Por vezes, para não falar em núvens – ou, o 4o. Compasso

Algumas pessoas você vai cuidar, amar, abrir o espaço, e elas não saberão escolher colocar no jogo suas melhores partes. Algumas pessoas não terão  a dar nada além de suas próprias chagas, suas sombras. Quem oferta sombra, oferta porque naquele momento não tem luz a dar.

Algumas pessoas optam por suas fixações obsessivas, por suas competitividades, por suas críticas, provocações, por seus fakes,  por suas intolerâncias à alegria, sucesso, diferença. Optam por seus excessos, suas distorções de si, por seus próprios buracos.

O grande salto está em olhar essas pessoas como exercício, por vezes de não espera, por vezes de compaixão, por vezes, sim, de posicionamento de limite.

Quem não tolera a diferença, a beleza do outro, quem não sabe admirar, quem não sabe torcer, quem vive com os olhos no outro querendo ser como o outro, se medindo pelo outro, desejando os espaços e passos do outro, é quem ainda não se permitiu se abrir de verdade para a vida, para a troca, para a soma. É quem se acha tão frágil, tão pouco, que não se abriu para si. Esse é sozinho. Esse é encapsulado. Esse está pobre. Pobre, paupérrimo de si, de graça, de orquestra, de descoberta. E esse, sim, está atado ao limite de seu próprio ego. Refém de si. Prisioneiro da imagem que pode passar uma vida inteira a perseguir e defender e ostentar e discursar e blábláblá.

Então, por vezes, para não falar de núvem, para não ser utópica com os pés na lua, envie uma núvem solidária de compaixão, àquela pessoa que você deu seu melhor, mas segue na teima de não ser soma porque ainda está, por demais, pregando sua própria sombra.

Envie a núvem, e siga sendo feliz. Não se atenha, nem se prenda, nem se apegue a semear no deserto. Siga. Siga livre dos pseudos-coronéis, e dos copistas arrítmicos. Toque em sua banda, encontre sua orquestra, sinta o quarto compasso na suspensão de quem pode amar, abrir, semear e seguir a frente liberto da platéia. Porque quem você é não precisa de sala de estar, e ser já é mais do que suficiente.

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