Das prosas do eu

Quando era criança nada mais me atraía no universo que histórias de cometas, para mim eu era um cometa, e sendo cometa me via possível em acesso as estrelas. O que não via, muito provável por ser criança, que essa era minha maneira de não me sentir sozinha. O que não queria mesmo era viver em uma ilha.

Longo tempo se passara, e o que eu não via sobre o que eu não via era que deixara a ilusão de ilha se apoderar de mim. Quando tinha por volta de 20 anos, me senti Avalon. Eu era Avalon, perdida no tempo, separada no espaço, repleta de segredos e poderes possíveis, encoberta por uma bruma que nada se via.

Com as mágicas que fossem, ser ilha, no fundo, é bem triste. Porque à Avalon as barcas naufragam. Foi preciso muita coragem, foram precisas muitas remadas.

Coincidência ou não, hoje, mais década caminhada, me recordei disso. E me perguntei: por que me recordo agora disso? Avalon não mais existe, as barcas que nunca chegaram me ensinaram o caminho, e com os passos que se desvenda o caminho pontes são criadas. Pontes acolhem caminhantes e chegadas, e pontes são apenas isso, cometas que conduzem ao sentido.

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