Lucidez

A dança incerta entre o sentir e os pés na terra, quem ensina como é? Se diz, não acerta. Nem compasso, nem métrica, de pulso sincopado. Que a dança trama entre pernas o desejo e o manifestável conforme cada par de passos improvisa no tato o que consegue ousar. Nãos e sins explodem big bans,... Continuar Lendo →

Chorus

Nenhuma crítica, nenhuma dúvida, nenhuma coisa alguma enquanto os olhos sentem todas as úlceras não minhas, do outro, enquanto dança a renda exposta das faltas, marcas. Nenhum colóquio, ponta de faca afiada sobre o peito do mundo que adormece em alucinação trôpega. Ah, mãezinhas, por onde andavam no tempo em que a dor se costurava... Continuar Lendo →

Solfejos a Jorge

A embarcação adentrava noite. Na escuridão da direção, angustia na proa, medos em reflexos de orcas, tubarões, quem sabe monstros marinhos, dragões. Sofia tinha sonhos nas mãos, mas elas tremiam. Ali sozinha, tendo um mar inteiro de caminho, um horizonte no peito, a mente aos olhos lhe traindo. Era tanta água incerta a volta, que... Continuar Lendo →

Prosa de conselho contado

Um reino de sentir e sabores, guardado, trancado, negado como parte, míngua de seiva e tonalidades a vida. Ser em si sua mais frondosa árvore, não é perigo, nem pecado, é o gozo do íntegro. Nutrir de si por se permitir crescer a partir de suas próprias sementes, é a entrega ao prazer mais genuína,... Continuar Lendo →

Conselho dado

Repara, flor, demolições descontroem as fronteiras para lá onde o norte brota o sol do sentido. Ouça, flor, um pulso de força erguendo nutrido de bem-querer, unguento, intenso farol de liberdade. Seja, flor, a dança sincopada que trança sonhos e verdades em seu fértil tempo enraizado.

Sob um céu de peixes

Ele via peixes no céu, ela era peixe mergulhando ao lado. Ele via nela os astros, ela o cobria de jardinagem. Rendiam noite a dentro em laço, construindo pontes entre universo, terra, amor, estrada. Voavam. Orquídea na varanda da casa, pé de romã, cheiro de mato. E a poesia escorregava do sofá para a cama,... Continuar Lendo →

Que tiros são esses?

O tiro que tiras de dentro do peito e atiras com mira ou alheio, me diga, de que é feito? Foi da tua luz ou da sombra, foi por luz ou por sombra, foi para a luz ou para a sombra? Agora, me diga, qual o defeito, o conceito, que se atira ou tira, e... Continuar Lendo →

Em trânsito

Às vezes se vai pegar um ar e volta com o peito quadrado. Outras vezes, do caos, brota uma brisa oxigenada. Termômetro, meteorologia, qualquer coisa que mensure o inesperado, não existe. João passava dia após dia levando a vida na calculadora. Rita, na régua. Pedro, na balança. Ana, a conta gotas. Uma matemática falida, exaustiva,... Continuar Lendo →

Quem sabe…

Quem sabe na próxima borda a busca se desdobre da trança das faltas. Quem sabe logo ali no adiante o peito se recorde do que soma para fora da curva da sombra que não doma. Quem sabe um renascer recorde. Quem sabe um laço encontre. Quem sabe o cheio se comporte. Quem sabe os sonhos... Continuar Lendo →

Dis-sonhos-sãos

A gente sonha um tanto de coisas no peito que deita fora a curva da noite e destece o que não somos. A gente gesta os sonhos que deitam a curva do dia de ser quem somos.

A roda do mar sem beira

Quando aceitamos quem não veio e aceitamos quem se foi, aceitamos o passo da dança e seus novos começos. Quando aceitamos o que se fez e aceitamos o que se deixou deixamos de lado a dança para ser fora da dor. Quando aceitamos o não dito e aceitamos o que se vivenciou, saltamos para fora... Continuar Lendo →

Eu, você e nossas sombras

A gente foi ensinado a não ver nossas sombras. Não. Nós não fomos ensinados a observar nossas sombras reconhecendo nosso poder de escolha quanto a elas. Na maior parte das vezes, tivemos aprendizados distorcidos, sem nenhuma aceitação dos dois lados. E ficamos cheios de expectativas sobre as não-sombras que gostaríamos de caminhar ao lado. Por... Continuar Lendo →

É só um prato de afeto

Em um dia corrido de atendimentos, saio rápido na rua. Sou abordada por dois meninos vendendo bala, digo: não, obrigada. Um passo a frente, me ressoa pelas costas um grito: - É só um prato de comida! Foi um dia incrível de pessoas de diversas idades trazendo aprendizados sobre suas dores emocionais, sobre suas carências,... Continuar Lendo →

O mundo não para e nós não vamos descer

- Que semana louca a que eu tive, todo mundo parecia estar me atropelando. A queixa é rotineira em pessoas e histórias diferentes. Por vezes nos sentimos verdadeiras formigas no planeta dos dragões. Sentimos tudo de mais pesado: medo, dúvida, culpa... E desatentos, não percebemos o enorme poder que estamos dando aos outros e as... Continuar Lendo →

Para quebrar padrões culturais afetivos

- Cris, pra que eu vou ficar com o foco em alguém que está com o foco em outra pessoa? Abriu a pergunta ela, enquanto ainda nem terminava de se sentar no futon para a psicoterapia. Seguiu falando de suas conclusões e escolhas usando como referência a palavra reciprocidade, e estava, pela primeira vez, conseguindo... Continuar Lendo →

“Life is like a box of chocolates”

A gente se surpreende. Temos a cabeça cheia de referências, filtros, belezas e impurezas. Mas não sabemos nada, nada absolutamente do que vai dentro de cada pessoa com quem lidamos. Achamos, achamos muito, feito criança pulante no banco de trás, com a pergunta: está chegando? Junto a um monte de querências. Assim erramos. Nossa, como... Continuar Lendo →

O dom de (se) iludir

O dom de iludir... a sugestão de música onde a voz se oculta, a melodia sem corpo à dança. A arte de não ser em traje de passeio. O deixar rastro quando já se retirou do caminho. A ousadia não dita. O viver em ensaio por não se ter controle da conjunção perfeita. A idéia... Continuar Lendo →

Curvas em si

  Muito além do que se vê, está guardado o que se pode achar. É essa cegueira de imagens, essa poeira espessa de quereres, e esse vento áspero de formatos que esconde o que se tem para ver. Esse vício de caminhos, essa fome de emoções e métricas, nossos paletós de enxigências e suas gravatas... Continuar Lendo →

Do ato de entrelinhar 4 – Drummondiamando

"Amor é privilégio de maduros Estendidos na mais estreita cama, Que se torna a mais larga e mais relvosa, Roçando, em cada poro, o céu do corpo."* Amor é privilégio dos que se desagarram dos textos, da matemática de encontrar em linhas retas, essas mesmas que nos separam de seus encontros. Porque amor vem da... Continuar Lendo →

Mareios

Ana já estava ali há mais de uma hora. Sentada no alto da pedra, camuflada com o canto da praia. Seus olhos haviam pairado e absorvido tudo que se extendia ao alcance. O cansaço nos olhos mesclado com o relaxamento do sol na água. Era como se todos os sons a ocupassem e diluissem ao... Continuar Lendo →

A Porta

Um dia o homem inventou a porta. Aprendeu e ensinou a colocar dentro dela o que lhe importa. Porta pequena. Porta suntuosa. Porta larga, grossa, pesada, com tranca, engradeada, porta. Porta, ainda que moderna, atual, medieval. Nosso princípio dos nãos, nossos avisos limítrofes. Não sei nada da verdadeira história das portas, e esse texto a... Continuar Lendo →

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