Solfejos a Jorge

A embarcação adentrava noite. Na escuridão da direção, angustia na proa, medos em reflexos de orcas, tubarões, quem sabe monstros marinhos, dragões. Sofia tinha sonhos nas mãos, mas elas tremiam. Ali sozinha, tendo um mar inteiro de caminho, um horizonte no peito, a mente aos olhos lhe traindo. Era tanta água incerta a volta, que chorar só mais a salgaria.

Desceu-lhe da lua um guerreiro. Uma espada em espelho dizia: prossiga. Sofia sentia medo, mas ele insistia: prossiga. Combates eram travados dentro da menina, que seguiu por noites intermináveis com as sombras das memórias no lastro.

Por falta de confiança em si, apenas no guerreiro confiava. Sem perceber que no balanço da sua oferta de fé, uma mulher se transformava. Deu conta apenas na chegada a areia, onde o sol enfim redespertava.

– Obrigada.

– Agora sabe que dentro de ti caminha a verdade dos guerreiros. Prossiga.

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