Conjunções

Carregava uma solidão impregnada nos poros. Feito manta de derramar uma tristeza silenciosa sobre a pele, a adormecer os sentidos. Uma angústia de nó, emaranhado entre o peito e a garganta, pesava, envergava a cabeça. Chão opaco como horizonte.

Na corcunda da bagagem de que nada lhe servia, desceu tanto os olhos até deparar-se com uma formiga. O pequeno ponto caminhante, envolvido com um grão de açúcar, pôs-se de anjo em epifania.

– Coisa mais graciosa essa que segue envolvida com a simplicidade do que encontra pelo caminho.

Acompanhou a formiga com os olhos, como quem descobre no pequeno uma força grandiosa. O ser pequenino cruzou o assoalho, vagarosamente pegou a dobra, subiu milímetro a milímetro a parede. No observar, a bagagem desmanchava-se as costas, os emaranhados desatavam nós. Até que os olhos, junto com a formiga, encontraram a janela. Do lado de fora um sol irremediável curando a chuva de dentro.

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