Paz-Ciência: Paciência

É certo que a noite descee turva em desertosob céu sem estrela,escurecer é para todos o acerto primeiro.É certo que saber-se só estremecee inexato e curto e que fenece - Não corra tanto, menino sem jeito,que correr não cura medo nem erro,correr é que é o defeito. Todo grão de areia se arruma até a... Continuar Lendo →

Em preto e branco

No pedregoso labirinto das doresdesencontram valores, desatam em sóso que se prende em miudezas por miudezasna não sinceridade dos duelos. O que quebra cabeçasdesencaixa por distâncias despropositadas:quem muito se estica, quem muito se amassa,quem muito silencia, quem com a fala massacra.No labirinto das pedras separadas ou atiradasa dureza temerosa se serve do viver na bordatorna... Continuar Lendo →

ROSA

Brilha na tinta da retinao que preenche de graçaao abrir do caminho.Conspirações do sagrado,porta de casa para o sentido,rendado laço curativo,rosário.Os passos que me trouxeramem contas circularesda escuridão me desviaram;Chegam etéreas mãos dadasno acordo da coragem.Ver com o coraçãoé como ouvir de olhos fechados:mar ao inegável.

Pérola

No mais profundo íntimo, a penetrabilidade:poeira do outro na condição das miudezas.A ostra que navega, não é só pérola,é de um todo inteira:rebola no seu interiorfarpa, pedra, abandono, frieza,de ralar, de ferir, de tirar proveito - e ainda assim miudeza:graúda pequeneza que bobeiamas que a ostra elabora a valor maiorpor ela.Perolada vai por si abertadona... Continuar Lendo →

Azulare

Mar ao fundo, maréliberta, transformadada densidade do obscuroà suavidade abertado horizonte limpo. Água grande navegafarto céu de entrega,alto vai quem se enxerga,e se enxergando sabenem grande, nem pequeno,médio ao exatode beleza e imperfeiçõesinteiroao vôo profundo de encaixe.

Arsenal de miudezas: grandes valores

O segredo das miudezas está guardado no ventre de todos os fenômenos. Feito grão em grão se recolhe a sabedoria com humildade, e se devolve ao olho do recém chegado. Do broto à árvore, da floresta à folha, onde o rio leitou por baixo, ciclo a ciclo. O tempo de cada miudeza, cada miudeza e... Continuar Lendo →

No Ar Vem

A dança da levezab e i j apara bem vero aroma brisadode bem quererpela pelede peso peladapara no bem serbeijo beijado chuvadode beijo voador molhadoflorescer.

Desbeira

Grão a grão das perdasempilhados em dunabloqueando o caminhoes co rre ram as costasfeito nó retirado da cachoeirapara onde a vidade sem bo cana boca do novo meio-diasem vírgula na asasendo na alegria casa. Parece precipíciomas é princípio,maré de ser.

A Força

Não brutaenraíza no desejo.Não fantasiosailumina pela inteireza.A força como é: força,vontade de ser em simorre, renasce,fecunda, parte,age na coragem,goza.E tudo se recria.

Na Íris do Infinito

O finito dentro do infinitocosturas suas curascomo quem trata longas tranças:paciência, aceitação, ternura.Dissolve o que puiu por não render,renova o que se valora por ser.Quando o céu tem seu canto para assobiarpenetra pela pele não só pelas orelhasescancara na janela do peitoe são todas as divindades falando à face: - a vida quer você.

Centrípeta

A graça é o ponto de encontro onde velho e novo não desbotam. Uma linha que costura o sonho com o possível. Uma força que realinha o fazer sentido. Uma onda bem no meio do horizonte da vida.

Desvalores

De vidro, porcelana, plásticoo vazio frio do pratocom caldo ácido de palavraricocheteia na fomede cesta básica do respeito.Um feijão, dois feijões, três feijõesna pressão, no gatilho do garfo,multiplicados no ronco do estômago,subtraídos a conta-gotascomo caça níquel devorando a vida.

A Roda da Água e do Fogo

Para quem muito ou pouco aposta,a boa aposta é onde nunca apostou.Para quem rema sem fio o horizontea ilha é ponte, respirador.Para quem calejou de dorde aposta no vaziode meta sem lançade sonho no nubladoo abraço é o lugar mais macio.

Vráaa

Um filete de rio ácido escorria adoecendo as margens do entre-tato do entre-ser da epiderme com o mundo. A pele feito pétala escaldada no deserto se esquecia do que era, desbotava como nuvem. Mas... Moinhos de palavras e atos infecundam quando lutam contra a graça e a coragem, e infortúnios não perduram onde o pólen... Continuar Lendo →

TAI – contoterapia

Tai tinha os olhos tão redondos quanto o coração. Na nuca um apinhado de nós deixados por passagens alheias. Uma tia dizia: garota ingênua. Talvez Tai tivesse mesmo uma resistência a perder as ingenuidades, ou aquele fosse o jeito da moça de não se embaralhar com as sombras do mundo. Tai era como uma gota... Continuar Lendo →

Do que deserta

Lançou-se à água em tiro insensato de quem quer ir de uma borda à outra no mais rápido traço e desconsidera que no meio do trajeto quando não há garantias a mente libera tubarões e baleias contra si mesmo. Turvo de espuma e medo no redemoinho escuro do peito brigava com a água.   Ah,... Continuar Lendo →

Inteirezas

O nu de si é mar. Ondulação de sal e tempo guiada pelos braços do sentimento. Sol que aquece o horizonte não mareia, abraça o abraço da existência. Em ritmo, tudo que aprofunda desmargeia, o ego fica em vestes na areia enquanto o ser renasce sem fronteiras.

A vida é um rabisco

Sem borracha nem régua, dura a largura e altura de uma página, onde cada um preenche ao seu próprio passo e compasso. A cada traço, uma porta nova se abre, quem sabe para uma curva, quem sabe para uma melhor definição do desenhado. Uma folha, não uma tela. Não irá para exposição, não participará de... Continuar Lendo →

Nu Natural

Faltava falar dos sentidos, da sensualidade do umbigo, do dedilhado nas costas, da chama entre barrigas, do peito esparramado, acolhido, das pernas trançadas, embaralhadas, do som respirado, impautável, de estar fundido. Dar voz a naturalidade do tocar sendo tocado tendo os olhos despidos. De resto, em meio a noite ensolarada, nada mais faltaria.

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