Bufo

Escangalhado espalhafatoso umbigode voltas grandiosas de voragensem coroado egoísmo por ourives de si mesmo,como é de tão branco, pobre,de tão raso, tóxico,se instituindo reinado alheio a trocanas gozadas vãs da própria imagem.Imprópria criança aprisionada em adulto dormenteenquanto tu não te acordascansa tudo que teu rastro tocae se desbota.

ROSA

Brilha na tinta da retinao que preenche de graçaao abrir do caminho.Conspirações do sagrado,porta de casa para o sentido,rendado laço curativo,rosário.Os passos que me trouxeramem contas circularesda escuridão me desviaram;Chegam etéreas mãos dadasno acordo da coragem.Ver com o coraçãoé como ouvir de olhos fechados:mar ao inegável.

Anos depois

Ainda que covardementea beleza seja feridapela voragem impiedosaou rasurada por enganospodres de falsos reis,ainda que a ingenuidade sangreperante abusos e assédiosde benfeitores malditos,é direito que volteque se tome de voltaa luz graciosa que os sentidos coloree que é própria.

Ler por dentro

Ser a alturada intençãocom verdade:lealdade. No amor a coroaaguando ourocom olhos limpospara os mistérios abrigadosque os soprosencontram e embalam. Ler com coerênciaas trilhas do sentimentosob a noite ou céu claro:lealdade.

Fronteiras Temporais

Quando o ano se encerracomo dedos que se abremdizendo: deixa,e outra mão de tempo se estendecomo promessa de bom tatochamando: vem,nada, nada do porvir se sabee tudo, absoluto tudo é possível também.Ao possuir em si a própria estradaa força que te move é leal em si?Quem caminha contigo a estradaatravessa a noite, a curva, a... Continuar Lendo →

Insights Itinerantes – 24

Entre o que sangra, o que faz sorrir e o que liberta, a natureza imponderável da vida que segue. A flor que brota no deserto, ao mesmo tempo que guarda da força a graça, rende no espinho o findável. Na fronteira onde a areia se encerra, a frente o horizonte náutico, atrás o horizonte árido.... Continuar Lendo →

La Vangoghcela Pandêmica

A crônica falta de poética espicha a mente que não pisca. Ser humano redescobriu o inseguro. Nada serve de prédio, carro, geladeira, rococó, praia, avião, saideira. Rápido retoma ao pó, a vida seca e lhe escapa. Ou por onde cisma, deixa marca. Mas ser humano enche as fantasias de desumanidade, bate pé mimado, veste sunga,... Continuar Lendo →

Declaratório em Miudezas 3

A forma dentro da formaou fora, desentortao embotamento da tez,se liberta, se recria, se abre a nova,pinta o respiro, planta brisa, anunciaem reflexo do sol entre as sombracelhas:o possível melhor no por vir. Abrir os olhos, dar-se a chance,deitar horizonte ao sentir.

NUDES DESPOP

Na face retorcida da esfinge que me habita uma princesa de sujas botas comemora todas as saídas de partida. Os cachos descabelados no espelho vermelho do lago da vida brinda a mulher de laço sem fita. Mundo, mundo, quem estará ao passo? E a quem na curva da estrada desponte: ⁃ Alto lá, venha apenas... Continuar Lendo →

Colírio

Quem não pode ver o feioe romantiza onde não cabe o belo,na acidez que a vista não revelaem eco se faz cego ego ego. Quem não pode ver a pedratropeça, não pole o que a vida pede,se repete se repete se repete. Deixa morrer o que não te quer inteiro,olha a pedra, olha o feio,olha... Continuar Lendo →

Da Vincela

Ao natural, sinuosamenterepletas de desejos, texturas,sabores, pêlose costelas(jamais feita de uma delas),tão unicamenteespaço própriode escolhas, cultivos, germinânciasdos quereres expressos ou a manifesto,tão completas.

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