Astrologuês em MiNiConto – 01

- Como é que danço com a lua, mãe? - Menino, que idéia maluca, a lua é tão distante! - Mas eu gosto da lua! - Ah, garoto, coloca essa cabeça pro chão! E saiu a senhora andando a frente. Ele, atrás, uma bola no pé e um gol no coração, espichou novamente os olhos... Continuar Lendo →

Luz

Uma borda de luz, um anzol, uma linha sutil de sinais desliza na guia, conduz. Uma chama, através da onda gentil de espuma clara se acende e propaga: o amor te guarda.

Vênus Alada

Não sabia da perfomance das escolhas a prolongar mais tempo do que cabia se vendo pouca, pequena, inútil coisa. Não sabia para si suaves brisas, doce pousar que lhe valia. Via-se bruta, amarrotada, poeira tosca, de si, então, sabia nada. Até que um vento imperioso rompendo amarras quebrou o errôneo espelho torto. Desabotoada das vestes... Continuar Lendo →

Solo

Derramava um silêncio de desatar nós, nós que já fomos, nós que borramos sóis. Sois da cor a pétala que desfixou, por força da voz o só, o nó, o nós. E por tato da falta de espera cansou e retonalizou em pluma leve, dispersa, para além do nó.

Lucidez

A dança incerta entre o sentir e os pés na terra, quem ensina como é? Se diz, não acerta. Nem compasso, nem métrica, de pulso sincopado. Que a dança trama entre pernas o desejo e o manifestável conforme cada par de passos improvisa no tato o que consegue ousar. Nãos e sins explodem big bans,... Continuar Lendo →

Chorus

Nenhuma crítica, nenhuma dúvida, nenhuma coisa alguma enquanto os olhos sentem todas as úlceras não minhas, do outro, enquanto dança a renda exposta das faltas, marcas. Nenhum colóquio, ponta de faca afiada sobre o peito do mundo que adormece em alucinação trôpega. Ah, mãezinhas, por onde andavam no tempo em que a dor se costurava... Continuar Lendo →

Solfejos a Jorge

A embarcação adentrava noite. Na escuridão da direção, angustia na proa, medos em reflexos de orcas, tubarões, quem sabe monstros marinhos, dragões. Sofia tinha sonhos nas mãos, mas elas tremiam. Ali sozinha, tendo um mar inteiro de caminho, um horizonte no peito, a mente aos olhos lhe traindo. Era tanta água incerta a volta, que... Continuar Lendo →

Prosa de conselho contado

Um reino de sentir e sabores, guardado, trancado, negado como parte, míngua de seiva e tonalidades a vida. Ser em si sua mais frondosa árvore, não é perigo, nem pecado, é o gozo do íntegro. Nutrir de si por se permitir crescer a partir de suas próprias sementes, é a entrega ao prazer mais genuína,... Continuar Lendo →

Conselho dado

Repara, flor, demolições descontroem as fronteiras para lá onde o norte brota o sol do sentido. Ouça, flor, um pulso de força erguendo nutrido de bem-querer, unguento, intenso farol de liberdade. Seja, flor, a dança sincopada que trança sonhos e verdades em seu fértil tempo enraizado.

Salto

Buzinas, ruídos, tráfegos, vira e mexe lhe entupiam os sentidos. Desbotava, assim, como pétalas que pendem. Afogava no não ser, feito entorpecimento poluído. Quanto menos oxigênio no sentir, afogamento. Virava um carteado clichê, mímico de capas, etiquetas, sentado em praça pública, como quem só o tempo gasta. Indigesta cidade do reino do eu limitava. Até... Continuar Lendo →

(Des)Silencie

Tinha no peito uma coleção de espinhos enrolados em arame farpado. Os olhos carregados de silêncios e sombras. Palavras, palavras de sol bem regadas são tão necessárias, para que possa destecer a dor que estendeu de dentro a quem ousou amar e caminhar com você.

Eram minhas

Eram olhos de brilho intenso, degustação de traços, trejeitos, graças. Era olhar de apaixonada, derramando descoberta, contornando o outro com os sentidos. Ótica de maresia, inundando melodia com o coração de oceano. Suspiro. Como ventos sempre sopram, a névoa destece, a realidade se mostra com todas as ranhuras de pedra. E o outro ali, nu,... Continuar Lendo →

Sem pauta de acaso

- Sorte a minha, azar o teu - pensava ela. Redigiu: azar meu, sorte a sua eu mudar a órbita da linha, da rara costura, da plácida verdade que derramava. - Não, sem lágrima derramada - murmurou entre o lápis e a borracha rasgando o papel. Respirou fundo, fechou o caderno empurrando de lado. O... Continuar Lendo →

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