Abundamentos

A simplicidade que margeia vem da rega inesgotável polindo pedra, adoçando o leito. A existência, como rio, é um canto de infinitas vozes. Entre ser peixe e ser passarinho, escolho ser árvore na floresta.

A Força

Um pouco de toda coisa, uma parte em partes encaixada como todo e uma gota de sol a escorrer pelo corpo: uma irrealidade real demais afixa, mutável, em metamorfoses maleáveis, malabarismo de cor sem som, onda de som sem cor: constante em parto, parte, bifurca, aprofunda, reintegra e torna a nascer, e torna a morrer... Continuar Lendo →

Quimera

O olho que tudo vê amadurece entre as guerras e o cansaço nas trincheiras inexatas na ilha do querer. Vai desarmado recolhendo os espinhos lançados os convertendo em unguento sagrado de um espaço de paz. Essa paz distante dos combates tantas vezes pela ferida embotada. Desabotoa a veste do sonho dourado quando de areia e... Continuar Lendo →

O beijo do universo

- Olha, uma mulher voa no céu. - Nossa, ela é feita de núvem. - Repara, parece que olha a frente enquanto o vento sopra seus cabelos. - O peito iluminado parece que faz dela ainda mais leve. - Que loucura... - Quanta liberdade! - Será um sinal? - Ela sorri. Ela sabe onde vai.... Continuar Lendo →

Com o mar no céu

Na exuberância da transitoriedade, a constância é a mutação lunando os sentidos com generosidade. Vê que gentil o que a vida abre toda vez que a brisa feito o mar passa, e não se tem como carregar núvens como pedras na mala. Uma estrela amanhece, uma lua desagua.

A segunda face

A vida tem uma face de mármore fria, dura, desbotada, com algumas ranhuras de faca e uma aspereza de gasta. Bancada de escolhas culinárias. O que se prepara, como se tempera, o que se descarta, azedo, amargo, salgado. A vida dispõe uma segunda face a desprender-se desobediente da pedra. Doce, picante, ousada, remexe com liberdade... Continuar Lendo →

Conselharinho

Onde não puder cantar, não pouse. Se asas não forem possíveis de dançar, não perdure. Que combustível para a chama da alma de passarinho, é a liberdade dos vôos integrados. Repara que o ninho é a mansidão do céu, galhos quebram, árvores caem. Onde não puder ser com integralidade, passe. Ao sinal de dedos ásperos... Continuar Lendo →

Renascimento

A noite que apaga os contornos e enreda turva perspectiva finda. Porque é da noite assim como antes do dia, o fim. Reerguem sonhos de nuvem macia com borda dourada pelo céu do não vivido na maciez matutina. A vida tem mansidão de cultivo infinito coberto de orvalho de esperança, dedos delicados de moça, pés... Continuar Lendo →

Desempate

Empatia seria da natureza a coisa mais simples, não fora as defesas que nos separam. Há uma vastidão de medo seco, escapando do olhar nos olhos, reconhecer a dor diversa, como uma dor de si mesmo. Uma escuta descomprometida, uma indisponibilidade a verdade do contato, e da necessidade. Há um excesso de julgo, termo, crivo,... Continuar Lendo →

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