CONTOTERAPIA – Zé

Zé tinha a força do sol correndo nas veias. Movia-se indiscriminadamente como os ventos, sem freio. Vivia sempre a beira do incêndio. Na cabeça o fazer. Fazer fazer fazer. No ritmo do atropelo, como um vôo cego sem pausas, atravessava noites e dias, semanas, meses, anos, sem pouso em si. Sem pouso em si mesmo,... Continuar Lendo →

TUI – ContoTerapia

TUI - ContoTerapia(crisebecken.com) Tui tinha um fio de alegria que sempre lhe escapava no bordado. Brigava com os dedos, se punha por vezes muito chateada quando o ponto enrolava, entortava, ficava com um jeito de desassossego. A moça queria tudo com excelente arremate, e por conta disso, o fio da alegria lhe escapava. Bateu um... Continuar Lendo →

TAI – contoterapia

Tai tinha os olhos tão redondos quanto o coração. Na nuca um apinhado de nós deixados por passagens alheias. Uma tia dizia: garota ingênua. Talvez Tai tivesse mesmo uma resistência a perder as ingenuidades, ou aquele fosse o jeito da moça de não se embaralhar com as sombras do mundo. Tai era como uma gota... Continuar Lendo →

O canto do vale

Resguardado em um vale de acesso difícil, corria um rio conhecido nos povoados a volta, por revelar-se uma mulher d´água. Contavam as pessoas debruçadas das janelas, que sem calendário ou estação exatos, assim como de presente, de inesperado, acontecia da mulher se erguer modelada da água quando o rio cantava uma canção. Linda, doce, gentil,... Continuar Lendo →

O beijo do universo

- Olha, uma mulher voa no céu. - Nossa, ela é feita de núvem. - Repara, parece que olha a frente enquanto o vento sopra seus cabelos. - O peito iluminado parece que faz dela ainda mais leve. - Que loucura... - Quanta liberdade! - Será um sinal? - Ela sorri. Ela sabe onde vai.... Continuar Lendo →

Conjunções

Carregava uma solidão impregnada nos poros. Feito manta de derramar uma tristeza silenciosa sobre a pele, a adormecer os sentidos. Uma angústia de nó, emaranhado entre o peito e a garganta, pesava, envergava a cabeça. Chão opaco como horizonte. Na corcunda da bagagem de que nada lhe servia, desceu tanto os olhos até deparar-se com... Continuar Lendo →

CONTOterapia – Maria

Que começos não são desbravados considerando os fins, humano. Maria foi uma criança de asas, se lançava ao que lhe encantasse, se debruçava ao que o sentir tocasse. Clara, alegre, dada. Mas crescer talvez não tenha lhe sido tão simples assim. Na medida em que os tropeços de pedras e chão árido lhe alcançavam, Maria... Continuar Lendo →

CONTOterapia – SOFIA

Sofia era pausa. Se resguardava do mundo a cada passo. A conta-gotas desbotava a palavra não expressa, o gesto não tentado, a vontade não ousada. Era sempre um risco a tentativa, o sucesso ou o fracasso, a aprovação ou o desagrado. Sofia vivia como música sem compasso, suspensa no ar das possibilidades, sem pauta, sem... Continuar Lendo →

Cristal

Havia um prisma de cristal pendurado na janela que apenas era tocado pelos raios solares na primavera. Anunciava ele à Sofia, esparramando raios coloridos, sua estação favorita. Por anos e anos quando tudo se coloria, ela respirava como uma criança, alegre, encantada: "é primavera". Por uma mudança de janela, o prisma pendurado deixou de ser... Continuar Lendo →

Solfejos a Jorge

A embarcação adentrava noite. Na escuridão da direção, angustia na proa, medos em reflexos de orcas, tubarões, quem sabe monstros marinhos, dragões. Sofia tinha sonhos nas mãos, mas elas tremiam. Ali sozinha, tendo um mar inteiro de caminho, um horizonte no peito, a mente aos olhos lhe traindo. Era tanta água incerta a volta, que... Continuar Lendo →

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