passa:a embarcação que chega, a embarcação que vai, o passo do passo a passo, a dança da ondulação no tempo exato e refaz a graça do compasso.

Depois do que éramos, o que somos

Eu era uma criança rueira, puxava papo pela rua, vivia pendurada na janela do quarto da avó que dava para o pátio da escola, querendo estar 24 horas brincando por ali. Eu era uma criança musical, cantarolante, que achava ser possível curar a tristeza do outro fazendo carinho enquanto cantava. Virei uma adolescente rueira, que... Continuar Lendo →

Dos erros aos reacertos 

Existem erros que a gente comete, que ao serem percebidos por nós mesmos, nos custam um peso de caminhar sem saber como se perdoar. A vida é feita de erros e tropeços, e tudo isso faz parte, mas todo mundo tem lá aquele seu pacotinho de erros difíceis de conseguir se perdoar. Se dá algumas... Continuar Lendo →

À Vida

Ser humano adora meios. Não ter medo dos fins tampouco dos inícios é que faz a gente ser por inteiro.

Quinto Compasso

Natural quetendo devolvido a bossa, a vida devolvesse o mar, tendo reintegre as notas, reintegrasse sol e modular no cais do compasso náutico onde o horizonte transpõe acordes do acordar.

Sem pauta de acaso

- Sorte a minha, azar o teu - pensava ela. Redigiu: azar meu, sorte a sua eu mudar a órbita da linha, da rara costura, da plácida verdade que derramava. - Não, sem lágrima derramada - murmurou entre o lápis e a borracha rasgando o papel. Respirou fundo, fechou o caderno empurrando de lado. O... Continuar Lendo →

Quens em Quando

Quem enquadra não escuta. Quem muito acha, entende pouco. Quens em quando alguém julga por ótica quadrada o que a lente enxuga. Quem supõe não toca e quem não toca não sente. Quens em quando alguém se amarra à borda e a mágica do aprendiz não enche o copo. Quem muito esvazia, tole. Quem só... Continuar Lendo →

No sopro do carinho

A força é da singeleza do cuidar,  brutalmente delicada, se estende quem é, rega o outro como está. A força, tamanha, nada frágil de ressoar no gesto uma mesma verdade: amar é flor de variadas pétalas que por onde sua textura tange uma orquestra inteira se curva a tocar.

Sou Legal – Não Estou Te Dando Mole

A frase é incrível, tem um milhão de versões, escolhi essa imagem, para falar do que é chato, que todo mundo passa, que ao mesmo tempo que faz parte, não, não faz parte. Quem paquera sabe quando é paquerado. Sabe a diferença da energia, do olhar, do gesto, de alguma pista quando há reciprocidade. A... Continuar Lendo →

Pelo verbo acordar

Acordar: desentorpecimento dos castelos de areia, das zonas de conforto, do hábito de negar a própria alegria e crescimento. Liberdade das adjetivações tolas, críticas, das culpabilizações descabidas, da falta de escolha de escolhas. Porto do cais do verbo aprender. Despir de camarim, demaquilante dos personagens e idéias pré-concebidas que por afeto se acha que se... Continuar Lendo →

Rítmo

No rastro da água na borda do tempo desfazem amarras se ruma em unguento. Nas dobras da noite nos levantes do dia revezam as toadas se lançam os pássaros urge o firmamento. 

Com os pés no chão – 02

Duas motivações completamente diversas nos fazem não desistir. Ou a teimosia. Ou a verdade pessoal. Pela teimosia, estamos agarrados ao hábito. Pela verdade pessoal estamos entregues na coragem.  Tenhamos a liberdade de irmos pela verdade e caminharmos com o céu nos pés.

Na sala do sentir

Quando era criança e passava por um momento emocionalmente complicado, o colégio era uma espécie de libertação. Naquele ano, lembro bem do nome dela, a tia Mônica, ousou uma manobra arriscada. Me tirou de onde sentava e me colocou, definitivamente sentada ao lado de um menino. As mesas eram duplas, e ele era alguém nada... Continuar Lendo →

Com os pés no chão 01

A gente não muda o outro. A gente muda a escolha de como lidar com o outro. A gente não diz como o outro deve caminhar. A gente escolhe com quem, como e até o onde caminhar.

De sobremesa e relação

Temos o péssimo hábito de esperarmos que nossas relações sejam um pavê de bombom. Queremos rápido descartarmos o ácido, o amargo, o cítrico... somos ávidos em desejarmos o outro ao nosso paladar, sem dificuldades. Mas fato é, o outro tem dificuldades, nós temos dificuldades, e tudo isso faz parte!  - Mas eu não gosto de... Continuar Lendo →

De esperança em terra

Dentro do amor,pra fora das bordas do ego, quando se é leal a si mesmo se é leal ao universo. Dentro do amor, quando se escolhe o sentido da verdade interna, se despoja os julgos e medos e se é livre à paz de estar honesto.

Derramamentos

Amor não é moeda de troca é verdade própria. Cresce onde não se espera,  derrama alheio a métrica. Amar acontece e ao universo devolve no que revela e transforma cheio em si mesmo,  sem doma ou beira: o amor é,  e amar já é bem completo.

Corriqueiras Alegorices 10

Alquimia é aceitar o vento que traz a pedra e não percebê-la como entrecorte da margem do rio. Sem pensar no que separa e no que não separa, a água se faz correr por si. Alquimia não é o polir da água sobre a pedra, é a água se manifestar independente da pedra, e cumprir... Continuar Lendo →

De ser em popa

Liberdade não é linha de chegada, é presente que se dá. Mas no mundo ninguém o alforriará, é tu, ao seu próprio modo e gesto que escolhe se presenciar.

Onde tudo é, nada falta

A primeira vez que vi o mar, não me apaixonei. Era muito pequena, e estava por demais incomodada com as sensações da areia. Foram precisas sucessivas vezes, até que da aspereza da areia me fosse possível reconhecer o mar. Ah, a grandiosidade do mar!  Quantas vezes, feito criança, fazemos isso? Damos mais importância as asperezas... Continuar Lendo →

Renascimentos e Escolhas

O amor não desconecta do amor. Então amor ao outro é extensão do amor próprio. E amor próprio requer lealdade a sua verdade pessoal. Mas temos por hábito cultural seguirmos na direção oposta, não somos preparados, de fato, a ter o amor como filtro e norte, somos profundamente enraizados na culpa e no medo, e... Continuar Lendo →

Simpleser

Sobre simplicidade:reconhecer o que é, aceitar as possibilidades escolher com sua verdade. Sem beira de espera ou entremeio, livre para ser. 🌸🦋 *imagem pinterest

Desabandone-se: desinforme

Custa caro o preço do medo de não ser aceito ou de ser abandonado. Se é escravo, cada um ao seu próprio tropeço, dessa ilusão corriqueira e nada passageira. A ponta da lança afiada é por nós mesmos apontada. Somos nós que nos abandonamos. Somos nós que não nos aceitamos em nosso tempo, verdade e... Continuar Lendo →

Entre a espada e a paz

Entre a espada e a paz, os passos do caminho. Da espada, a verdade. Da coragem, a paz. O guerreiro segue. Seguir o faz.  Entre a espada e a paz, o reflexo na lâmina do propósito que o leva e o faz. Tantas sejam as pedras, tantas sejam as perdas, tantas sejam as quebras, o... Continuar Lendo →

Para não faltar prosa nem poesia

- Bem-vindo, seu moço, pode entrar. - Não sei que ventos me trazem, mas sei dos ventavais deixados atrás. - Ih, se vê nos olhos que seguem turvos mareados de temporais em alto mar. - Vim só e marcado pelas desembarcações que tive que enfrentar. - Somos sós, seu moço, eu que vivo de colheita... Continuar Lendo →

Para seguir em paz 

Das duas margens onde o centro é encontro do passo em rega das mãos ao laço, o caminho: o gesto do mútuo cultivo: amar é sair da margem.

Para o tropeço da distância

Tem dias que gerenciar uma saudade é do departamento das coisas inadministráveis. Dizem que ao que não há remédio... ah, deixe me cá com minha saudade, que remédio o que para o que me é sagrado! Fico eu com minha saudade enquanto a presença me vier ventada que a alegria é sem borda onde até... Continuar Lendo →

Para desconceituar o desamor

Amor não se dá nem pega embora árvore, plantação, jardim. Amor não se prova, certifica, autentifica embora senhor da troca, embora solo e múltiplo fértil. Amor não fica, é. Amor não depende, unifica. Amor não mede, expande. Amor não fere, cura. Amor é essência outra, para além dessa que tipificaram de amor.

Simples

Pouco, tão pouco, e raro, caro ao que se precisa: silêncio, vitamina da calmaria, carinho, tecido dentro dos possíveis, entendimento, no diverso e no que aproxima, entrega, ao que é e ao tempo escrito. Pouco, tão simples, valioso, o sorrir e o olhar que harmoniza. * imagem: Cris Ebecken

Para encontrar

Achar morada requer o caminho do templo de dentro. A lente que reconhece o sagrado é a do sentimento. Incansável em si, na troca, no derramamento, com seus contornos de simplicidade, com as relíquias livres ao vento. Cultivar morada requer o passo atento e coragem na lança do pertencimento. O toque que reconhece seu templo... Continuar Lendo →

Fora da margem

Do outro lado da margem da esperança canta uma brisa que trança a lógica incomum dos sentidos. Ela tinge os espelhos com as palavras que comungam nos silêncios. Ela cala os cinzas das pausas lembrando o que permanece em movimento. O reverso das distâncias, a métrica ilógica da confiança, o contato, com tato, ela dança.... Continuar Lendo →

Júpiter

Não me fale a língua dos impossíveis, tão menos do que calam os sentidos. Me fale, apenas, no tom da esperança onde toda a verdade é audível.

Para atravessar

Há um caminho pedregulhoso que leva a tudo o que verdadeiramente importa. Por vezes não se sabe se cabe ao passo, se as pernas chegam, se os braços alcançam. Por vezes o tropeço, o medo, o erro, o sol a pino convocam as perguntas: eu posso? eu consigo? Estamos sós nesses momentos, porque somos sós,... Continuar Lendo →

Corriqueiras Alegorices 6

Enquanto houver muralha como necessidade nas fronteiras haverão castelos templos do medo. Enquanto houver lança chamas como necessidade dos castelos eles serão meramente pedra e areia. A vida é a arte do jardinar. Somos colcha de retalho onde a costura e o gesto é amar.

Fina Flor

A volta tudo é suficiente e próspero. São os olhos viciados em faltas e as mãos fechadas dos quereres que ilham dos continentes do ser. Vale mais lançar- se despido aos braços que reter-se no deserto das máscaras.

Renascimentos Sãos

Do renascer, deixar por terra os ossos que não sustentam mais. Despreender-se das marcas na pele ao invés de cultuá-las, liberar os tecidos. Amar cada molécula despida, pela graça e pela promessa de como reagregarão. Salgar os olhos, amaciar os dedos. Enterrar as solas sem velório: posso despojar-me, obrigada pela caminhada, por ora sigo em... Continuar Lendo →

Insights Itinerantes 15

No simples, está tudo sendo dito: sinais, metáforas, silenciosas epifanias. Viver foge a métrica. Nada se sabe o que virá, do percalço, do calçado, do passo dado. Se o universo conspira, há de se saber ler na entrelinha, desenquadrar a mágica inspirar os sentidos. Na brisa, chega o suspiro, doce, intensamente doce, com seu dito:... Continuar Lendo →

Dissoluções Possíveis

Dissoluções são para os fortes, aos entregues à coragem mesmo quando o vento rodopia os pensamentos e bambeia os passos. Há no ato que entorna os gestos o desalinhavar das fronteiras. Há nos gestos que lançam o ato o mergulhar através de si mesmo. Dissoluções são danças sincopadas e silêncios de verdade. Redenções.

De costura, ou, para não faltar pano

O tempo perdido corrigindo ao outro, poderia gastar  amando. Poupe. Poupe o puir do tecido, deixe as linhas em trança. Tecido ruído, fim de ciclo: agulhas cansam. Desbotadas cores, seguem as linhas soltas. Costura boa, tem açúcar na trama, convoca bordado, convida elástico: é bem cuidada. Dá ali espaço para ser solta e bem marcada.... Continuar Lendo →

Por ser parte a prece

Que a verdade prevaleça e os olhos se guiem pelo coração. Para todo insucesso, erros e tropeços, novas escolhas sejam feitas: recomeços. Liberdade é não precisar que te libertem, decidir por si seu sim e seu não. O amor está onde há rega e a terra envolve, acolhe, aceita. Amor é de amor colheita. Todo... Continuar Lendo →

Dos nãos aos sins

Não se alongar nas relações que não colorem, Não se reter ao que desbota, Dissolver arreios, âncoras, gastas botas. Ousar o solo. Ser entrega ao que recolore. Tingir a dança, a trança, a valsa e todas as notas. *imagem pinterest

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